Excelente notícia para o Espírito Santo. Como veiculado em mídia nacional, a montadora chinesa GWM assinou acordo com o Governo do Espírito Santo para viabilizar uma unidade de montagem de veículos no estado. Mais precisamente no município de Aracruz.
O anúncio do acordo, que contou com a presença do CEO da GWM Internacional, foi feito pelo vice-governador Ricardo Ferraço, diretamente de Boading, na China, onde a empresa tem sua base central de operações. Trata-se da maior empresa de capital privado da China no mercado automobilístico.
A GWM já dispõe de uma planta de montagem no município paulista de Iracemápolis, em instalações compradas da Mercedes-Benz. No entanto, por questões de limitações para expansões futuras de capacidade tem motivado a empresa a buscar localizações alternativas. E é onde aparece o Espírito Santo, nem tanto por acaso, já que as importações de seus veículos são feitas por aqui.
A planta paulista teria capacidade de 50 mil veículos ano. Bem aquém do que projeta a empresa para os próximos anos no seu plano de expansão. Assim, a estratégia é chegar em 2032 com a produção entre 250 e 300 mil veículos ano, com investimentos que deverão chegar à cifra de R$ 10 bilhões.
A escolha do Espírito Santo e especificamente Aracruz deve-se a determinados fatores de atração. A começar pela posição geográfica considerada estratégica para atender maior parcela do mercado interno e ao mesmo tempo conectar-se ao mercado externo, seja em termos de acionamento de cadeias de suprimentos ou mesmo de acessibilidade a mercados mais próximos, tipo “nearshoring”.
Mas, são fatores e condicionantes locais a entrar também com pesos razoáveis na decisão de localização. E nesse aspecto o município de Aracruz e seu entorno concentra a maior parte destes que no conjunto lhe faculta atrair, em vantagem relativa, ou seja, com maior competitividade, empreendimentos de dimensões e complexidade como de uma montadora automobilística.
Refiro-me assim à oferta de um complexo portuário de múltiplo uso, com Portocel e VPorts e brevemente o porto da Imetame que terá capacidade para operar ampla diversidade de carga; mas, sobretudo cargas dispostas em contêineres. Em nova modelagem, poderá combinar carregamentos transoceânicos, representados por navios de maior porte, com transbordo para navios de cabotagem.
Além de poder contar com infraestrutura rodoferroviária, aérea, industrial e de serviços. Ou seja, a BWM encontrará ali uma plataforma logística, um “hub” de serviços e de infraestrutura, que facilitarão suas operações. Adicionalmente poderá contar com incentivos fiscais, como Sudene, ou mesmo valer-se de condições favoráveis oferecidas pela existência de uma ZPE – Zona de processamento de exportações.
Se na década de setenta a economia capixaba ganhou escalabilidade nacional e global tendo com símbolo o porto de Tubarão, seu complexo no entorno e grandes projetos que dali derivaram ou foram atraídos, a vinda da BWM poderá se transformar no motor da escalabilidade para a sofisticação e complexidade econômica. Bem no mote do que propõe o Plano de Desenvolvimento ES 500 anos.
Mas, tudo isso, e sem dúvida, porque o Espírito Santo é o estado brasileiro que dá certo. É este o maior ativo. Um legado a não se perder.