
A Fucape Business School inicia uma nova fase em sua trajetória com a mudança no comando da instituição. Após 25 anos à frente da faculdade que fundou, Valcemiro Nossa deixa o cargo de CEO e passa a assumir a presidência da Fundação Fucape, reforçando seu papel estratégico e institucional.
Para liderar a próxima etapa, a Fucape nomeou Carlos Nossa como novo CEO. Com trajetória construída no mercado de consultoria, finanças e tecnologia, e participação direta no recente processo de reestruturação da escola, Neris assume a missão de consolidar o reposicionamento da instituição, aprofundar a conexão com o mercado e preparar a Fucape para um ciclo de expansão nacional e ambição global.
Veja os planos da Fucape nesta nova fase a seguir.
Mundo Business: Quando surgiu o convite para participar do projeto da Fucape?
Carlos Nossa: As conversas começaram em dezembro de 2023, com o Fernando Cinelli [presidente da Apex, acionista da Fucape] e o Valcemiro [Nossa, então CEO da Fucape]. Eles apresentaram um plano de reestruturação da Fucape.
A ideia central era fazer uma gestão baseada em caixa, garantindo sustentabilidade financeira sem abrir mão da excelência acadêmica. O objetivo era gerar recursos suficientes para “virar a página” e preparar a instituição para uma nova etapa da sua jornada.
Inicialmente, vim como um consultor não remunerado. Participei de comitês, discussões estratégicas e do desenho das primeiras diretrizes junto à liderança. Entre março e abril de 2024, negociamos minha entrada formal como diretor de Inovação.
Mundo Business: Qual foi o seu papel como Diretor de Inovação?
Carlos Nossa: Não era apenas inovação em produto. A proposta era inovar a Fucape como um todo: sala de aula, back-office, experiência do aluno e modelo de gestão. Vim com a missão de oxigenar a instituição e estruturar o plano de transição.
Nesse período, desligamos produtos que não eram rentáveis e os substituímos por outros com maior demanda. Um exemplo foi o encerramento dos MBAs tradicionais e a criação do MBex. Também retomamos e ampliamos os cursos executivos, focados em alto valor agregado.
Mundo Business: Como foi conduzida a transição de liderança?
Carlos Nossa: Desde 2023, a sucessão já estava no radar. Em 2025, aceleramos o processo. No primeiro semestre, acompanhei de perto o Valcemiro [Nossa, CEO da Fucape]; no segundo, atuei praticamente como co-CEO, enquanto ele se dedicava mais à fundação.

Mundo Business: Quais são os principais pilares estratégicos para os próximos anos?
Carlos Nossa: São quatro pilares. O primeiro é a excelência acadêmica aplicada. Sempre tivemos forte produção científica, e agora o foco é fazer com que esse conhecimento seja efetivamente utilizado em sala de aula e pelas empresas.
O segundo é a conexão com o mercado. Acreditamos que a melhor formação em negócios acontece quando o aluno toma decisões reais e vê suas consequências. Já vínhamos testando desafios de mercado em algumas disciplinas, e agora isso será estruturado de forma institucional.
O terceiro é a jornada do aluno. Queremos uma jornada única e mais personalizada. Além dos eixos acadêmicos tradicionais, administração, economia, contabilidade, direito e ciência de dados, estamos criando um eixo profissional, no qual o aluno pode experimentar o dia a dia do mercado em diferentes áreas.
O quarto é a construção de uma reputação nacional ainda mais forte, baseada em reconhecimento espontâneo. Isso envolve aumentar a proporção de inscritos de fora da Grande Vitória e ampliar a demanda natural do mercado por talentos formados na Fucape.
Mundo Business: Quais são os principais objetivos da Fucape daqui para a frente?
Carlos Nossa: Até 2027, o foco é estruturar e consolidar o modelo. A partir de 2028, começa a fase de escala, com personalização em massa da graduação, forte conexão com o mercado e uso de material proprietário e aplicado em sala de aula.
Nos próximos dois anos, a instituição ajusta padrões acadêmicos e a experiência do aluno para, então, se posicionar nacionalmente. O plano de cinco anos mira a competitividade global, com a busca da certificação internacional AACSB (Association to Advance Collegiate Schools of Business) a partir de 2026, cujo objetivo é concluir até 2030.