Plantação de mamão no Espírito Santo (ES)
Plantação de mamão no Espírito Santo (ES)

O Espírito Santo encerrou 2025 com um resultado histórico nas exportações de mamão, alcançando o maior faturamento já registrado. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o estado exportou 22,1 mil toneladas da fruta e gerou US$ 32,3 milhões em receita. Em comparação com 2024, quando foram embarcadas 19,4 mil toneladas e faturados US$ 28,2 milhões, o crescimento foi de 13,9% em volume e de 14,2% no valor comercializado, reforçando a recuperação da cadeia produtiva e o protagonismo capixaba no comércio internacional de frutas.

Apesar de não ter superado o recorde de volume de 2003, quando o Espírito Santo exportou 27,4 mil toneladas, o faturamento de 2025 foi o maior da série histórica.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), José Roberto Macedo Fontes, o cenário se explica pelo aumento dos custos e, consequentemente, do valor agregado. 

“O aumento nos valores exportados acontece também por causa da alta de custos. Então, o valor agregado do produto aumentou bastante. Por isso temos visto recordes de faturamento, mesmo quando o volume está equivalente ou um pouco menor”, afirma.

Os principais destinos do mamão capixaba em 2025 foram países europeus e os Estados Unidos, com destaque para Portugal (5,5 mil toneladas), Espanha (2,81 mil t), Reino Unido (2,69 mil t), Alemanha (1,63 mil t), Países Baixos (2,61 mil t) e também o mercado norte-americano (2,74 mil t), que segue sendo atendido exclusivamente pelo Espírito Santo entre os estados brasileiros. 

Segundo José Roberto, a predominância europeia se mantém há anos. “A União Europeia é o principal comprador do mamão brasileiro. Portugal, Espanha, Reino Unido e Alemanha são mercados tradicionais, muito importantes para o setor”, explica. Além da Europa e dos EUA, o Brasil também enviou mamão para outras regiões, atingindo mais de 90 países ao longo do ano.

No contexto nacional, as exportações brasileiras de mamão totalizaram 55,16 mil toneladas em 2025, consolidando o país entre os principais fornecedores mundiais da fruta. O Espírito Santo se manteve como maior exportador brasileiro e referência em qualidade, tecnologia de produção e pós-colheita.

Outro ponto destacado por José Roberto é a melhoria do padrão dos frutos colhidos em 2025. Segundo ele, houve renovação de áreas e aumento de produtividade

“Em 2025 tivemos um aumento de produtividade, não só por áreas novas, mas porque no início da colheita os frutos são mais limpos e com menos defeitos. Isso gera maior aproveitamento para exportação”, explica. Mesmo com as chuvas que podem comprometer a qualidade em determinados períodos, o dirigente afirma que o impacto é controlado. “Mesmo quando a qualidade cai por causa das chuvas, conseguimos selecionar bem, porque exportamos um percentual pequeno do que é produzido. Então o padrão de exportação se mantém”, detalha.

A trajetória do mamão capixaba nas exportações também tem relação com a logística. Entre o início dos anos 2000 e a última década, houve queda significativa no volume embarcado, mas não por falta de demanda. “No início dos anos 2000 fazíamos exportação marítima, o que permitia maior volume. Depois perdemos essa tecnologia e ficamos praticamente só com transporte aéreo. Isso reduziu o volume, mas agregou muito valor ao produto”, destaca José Roberto. O transporte aéreo elevou o valor da fruta e consolidou a imagem do mamão capixaba como produto premium no exterior.

Para 2026, a expectativa da Brapex é de crescimento moderado. “Acreditamos que deve continuar crescendo, mas nada exponencial. Chega um momento em que há um teto de disponibilidade. Ainda existe espaço para aumentar o volume, porque o mundo está desejando os produtos brasileiros, principalmente as frutas. Mas deve ser um crescimento mais moderado”, projeta José Roberto. 

Ele também reforça o diferencial competitivo do produto capixaba. “O mamão do Espírito Santo ainda é considerado o melhor do mundo. Aqui se desenvolveu o berço do mamão de qualidade, da tecnologia e do sabor. Isso criou um marketing cultural que faz o produto ser valorizado.”

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Stefany Sampaio
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Colunista

Stefany Sampaio revela o universo do agronegócio capixaba de Norte a Sul, destacando dados, histórias inspiradoras, produtores e os principais acontecimentos do setor.

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