
O Governo do Espírito Santo lançou ontem (27) o Fundo de Descarbonização do Estado, voltado a apoiar projetos empresariais alinhados à transição energética e à redução de emissões de gases de efeito estufa. A agropecuária está entre os segmentos que poderão acessar a linha de recursos, que somam quase R$ 1 bilhão.
A gestão ficará a cargo do BTG Pactual, vencedor da licitação conduzida pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) em 2025. Do total, R$ 500 milhões são provenientes do Fundo Soberano, formado por receitas de petróleo e gás, e outros R$ 400 milhões são aportados com a entrada do BTG. O fundo permanece aberto à captação de novos investidores.
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Serão apoiados empreendimentos voltados à descarbonização, especialmente nos seguintes eixos:
- Geração de energia renovável (solar, eólica, biogás e biometano);
- Tecnologias limpas aplicadas à produção industrial;
- Eficiência energética e eletrificação de cadeias logísticas;
- Reflorestamento e restauração ambiental;
- Práticas agrícolas sustentáveis e agricultura regenerativa;
- Produção e uso de biocombustíveis e combustíveis alternativos;
- Transportes de baixa emissão, incluindo eletrificação de frotas;
- Gestão de resíduos, com valorização energética, biogás e reciclagem.
Os ativos financiáveis deverão ser emitidos por empresas que atuem na implantação, ampliação, modernização ou recuperação de projetos que contribuam para a descarbonização da economia capixaba nos setores de energia, indústria, agricultura e agropecuária, florestas e uso do solo (AFOLU), transportes, resíduos e serviços. O fundo proíbe a concentração de recursos em um único setor.
Segundo o sócio da BTG Pactual Asset Management, Sergio Cutolo, o mecanismo combina governança pública e capital privado para acelerar a transição energética.
“O Fundo de Descarbonização do Espírito Santo representa um avanço relevante na forma como políticas públicas e capital privado podem atuar de maneira complementar para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Ao unir uma governança robusta, critérios técnicos rigorosos e uma estrutura de blended finance, a parceria com o Bandes cria um instrumento capaz de transformar metas climáticas em investimentos concretos, com impacto econômico, ambiental e social para o estado”.
As empresas apoiadas deverão estar em conformidade com normas de saúde, meio ambiente e segurança do trabalho, e adimplentes com a União (inclusive FGTS), o estado e entidades da administração pública estadual, mediante comprovação documental.
A escolha da BTG Pactual Asset Management ocorreu após chamada pública que recebeu 11 propostas de todo o País. A gestora será responsável pelo atendimento às empresas e avaliação dos projetos, que deverão estar alinhados ao Plano de Descarbonização do Espírito Santo e direcionados a setores estratégicos como energias renováveis, reflorestamento, agricultura sustentável, eficiência energética, eletrificação, biocombustíveis e transportes de baixa emissão.
O governador Renato Casagrande destacou que o fundo reforça uma agenda climática iniciada há mais de uma década no estado, com programas como o Reflorestar (2011), o avanço no Cadastro Ambiental Rural e o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas.
“Temos tratado a agenda climática no Espírito Santo com ações concretas há muitos anos. Implantamos políticas de reflorestamento, controle ambiental por georreferenciamento, uso de energia renovável na estrutura do Governo e incentivo a práticas sustentáveis. Agora damos um passo ainda mais decisivo ao criar um fundo que transforma recursos provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. É assim que unimos desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e qualidade de vida para as próximas gerações”, pontuou.