Festival da Uva e do Vinho espera reunir até 5 mil pessoas em São Bento de Urânia

O distrito de São Bento de Urânia, em Alfredo Chaves, vai sediar a 60ª edição do Festival da Uva e do Vinho nos dias 7 e 8 de março. O evento, um dos mais tradicionais do município, reúne produtores rurais, moradores e visitantes em uma programação voltada à valorização da cultura local e da agricultura familiar.

A organização estima que cerca de duas toneladas de uva sejam comercializadas durante o festival, além de vinhos artesanais produzidos por agricultores do próprio distrito e de comunidades vizinhas. A festa também contará com a Feira da Agricultura Familiar, com exposição e venda de frutas, hortaliças, doces, embutidos, artesanato, inhame e outros produtos locais.

Entre os destaques da programação estão o desfile para a escolha da Rainha do Festival, apresentações culturais, shows musicais, sorteios e atividades para toda a família ao longo dos dois dias de evento.

Realizado há seis décadas, o Festival da Uva e do Vinho integra o calendário cultural de Alfredo Chaves e contribui para o fortalecimento do turismo rural e da economia local. A realização conta com o apoio da Prefeitura de Alfredo Chaves e da Aderes.

Segundo Jandir Gratieri, um dos organizadores do festival, promover uma edição que chega aos 60 anos traz desafios e ao mesmo tempo reforça a importância da tradição para a comunidade.

“Organizar um evento com 60 anos de história é sempre um desafio. A expectativa para esta edição é receber entre 4 e 5 mil pessoas, com apresentações culturais e produtos típicos da região. Devemos comercializar cerca de duas toneladas de uvas, além de vinhos e derivados produzidos por mais de 20 agricultores locais”, afirma.

Jandir explica que o distrito vem avançando na produção vitivinícola com apoio de tecnologia e assistência técnica.

“A região tem um clima favorável para o cultivo de uvas mais tropicais, como as de mesa e para sucos. As variedades finas não encontram condições tão ideais, mas a tecnologia tem ajudado muito. Hoje, os produtores utilizam híbridos da Embrapa, poda antecipada e sistemas protegidos, o que melhora a qualidade dos frutos e reduz até 70% o uso de fungicidas, com a ajuda de bioinsumos”, destaca.

Para ele, o setor está atento às mudanças do mercado e do clima. “Os produtores estão atentos às mudanças climáticas e buscam assistência técnica e transferência de tecnologia. O consumidor mudou e quer um produto saudável, com origem e sustentabilidade. Além disso, cresce o interesse pelo turismo rural e de experiência, e isso favorece a vitivinicultura local”, acrescenta.

Jandir também aponta que há planos de modernização e expansão nos próximos anos. “Nosso objetivo, no futuro, é modernizar ainda mais o processo, ampliar a produção e fortalecer a pesquisa. Já contamos com uma unidade de observação de uvas, trabalhando variedades como Bordô, Isabel Precoce e Moscatel, e mantemos parcerias com instituições como Embrapa, Aderes, Prefeitura e Governo do estado”, conclui.

Iniciativa aposta no cultivo de uvas de inverno e na dupla poda

Um outro projeto envolvendo o cultivo de uvas vem chamando atenção no Espírito Santo. Trata-se de uma iniciativa do Sebrae/ES para estimular a produção de uvas de inverno destinadas à elaboração de vinhos finos, com capacidade de transformar o cenário vitivinícola e turístico do estado.

Essa é a proposta do Projeto Vines, uma iniciativa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e instituições como o Incaper. O programa aposta no cultivo de uvas de inverno com identidade, técnica e potencial para posicionar o Espírito Santo entre os polos produtores de vinhos finos no Brasil.

Lançado em outubro de 2025, o Projeto Vines surge como um movimento estratégico para fortalecer a produção de uvas e vinhos finos capixabas, impulsionar o turismo enogastronômico e fomentar o desenvolvimento sustentável das regiões produtoras.

A técnica utilizada é a dupla poda, que já se tornou realidade no Espírito Santo. O sistema induz o ciclo produtivo da videira para o outono-inverno, período mais seco e ameno. Essa prática garante maior sanidade dos cachos, melhor concentração de açúcares, compostos fenólicos e aromáticos, resultando em vinhos de mais qualidade e tipicidade.

Stefany Sampaio
Stefany Sampaio

Colunista

Stefany Sampaio revela o universo do agronegócio capixaba de Norte a Sul, destacando dados, histórias inspiradoras, produtores e os principais acontecimentos do setor.

Stefany Sampaio revela o universo do agronegócio capixaba de Norte a Sul, destacando dados, histórias inspiradoras, produtores e os principais acontecimentos do setor.