Força física e mental movem Federer a manter protagonismo no tênis

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Força física e mental movem Federer a manter protagonismo no tênis

Redação Folha Vitória

São Paulo - Mesmo com 35 anos, o suíço Roger Federer tem condições de repetir ao longo da temporada a atuação de gala que o levou à conquista do Aberto da Austrália. É o que garantem tenistas atuais e das antigas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. No último domingo, Federer venceu o espanhol Rafael Nadal e se tornou campeão sendo o mais velho a chegar a uma decisão de simples em Grand Slam desde 1974.

Dois argumentos sustentam essa previsão dos especialistas. O primeiro abrange o avanço nos métodos científicos de recuperação. "A ciência consegue criar verdadeiras máquinas de jogar tênis. São superatletas. Na nossa época, isso era impossível", opinou Thomas Koch, primeiro homem brasileiro a vencer um Grand Slam, nas duplas mistas (Roland Garros, em 1975).

A fim de se preparar para uma partida, um tenista faz 30 minutos de alongamento, uma hora de massagem e passa dez minutos imerso em uma banheira de gelo diariamente. "O Federer quase não suou", disse Koch.

O ex-tenista inclui um ingrediente na discussão: o tempo de recuperação. Ele afirma que na primeira final em Melbourne com "trintões" desde 1972, Nadal foi prejudicado por ter tido um dia a menos de recuperação. Federer se classificou à final na quinta; Nadal, na sexta.

Outro fator da longevidade de Federer, esse mais subjetivo, tem relação com a mente. "Enquanto estiver motivado, Federer pode ganhar qualquer competição", opinou Bruno Soares, sétimo colocado no ranking de duplas da ATP.

Soares alerta para o jogo de alto nível realizado após contusões dos dois gênios. O suíço perdeu Roland Garros e US Open com problemas no joelho, enquanto o espanhol abandonou na França e desistiu de Wimbledon com contusão no punho, depois um longo histórico de lesões. Isso deve pesar na continuidade de sua carreira - ele está com 31 anos.

Federer vai disputar o Torneio de Dubai no final de fevereiro. Já Nadal desistiu de defender a Espanha nas oitavas de final da Copa Davis por falta de tempo para se recuperar - os jogos serão entre 3 e 5 de fevereiro.

O confronto entre os trintões, porém, foi considerado uma exceção. O número 1 do mundo, Andy Murray, e Novak Djokovic, hexa em Melbourne e vice do ranking, caíram e abriram espaço para os veteranos. "Dificilmente essa final vai se repetir", disse Koch.