França abre investigação contra ato racista no metrô antes de jogo do Chelsea

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França abre investigação contra ato racista no metrô antes de jogo do Chelsea

O incidente aconteceu na estação de metrô Richelieu Drouout, pouco antes da partida entre Paris Saint-Germain e Chelsea pela Liga dos Campeões

Redação Folha Vitória
O incidente aconteceu na estação de metrô Richelieu Drouout Foto: Reprodução

Paris - O Ministério Público de Paris abriu uma investigação sobre a confusão ocorrida no metrô de Paris na última terça-feira, que teve motivação racial, na qual um grupo de torcedores do Chelsea foi filmado impedindo um homem negro de embarcar em um trem. O incidente aconteceu na estação de metrô Richelieu Drouout, pouco antes da partida entre Paris Saint-Germain e Chelsea pela Liga dos Campeões.

Depois de duas vezes empurrarem o homem para longe, os torcedores, alguns dos quais gritavam "Chelsea, Chelsea, Chelsea" passaram a cantar "Somos racistas, somos racistas, e esse é o modo que nós gostamos". Outra passageira, uma mulher negra, em seguida, se afasta do trem. No vídeo, publicado na internet pelo jornal The Guardian, o negro tenta embarcar no trem e se afasta. Depois, ele é empurrado para longe duas vezes.

As identidades dos homens no vídeo, incluindo a vítima, ainda não foram descobertas, disse a porta-voz do escritório da procuradoria Agnes Thibault-Lecuivre à Associated Press.

A Polícia Metropolitana de Londres disse que vai analisar as imagens para ver se alguma medida pode ser aplicada, e ajudará as autoridades francesas a "identificar as pessoas envolvidas e apoiá-las em qualquer ação que eles decidirem tomar".

O Chelsea disse que também iria tomar medidas, se possível. "Tal comportamento é abominável e não tem lugar no futebol ou na sociedade", disse o clube inglês em um comunicado. "Vamos apoiar qualquer ação penal contra os envolvidos, e em caso de provas apontarem o envolvimento de detentores de carnês da temporada ou sócios do clube, eles sofrerão a mais forte possível ação contra eles, incluindo ordens de proibição".

A Uefa condenou o incidente, mas disse que não pode tomar qualquer ação. "Estamos consternados pelo incidente que aconteceu no metrô de Paris na terça-feira", disse a Uefa em um comunicado. "No entanto, uma vez que ocorreu longe do estádio, isso está fora da área de ação da Uefa".

O incidente aconteceu em Paris no mesmo dia em que Arrigo Sacchi, ex-técnico da seleção da Itália, foi criticado por dizer que "há muitos jogadores de cor" nas divisões de base dos clubes italianos.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, condenou essas observações, assim como o ato dos torcedores do Chelsea. "Orgulho e dignidade não é uma questão de cor da pele. Chocado com os comentários de Arrigo Sacchi. Pare com isso", escreveu Blatter no Twitter. "Eu também condenei as ações de um pequeno grupo de torcedores do Chelsea em Paris. Não há lugar para o racismo no futebol!".

O vídeo foi filmado por Paul Nolan, um homem britânico que vive em Paris. Ele disse que o incidente ocorreu por volta das 19h30, no horário local, 1h15 antes do início da partida, que terminou empatada em 1 a 1.

"Um trem chega e eu vejo um monte de gente, muito lotado, parece haver algo acontecendo", disse Nolan à rádio BBC. "As pessoas dentro são britânicos e torcedores do Chelsea. Eles estão cantando 'Chelsea, Chelsea, Chelsea'. Antes ouvimos cânticos racistas, houve algumas menções sobre a Segunda Guerra Mundial. Eles pareciam muito agressivos".