Atlético de Madrid proíbe 'ultras' que mataram torcedor

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Atlético de Madrid proíbe 'ultras' que mataram torcedor

Redação Folha Vitória

Madri - Dois dias depois da morte de um torcedor hooligan do Deportivo La Coruña nas imediações do Estádio Vicente Calderón, na capital espanhola, o Atlético de Madrid anunciou uma série de medidas contra os "ultra" (torcedores radicais) do seu clube, que são acusados pelo ataque que matou Francisco José Romero Taboada, Jimmy, como era conhecido o galiciano do grupo de extrema esquerda Riazor Blues.

De acordo com o Atlético de Madrid, das 21 pessoas que estão presas, 15 delas se dizem torcedores do clube, oito eram sócios e estão expulsos dos quadros associativos. Todos os 15 estão proibidos por toda a vida de se associarem.

A Frente Atlético, torcida de extrema direita, também deixa de ser uma torcida oficial do Atlético - o que tem forte impacto financeiro e organizacional sobre ela. "O clube fará de tudo que estiver ao seu alcance para impedir a exibição no interior do seu estádio de qualquer elemento que identifique o grupo", prometeu a diretoria, que pediu auxilio do governo, da imprensa, da polícia e de torcedores para identificar o grupo.

O Atlético, porém, ressaltou que a dissolução da Frente Atlético como associação privada não é competência do clube. A diretoria assegura que perseguirá qualquer outro grupo, com qualquer outro nome, que não condene radicalmente a violência e utilize o nome do Atlético ou suas instalações para defender ideia políticas, racistas ou xenofóbicas.

Até o final da temporada, os torcedores que têm ingresso anual para frequentar o setor em que a Frente Atlético se posicionava continuarão a poder frequentá-lo. Para a próxima temporada, porém, haverá uma revisão neste procedimento.

MORTE - De acordo com o jornal Marca, o primeiro combate entre os anarquistas do Riazor Blues e os neonazistas da Frente Atlético aconteceram em La Coruña, na comemoração dos atleticanos pelo título espanhol do ano passado. Uma vingança foi prometida e colocada em prática no domingo, antes do confronto entre os dois times em Madri. A polícia, porém, não identificou o risco de brigas e não armou um esquema especial.

Ainda segundo o Marca, as duas torcidas se posicionaram frente a frente, por volta das 8h30 da manhã de domingo, usando roupas pretas, sem símbolos que as identificasse. A polícia recebeu o primeiro chamado citando mais de 200 pessoas com paus, pedras e barras de ferro às 8h47. Só 23 minutos e 26 chamadas depois, porém, o policiamento chegou ao local do conflito, nas imediações do estádio, onde o jogo teria início às 12h.

Jimmy morreu depois de ser jogado em um rio e esperar por socorro por cerca de meia hora. Ele faleceu por conta de um forte choque cranioencefálico e afogado, segundo revelou a autópsia. O torcedor foi diversas vezes golpeado antes de cair na água. O polícia já tem conhecimento que ultras de outros clubes participaram da briga, dos dois lados.