Lenda do surfe, Slater não acredita no bicampeonato mundial de Medina

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Lenda do surfe, Slater não acredita no bicampeonato mundial de Medina

Com 11 títulos mundiais no currículo, o norte-americano reconhece que não fez uma boa temporada, mas quem pensa que o veterano de 43 anos vai jogar a toalha está muito enganado

Redação Folha Vitória
Surfista não acredita em possível vitória de Medina Foto: Reprodução/Instagram

Havaí - Kelly Slater é considerado o maior surfista de todos os tempos e um dos maiores atletas da história. Com 11 títulos mundiais no currículo, o norte-americano reconhece que não fez uma boa temporada, mas quem pensa que o veterano de 43 anos vai jogar a toalha está muito enganado. Nesta entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira, Slater fala sobre suas pretensões para o próximo ano, confessa que vai torcer para o australiano Mick Fanning ficar com o título mundial e garante que pode vencer seu oitavo título no Pipe Masters, no Havaí, na última etapa do Circuito Mundial.

Essa é a primeira vez em muitos anos que você chega para o Pipe Masters fora da disputa pelo título. É estranho?

Para ser sincero, não me importo com isso. Eu estou até feliz por não ter uma pressão em cima de mim. Claro que gostaria de ter chances de conquistar mais um título, mas sei que não surfei no nível que deveria para chegar ao Havaí com pretensões. No ano passado, sei que não surfei bem também e ainda assim cheguei aqui com chances de título. Eu sinto que se conseguir um bom ano novamente, me concentrando no meu surfe e nas competições, eu provavelmente poderei ser campeão mais uma vez.

Você é o surfista com mais vitórias no Circuito Mundial, mas agora está há dois anos sem vencer uma etapa...

Calma, ainda tenho uma semana pela frente aqui em Pipe.

De qualquer forma, qual a sensação de ter um jejum de vitórias tão grande?

Eu não sinto falta dessa maneira. Claro que é estranho para mim ficar tanto tempo sem vencer, ainda mais porque eu ganhei muitas etapas e isso fica na lembrança, todo momento vem à mente. Mas estou confortável, não tenho de ficar preocupado com isso. Eu tive muitas baterias em que acho que me faltou um pouco de energia, às vezes as ondas não vieram, acho que no geral tive momentos difíceis. Nos últimos dois anos, acho que talvez não tenha tomado as decisões corretas.

Como você se sente em relação a essa temporada?

Eu realmente não tive um bom ano. Perdi muitas baterias que provavelmente deveria ter vencido, no geral acho que não tive a motivação e a inspiração que precisava. Não foi uma boa temporada, tive de lutar contra algumas contusões, tive problemas com meu corpo, mas o grande negócio é o aspecto mental, de desejo.

O que você pretende fazer para manter a motivação?

Eu estive ocupado com muito trabalho, mas agora acho que as coisas estão se acalmando um pouco. Estou conseguindo ter boas pranchas para usar e quero aproveitar os próximos meses para colocar meu corpo em forma novamente.

Você pretende competir no próximo ano?

Nesse momento, pretendo competir sim. Mas vamos ver.

Quem você acha que será o campeão mundial de 2015?

Acho que as chances estão com o Mick (Fanning). Ele é bom aqui em Pipeline e sabe o que precisa fazer para vencer. É óbvio que o Medina tem uma chance, mas se o Mick avançar mais duas baterias, ele já elimina o Gabriel da disputa, e aí a pressão vai ficar em cima de Filipe (Toledo) e Adriano (de Souza). Acho que apostaria meu dinheiro no Mick.

É um rival difícil de enfrentar?

Eu gostaria que o Mick vencesse. Eu até falei isso para ele no início da temporada, que achava que ele conquistaria o título mundial nesse ano. Na primeira vez em que ele foi campeão mundial, senti isso, e agora senti novamente. Depois aconteceu o ataque do tubarão, quando por uma semana ele se tornou a pessoa mais conhecida do mundo, e acho que seria legal uma vitória para ele. Claro que seria legal um título para qualquer um, mas ele deu a volta por cima e seria bom coroar o trabalho com o troféu.

Além dos três brasileiros que estão disputando o título, o País ainda mostrou Italo Ferreira, que ganhou o prêmio de estreante do ano no Circuito Mundial. O que dá para falar desse surfista?

Eu acho que ele chocou as pessoas porque elas não o conheciam tão bem, principalmente as pessoas fora do Brasil. O que posso dizer é que ele é muito bom, em qualquer condição de mar. Ele tem força para ondas grandes, dá aéreos em ondas menores, ele é muito competitivo.