
O polo têxtil do noroeste do Espírito Santo, especializado na produção de jeans, prepara um novo ciclo de investimentos para ganhar escala e competitividade. O polo – que inclui municípios como Colatina, São Gabriel da Palha e outros seis municípios – é considerado o quarto maior do Brasil e o maior da região Sudeste, produzindo cerca de 1,2 milhão de peças por mês, atrás apenas de Criciúma (SC), Goiânia (GO) e do Agreste pernambucano.
A estratégia dos empresários do setor é ampliar a produção e se tornar o terceiro maior do país. À frente desse movimento está o Sinvesco (Sindicato das Indústrias do Vestuário de Colatina e Região), que anunciou um pacote de investimentos de mais a R$ 10 milhões voltado à formação de mão de obra, inovação, fortalecimento institucional e ampliação de mercado.
Investimentos em formação, divulgação e inovação

O principal eixo do plano é a criação de seis escolas de costura em municípios do noroeste capixaba. Cada unidade contará com infraestrutura própria e kits completos de máquinas industriais, com investimento médio de R$ 700 mil por cidade. O desembolso total previsto é de R$ 4,2 milhões.
A iniciativa busca responder a um dos principais gargalos do setor: a escassez de mão de obra qualificada. No médio prazo, a meta da nova gestão é ampliar esse projeto para 16 escolas e formar cerca de 3 mil novas costureiras, fortalecendo sobretudo micro e pequenas confecções da região.
Outro bloco relevante do plano envolve recursos direcionados à cadeia criativa e à inovação. Serão R$ 4 milhões aplicados na promoção da moda capixaba, sendo R$ 2 milhões destinados ao ES Fashion – evento anual do setor – e outros R$ 2 milhões à estruturação de uma incubadora de moda, voltada ao desenvolvimento de novas marcas e modelos de negócio.
Já na frente de inovação e empreendedorismo, o polo contará ainda com uma aceleradora de negócios, que receberá aporte de R$ 2 milhões.
União dos sindicatos têxteis é um dos planos da nova gestão
Além dos investimentos diretos, o plano prevê uma reorganização institucional do setor no Estado. A proposta é unir os seis sindicatos têxteis do Espírito Santo em torno de um projeto comum, o que dá mais força em votações na Federação das Indústrias.
Segundo Marco Britto, presidente do Sinvesco, “a atuação em bloco permite maior capacidade de negociação tributária e financeira, mais visibilidade nacional e internacional em feiras do setor, acesso a consultorias especializadas a custos menores e maior peso político dentro da federação das indústrias, onde o setor têxtil capixaba concentra seis votos entre os 31 sindicatos com direito a decisão”
Fundado há mais de 30 anos, o Sinvesco surgiu a partir da consolidação do polo têxtil de Colatina nas décadas de 1970 e 1980, período marcado pela industrialização do município e pela forte participação da mão de obra local. Hoje, empresas da região produzem para marcas nacionais e internacionais como Reserva, Calvin Klein, Aramis e John John.