
A cidade de Venda Nova do Imigrante sediará mais uma edição da Festa do Tomate. A 39ª edição do evento acontece entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, no Centro de Eventos Zaudino Gagno, o Tomatão, localizado em Alto Caxixe, e reúne atrações culturais, religiosas, gastronômicas e esportivas que valorizam a produção agrícola local.
Considerada um dos principais eventos do Espírito Santo voltados à agricultura familiar, a Festa do Tomate deve receber cerca de 20 mil visitantes nos três dias de programação e movimentar R$ 1 milhão em negócios, segundo a organização.
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Para Saula Dorzenoni Cezati, representante do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Alto Caxixe, o evento reforça a identidade agrícola da região.
“A Festa do Tomate valoriza o produtor rural e a agricultura, que são a base da nossa economia local. Ela vai muito além da produção agrícola: reúne cultura, lazer e tradição. Teremos eleição da Rainha e princesas 2026, shows musicais, gastronomia típica, concurso do tomate, bingo exclusivo para produtores, além de muito trabalho e animação”.
Segundo ela, o impacto econômico da festa beneficia toda a comunidade: “Estamos preparando tudo com muito carinho para manter a tradição e valorizar nossos produtores. Esperamos receber cerca de 20 mil pessoas, o que aumenta as vendas do comércio local, hotelaria e turismo. A expectativa é movimentar cerca de R$ 1 milhão em negócios”.
A Festa do Tomate se consolidou como a maior expressão da agricultura no Espírito Santo e abre o calendário anual de eventos de Venda Nova do Imigrante. Sua origem remonta à década de 1980, quando Alto Caxixe era uma comunidade agrícola formada majoritariamente por descendentes de italianos. Aos domingos, produtores se reuniam após a missa para planejar ações comunitárias e discutir o crescimento da atividade agrícola. Em 1986, com apoio da Emater (atual Incaper) e do conselho da igreja, nasceu a festa como forma de valorização da produção e da organização social.
Com o passar dos anos, o evento ganhou força e passou a contar com o apoio de diversas instituições, entre elas o Sicoob Espírito Santo. Para Mayara Caus, diretora operacional do Sicoob Sul-Serrano, estar presente na festa é uma forma de reconhecer e valorizar a agricultura familiar.
“A Festa do Tomate representa a união, o trabalho e a identidade dos produtores que, diariamente, sustentam a força econômica da nossa região. O evento celebra uma das áreas mais relevantes na produção de tomate do país, fortalecendo a economia local e valorizando o trabalho dos agricultores familiares”, disse.

Promovida pelo Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Alto Caxixe, a festa tem como objetivos fortalecer a cultura agrícola local, incentivar o turismo, preservar tradições e estimular o espírito comunitário.
Entre as atrações estão eleição de rainha e princesas, exposições agrícolas, a tradicional “tratorada” e o Concurso de Qualidade do Tomate de Mesa, que premia os melhores frutos nas categorias Campo Aberto e Estufa, com troféus, certificados e premiação em dinheiro.
Tomate lidera geração de renda entre hortaliças no Espírito Santo
O tomate segue como a principal hortaliça da olericultura capixaba, respondendo por cerca de 18% do valor total do setor e com 159,9 mil toneladas produzidas em 2024, segundo a Secretaria da Agricultura (Seag).
Nos últimos anos, produtores têm ampliado o cultivo em estufas, especialmente na Região Serrana, o que permite maior controle de temperatura, umidade e irrigação, reduzindo perdas e aumentando a produtividade.
A colheita segue sendo predominantemente manual. Segundo Saula: “Os trabalhadores colhem os frutos no ponto ideal de maturação para garantir qualidade e durabilidade. Depois, os tomates são classificados e preparados para comercialização, seja no mercado interno ou para outros estados.”
Entre os municípios com maior produção em 2024 estão:
Afonso Cláudio – 23,4 mil toneladas (14,6% do total estadual)
Domingos Martins – 22,8 mil toneladas (14,3%)
Santa Maria de Jetibá – 19,3 mil toneladas (12,0%)
Juntos, representam 41% da produção estadual, formando uma cadeia produtiva menos concentrada e mais resiliente.
Olericultura: um setor estratégico da agropecuária capixaba
A olericultura é o segmento da horticultura dedicado exclusivamente ao cultivo de hortaliças como folhas, frutos, raízes e tubérculos. Em 2024, o setor envolveu 41 produtos, plantados em 24,6 mil hectares, com total de 975 mil toneladas produzidas e R$ 2,49 bilhões em valor de produção.
Um dado relevante é que cinco produtos concentram 66% da renda da olericultura no estado: tomate, gengibre, repolho, chuchu e inhame, estruturando arranjos produtivos regionais e especializações locais.
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