
De uma maneira geral o ano de 2025 foi um ano de superação de expectativas. A despeito de circunstâncias e turbulências, tarifaço e conflitos no âmbito externo, instabilidades na política e na gestão orçamentária e fiscal internas, o mundo dos negócios avançou razoavelmente. Além do que se esperaria, no mundo, no Brasil e melhor ainda no Espírito Santo. Resta-nos saber se a resiliência no mundo business, demonstrada até então, persistirá em 2026.
Em relação à economia capixaba não tenho dúvida em afirmar que sim. E são várias as razões para esse enfático sim. E a principal dessas razões está na sólida ancoragem em ambiente interno de previsibilidade, condição essencial para os negócios e a sociedade prosperarem.
Essa previsibilidade, atributo interno precioso, tem sustentação em vários pilares, com destaque para a governança, planejamento e gestão pública, equilíbrio e sustentabilidade fiscal, capacidade de poupança e investimentos. Aliás, como tenho afirmado no artigo anterior.
Evidências dessa previsibilidade são muitas. A começar por investimentos previstos no orçamento da administração estadual no valor de 4,3 bilhões de reais. A estes se somam uma série de investimentos públicos e privados, que segundo dados do IJSN montam cerca de 137 bilhões nos próximos 5 anos, dos quais parcelas destes já em curso: BR 101, portos, rodovias, energia, indústrias, saneamento básico e outros mais.
Trata-se de um diferencial robusto em relação a outros estados. Tais investimentos funcionam como ativadores de várias cadeias de suprimentos de bens e serviços locais, gerando impactos diretos, indiretos e induzidos em termos de empregos, renda e produção de riquezas novas.
No entanto, não podemos perder de vista que a economia capixaba é uma economia de portas e janelas abertas para além de suas fronteiras. E isso, para o bem ou para o mal. Ou seja, somos extremamente sensíveis às commodities, especialmente extrativas minerais – aço, aglomerados de ferro e petróleo -, celulose e café. Mas também, pelo lado da abertura interna em relação ao demais estados, dependemos fortemente da economia nacional.
Se no cenário nacional a previsão é de que a economia cresça 1,8%, seria razoável supormos que parcela da nossa economia atrelada ao ciclo interno não ficaria longe desse patamar. Abarcaria algo no entorno de 57% do PIB. O diferencial que nos ajudaria a crescer acima disso viria, então, do lado dos investimentos.
O mais incerto e imponderável viria do lado externo, que pelo seu peso relativo poderá tanto surpreender positivamente, quanto frustrar. Estamos nos referindo aqui de uma porção do PIB que varia entre 30% e 35%, diretamente. E nesse caso devemos olhar para o que poderá acontecer com a intervenção dos EUA na Venezuela em relação ao petróleo.
É provável que o mercado de petróleo ainda se mantenha estável em 2026, pois existem limitações de acréscimo de oferta no curto prazo. Oscilações que acontecem no momento podem caminhar para estabilização. Em volume a produção local não ensaia surpresas.
No caso do minério de ferro o cenário para 2026 tende a espelhar-se em 2025, com o preço variando no entorno de US$ 100,00, mas, como sempre, tendo o mercado chinês de referência. Em termos de volume também não deverá fugir do roteiro de 2025.
Quanto ao aço, não se vislumbra perspectiva de solução para o tarifaço americano. Da mesma forma em relação ao aço chinês entrando no mercado interno. Vamos ter um ano parecido com 2025.
Do lado das commodities do agro a maior ajuda deverá vir do café, já que no caso da celulose não são esperados movimentos acentuados tanto em preço quanto em volume. Quanto ao café as perspectivas se mostram no momento boas em preços e em volume. Estoques mundiais ainda em níveis baixos deverão assegurar preços ainda em patamares elevados.
Naturalmente, num mundo onde surpresas já fazem parte de uma normalidade cada vez mais líquida, em novos normais que se sucedem, teremos pela frente crescentes margens para surpresas.
Com olhares do “estado das artes” do momento, e sendo otimista, as chances são razoáveis de termos um bom ano para o Espírito Santo.