
O normal em início de ano é olharmos para os mais prováveis acontecimentos que conformarão o seu transcurso. Pouca ou nenhuma atenção para os improváveis. Mas, como estamos num mundo onde a cada instante nos defrontamos com novos normais, achei melhor me fixar no que de bom aconteceu em 2025, especialmente para o Espírito Santo. E por uma razão muito simples: cenários mais abertos para 2026 somente a partir de março. E o ritmo será ditado pela política.
Do ponto de vista mais geral da economia brasileira o ano de 2025 surpreendeu. Não se imaginava a Bolsa avançar 34%, a economia 2,4%, o desemprego no seu menor patamar histórico, o dólar em baixa, este não por mérito próprio, e inflação dentro da faixa aceitável da meta. Tudo isso, a despeito de uma SELIC de 15%, sustentando uma absurda taxa real de juros.
Nada disso, porém, assegura-nos um promissor porvir. Ao contrário, a percepção mais geral é de que o país se encontra desalinhado com a perspectiva de um crescimento e desenvolvimento mais sustentado e sustentável no longo prazo. Falta-lhe um projeto de futuro crível e mais sólido. Eventuais avanços são vistos como espasmódicos. Seguem os espasmos da política.
No entanto, em condições e perspectivas bem diversas vamos encontrar o Espírito Santo. Sem segredos, fecha o ano de 2025 como o ano síntese e símbolo de uma trajetória exitosa de 20 anos. E contando com ancoragem para muitos anos a frente. Valeu-se e vale-se, para tanto, de um sólido sustentáculo político, institucional, fiscal, de planejamento de longo prazo e gestão. Temos, no caso, uma porção do país que está dando certo; preparou-se e, sempre em ato contínuo, prepara-se para dar certo.
Vale aqui ressaltar fatos e eventos que marcaram o ano capixaba de 2025, que reforçam esses atributos, começando pelo mais concreto deles, o desafio do tarifaço imposto pelo governo americano a produtos brasileiros. Fizemos um pouso bem suave diante do enorme desafio de termos cerca de 28% das nossas exportações expostas ao mercado americano. A segunda maior exposição do país.
Impressionou-me a reação do setor de rochas ornamentais, um dos setores mais afetados inicialmente. Até novembro de 2025 as exportações do setor já haviam ultrapassado os números relativos ao mesmo período de 2024: US$ 933 milhões contra US$ 1,07 bilhões.
Reações marcantes também foram observadas nas exportações da agropecuária. No caso do café verde a redução da participação do mercado americano de 7,2% em 2024 para 4,8% até novembro de 2025 foi compensada por vendas maiores para Turquia e México. Já no caso da pimenta do reino, que havia exportado US$ 161 milhões em 2024, até novembro de 2025 atingiu US$ 320 milhões. Quase 100% de incremento.
Já no contexto regional brasileiro o Espírito Santo reforçou sua inserção e destaque nos mercados regionais, reafirmando a tese de que estados mais organizados, com gestões eficientes, equilíbrio fiscal e resilientes em seus projetos de futuro asseguram melhor resultados em investimentos, crescimento econômico, qualidade de vida e oportunidades de negócios. Condições essas que nos permitem denominá-los de “onças” brasileiras. Estes, continuarão a fazer a diferença em 2026.
Numa perspectiva de longo prazo eu colocaria o projeto ES 500 anos como fato marcante. E isso pelo lado do seu significado simbólico ao carregar conexões entre passado, presente e futuro. Mas também pelo fato de o mesmo ter ganho institucionalidade através de lei própria, a Lei Ordinária Estadual 12.375. É o futuro que deve nos mover.
O ano de 2025 foi um bom ano para infraestrutura capixaba. Os quase eternos gargalos da nossa logística encontraram caminhos de soluções. A BR 101, ganhou fôlego, com a garantia de 10,4 bilhões de investimentos na duplicação; a BR 262 avançou no seu projeto de duplicação, inclusive com garantia de aporte de recursos por parte do governo estadual; sistema portuário com 3 plataformas de operação, destacando-se o Parklog Aracruz, e seus respectivos terminais, mas também a VPorts na plataforma de Vitória.
Coroa o ano de 2025 com a boa nova em relação a Estrada de Ferro EF-118, também conhecida com o Anel Ferroviário do Sudeste. O Ministério dos Transportes aprovou no dia 30/12 o plano de outorga da concessão da referida ferrovia que ligará o Espírito Santo ao Rio de Janeiro.
Que tenhamos um ótimo e promissor 2026!