
As exportações brasileiras de mamão mantiveram ritmo forte nos primeiros onze meses de 2025. Entre janeiro e novembro, o volume embarcado alcançou 50,2 mil toneladas, com faturamento de US$ 68 milhões, o que representa crescimento anual de 28,5% em valor.
A Europa segue como principal destino da fruta brasileira, com destaque para Portugal (31%), Espanha (16%), Reino Unido (12%) e Países Baixos (7%). Espírito Santo e Rio Grande do Norte lideram entre os estados exportadores.
A expectativa é de continuidade das vendas aquecidas nos próximos meses, sustentadas pela demanda externa, principalmente europeia. No entanto, o volume exportado depende diretamente da oferta de mamões de boa qualidade, que pode ser afetada por condições climáticas adversas.
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Embarques do ES somaram 20,1 mil toneladas entre janeiro e novembro, com faturamento de US$ 29,3 milhões
No Espírito Santo, principal produtor e exportador do país, os embarques somaram 20,1 mil toneladas de janeiro a novembro de 2025, com faturamento de US$ 29,3 milhões. No mesmo período de 2024, o estado havia exportado 17,7 mil toneladas, gerando US$ 25,8 milhões.
Com isso, o estado registrou crescimento de aproximadamente 13,6% no volume exportado e alta de 13,7% na receita, reforçando a importância do mamão na pauta do agronegócio capixaba.
No mercado interno, os preços do mamão subiram na maior parte das Ceasas, com alta média ponderada de 6,55%. Os maiores avanços foram registrados na Ceagesp (São Paulo), com aumento de 23,44%, na Ceasa/ES (Vitória), com 30,87%, e na Ceasa/SC (São José), com 18,52%. Em sentido oposto, houve queda de 9,25% na Ceasa/PE (Recife).
Apesar da valorização, a quantidade comercializada recuou na maioria dos entrepostos atacadistas, especialmente na Ceagesp (-12%), Ceasa/SP Campinas (-22%) e Ceasa/RJ Rio de Janeiro (-22%).
Em novembro, o cenário foi marcado por elevação de preços e retração na oferta, sobretudo nos entrepostos de São Paulo e Vitória, que recebem grande parte da produção capixaba. A queda na disponibilidade está associada à desaceleração da produção, principalmente no norte do Espírito Santo.
As condições climáticas também comprometeram a qualidade dos frutos, com aumento da incidência de doenças fúngicas, levando ao descarte de parte da produção. Esse fator contribuiu para uma demanda mais cautelosa, com consumidores mais seletivos na escolha da fruta.
Entre as variedades analisadas, o mamão formosa apresentou maior redução de oferta e elevação de preços, por ter sido menos afetado pelas doenças na casca. Já o mamão papaya sofreu impacto maior das doenças fúngicas, mantendo oferta levemente superior à da variedade formosa.
No abastecimento das Ceasas, as praças baianas e capixabas lideraram os carregamentos. A Bahia respondeu por 13,57 mil toneladas, volume estável em relação a outubro, enquanto o Espírito Santo comercializou 9,74 mil toneladas, queda de 23,06% na comparação mensal. No total, foram negociadas 30,98 mil toneladas, retração de 10,3% frente a outubro de 2025.
Na primeira quinzena de dezembro, os preços do mamão formosa ficaram estáveis ou em alta, com destaque para Curitiba (25,15%) e Rio de Janeiro (40%). Para o mamão papaya, o movimento também foi de estabilidade ou alta, especialmente na Ceagesp (11,6%) e na CeasaMinas (14,4%).
Segundo o Inmet, a previsão indica chuvas dentro ou acima da média e temperaturas elevadas no trimestre dezembro/janeiro/fevereiro. O cenário pode favorecer o amadurecimento da fruta, mas chuvas excessivas tendem a elevar custos, dificultar a logística e aumentar a incidência de doenças, impactando produtividade e qualidade.