ONU reconhece autonomia do esporte e COI comemora

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ONU reconhece autonomia do esporte e COI comemora

Redação Folha Vitória

Lausanne - Em um momento em que as tensões entre Rússia e o mundo ocidental voltam a se acirrar, a ONU agiu para tentar evitar a possibilidade de boicotes como os vistos nos Jogos Olímpicos de 1980 e 1984, no auge da Guerra Fria. Em resolução da sua 69.ª Assembleia Geral, reconheceu a autonomia do esporte e do COI (Comitê Olímpico Internacional).

O documento, divulgado na última sexta-feira, afirma que a Assembleia Geral "apoia a independência e autonomia do esporte, bem como a missão do COI na liderança do Movimento Olímpico". O tema havia sido levantado pelo presidente do COI, Thomas Bach, na Assembleia Geral do ano passado. "Para aplicar esta lei universal em todo o mundo, o esporte tem para desfrutar de autonomia responsável. A política deve respeitar essa autonomia esportiva."

Agora, a resolução reconhece o esporte como um meio de promover a educação, a saúde, o desenvolvimento e a paz. "Os grandes eventos esportivos internacionais devem ser organizados em um espírito de paz, compreensão mútua, a amizade, a tolerância e não discriminação de qualquer tipo. A unificação e a natureza conciliatória de tais eventos devem ser respeitados."

O efeito prático da resolução é que a ONU passa a garantir aos comitês olímpicos nacionais autonomia na relação com os governos locais. A medida é um incentivo para que não se repitam boicotes como os que marcaram os Jogos Olímpicos de Verão entre 1976 e 1988.

"Damos muito boas vindas a esta resolução como um marco histórico nas relações entre esporte e política. Temos de formar parcerias com organizações políticas baseadas neste reconhecimento da autonomia do esporte. As excelentes relações entre as Nações Unidas e o COI pode, neste contexto, servir de exemplo para as relações a nível nacional entre os Comitês Olímpicos Nacionais e os governos nacionais. Este relacionamento com os governos requer que o esporte permaneça sempre politicamente neutro", disse Bach, nesta segunda-feira.

A primeiro grande boicote olímpico aconteceu em Montreal/1976, quando 26 países africanos deixaram de ir ao Canadá em reposta à não punição à Nova Zelândia, que desrespeitou acordo internacional e disputou partida amistosa contra a boicotada África do Sul durante o Apartheid.

Em 1980, o maior boicote da história dos Jogos Olímpicos tirou os EUA e mais de 60 aliados dos Jogos de Moscou, em retaliação à invasão soviética sobre o Afeganistão. A resposta veio quatro anos depois, com a União Soviética e mais de 14 países do bloco deixando de ir a Los Angeles.

Por fim, em 1988 o boicote foi da Coreia do Norte, que rejeitou competir na Coreia do Sul, contra quem ainda estava formalmente em estado de guerra. Outros seis países, com destaque para a aliada Cuba, seguiram os norte-coreanos.