O goleiro Bruno Fernandes, ex-Flamengo, anunciado como reforço do Capixaba Sport Club para o Capixabão 2026, anunciou nesta sexta-feira (23) ter sido demitido do clube do Espírito Santo.

De acordo com ele, a demissão aconteceu por meio de mensagens enviadas pelo Whatsapp, após ter cobrado melhores condições de alojamento para os atletas do clube e pagamento de salários atrasados, junto ao presidente do time.

O anúncio foi feito pelo próprio goleiro por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais.

Bruno Fernandes, goleiro. Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Fui fazer uma cobrança ao presidente, de forma amigável, antes que saia uma notícia dizendo que o Bruno foi dispensado, a verdade é que eu não fui dispensado, eu fui mandado embora por cobrar o certo: uma melhoria para os atletas, salários atrasados, uma estrutura melhor para os atletas, que merecem condições melhores de trabalho. O que ele fez? Digitou uma mensagem no Whatsapp e me mandou embora”, disse.

O goleiro, condenado em 2013 pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, ocorrido em 2010, e que está em liberdade condicional desde 2023, agradeceu à equipe e à comissão técnica do clube e afirmou sair de cabeça erguida e que não compactua com “vagabundagem e pilantragem“.

Alojamento precário

Em vídeos publicados, o goleiro mostrou o alojamento onde o elenco do clube está concentrado. Na geladeira, pouca comida e que, segundo ele, não seria suficiente para alimentar os mais de 20 atletas concentrados.

Na geladeira havia frutas que, segundo Bruno e demais atletas, teriam sobrado da partida contra o Forte, na última quarta-feira (21), quando o Capixaba venceu por 2×0, segunda partida de Bruno no clube.

“Estou mostrando um pouco da realidade do clube, para quando as pessoas falarem m…, cobrando desses caras, que estão sendo heróis dentro de campo, estão fazendo uma campanha sensacional no campeonato, sem estrutura e detalhe: salários atrasados. O que foi combinado, nada foi cumprido até agora pela diretoria, pelo presidente”, afirmou.

Falta de camas

Bruno também filmou um dos quartos onde ficam os atletas concentrados. No local havia apenas uma cama e vários colchões espalhados pelo chão. Também não havia armários e roupas e itens pessoais dos atletas ficavam em cima de cadeiras ou dentro de malas.

“Ainda tem uma cama montada aqui, mas os outros atletas ficam no chão. Eu não sei no resto do Brasil, mas é uma covardia o que estão fazendo com esses atletas. Esses meninos precisam de um pouco mais dignidade, precisam do mínimo”, afirmou.

Ao fim do vídeo foi publicada uma captura de tela que mostra uma conversa de WhatsApp. Na imagem, uma pessoa alerta outras “Tropa que está vindo do treino, já se prepare para comprar algo, porque está sem janta. Sem arroz, feijão, macarrão e carne”.

A reportagem entrou em contato com o presidente do Capixaba Sport Club, Daniel Costa, por ligação telefônica. Até o momento, sem resposta. O espaço continua aberto e a matéria será atualizada assim que houver retorno.

A Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (FES) também foi procurada para comentar o caso e informou que nenhuma denúncia formal foi feita junto à FES.

Apesar disso, a federação informou que é totalmente contra o não respeito das regras de contratação e não valorização dos atletas.

Guilherme Lage, repórter do Folha Vitória
Guilherme Lage

Repórter

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.