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Estudo aponta aumento de casos de racismo no futebol da Rússia no ano da Copa

Esportes

Estudo aponta aumento de casos de racismo no futebol da Rússia no ano da Copa

No total, 19 incidentes foram identificados na temporada 2017/2018

À medida que a Rússia se preparava para receber o mundo em sua Copa, em 2018, observadores registraram uma alta no número de incidentes racistas e homofóbicos no futebol do país anfitrião do principal torneio do futebol.

Um estudo publicado nesta quarta-feira pelas entidades Fare Network e Sova Center indicam que, ainda que a discriminação de uma forma geral tenha dado sinais de queda, os casos de racismo registraram elevação em 2018. No total, 19 incidentes foram identificados na temporada 2017/2018. Em 2016/2017, apenas dois casos tinham sido registrados, contra dez entre 2015 e 2016.

As entidades são parceiras da Fifa e da Uefa no monitoramento do racismo no futebol. Mas criticaram os organizadores da Copa por terem "perdido a oportunidade" de mudar a cultura do futebol na Rússia.

A xenofobia da torcida russa foi sempre um elemento de preocupação entre os organizadores da Fifa. Mas, para os dirigentes de Moscou, esse problema não existiria e não seria diferente do que já é a realidade em outros países europeus. Agora, porém, o levantamento aponta para o fato de que esse comportamento parece ser cada vez mais comum nas arquibancadas.

Um dos casos mais emblemáticos envolveu o goleiro Guilherme Marinato. Nascido no Brasil e naturalizado russo, ele foi alvo em duas ocasiões de gritos imitando macaco enquanto jogava pelo Lokomotiv Moscou, contra o Spartak Moscou. "Banana, banana. Por que diabos a seleção russa precisa de um macaco?", atacaram os torcedores.

Guilherme chegou a participar da Copa das Confederações, pela seleção russa em 2017. Ele ainda foi o primeiro jogador fora dos territórios da ex-União Soviética a defender a seleção do país.

Em março, os jogadores da seleção francesa também foram alvos de ataques racistas e sons que imitavam macacos durante amistoso contra a Rússia. A federação russa acabou sendo multada em US$ 30 mil(cerca de R$ 110 mil, na cotação atual) pela Fifa.

O levantamento também aponta para o caso das ofensas recebidas pelo jogador do grupo sub-23 do Liverpool, Bobby Adekanye, o que levou a seleção inglesa a preparar seus jogadores para eventuais atos de racismo durante a Copa.

Os casos não se limitam ao campo. De acordo com a Fare, uma autoridade russa declarou à imprensa local que seu clube de Vladivostok se recusaria a contratar jogadores negros.

O que os especialistas tem identificado é uma migração do comportamento das torcidas, abandonando posições políticas de extrema-direita ou neonazistas, para ataques racistas. para Piara Powar, diretor-executivo da entidade de monitoramento, cartazes nos estádios com símbolos políticos eram de fácil identificação, o que levou essas alas das torcidas a abandonar essa estratégia e se focar em ataques racistas.

"Muitos clubes passaram a monitorar o que existia nas arquibancadas em termos de cartazes", disse. "Mas cantar hinos racistas ou fazer ataques desse gênero contra jogadores é algo mais difícil de ser identificado pela polícia", argumentou.

O resultado da pesquisa apontou que, no total, 80 incidentes de discriminação foram registrados na temporada 2017/2018, o menor numero desde 2014. No lugar de imagens explícitas da extrema-direita, torcedores passaram a usar mensagens codificadas ou cantos e símbolos vikings. Desse total, 12 casos se referem a ataques homofóbicos, algo considerado como uma novidade nos estádios russos.

Ainda assim, 51 casos foram registrados na atual temporada com um forte caráter de extrema-direita. Em novembro, a torcida do Zenit, de São Petersburgo, abriu um cartaz em homenagem a Ratko Mladic, comandante na ex-Iugoslávia e condenado por crimes de guerra. A Uefa acabou multando o time e fechando parcialmente o estádio.