
O Espírito Santo manteve, em 2025, sua posição de “porta de entrada” de aeronaves no Brasil. De janeiro a dezembro, o estado importou US$ 1,73 bilhão (cerca de R$ 9,34 bilhões, pela cotação atual) em aeronaves como aviões e helicópteros, respondendo por aproximadamente 65% do volume nacional, que totalizou US$ 2,66 bilhões no período. O resultado ficou muito próximo do registrado no ano anterior, quando as importações somaram US$ 1,72 bilhão, então o maior volume já observado.
O Espírito Santo consolidou-se nos últimos anos como principal polo de importação de aeronaves do país. Embora a maior parte das aeronaves utilize o estado apenas como porta de entrada para os trâmites de nacionalização antes de seguir para seus destinos finais, esse fluxo tem impacto direto sobre a economia local.
A passagem das aeronaves movimenta uma cadeia de serviços especializados, envolvendo tradings, despachantes aduaneiros e consultorias técnicas.
A APD Advogados, escritório especializado em importação de aeronaves, assessorou a importação de cerca de R$ 800 milhões em aeronaves em 2025, e aponta para um mercado aquecido em 2026.
Um dos escritórios com atuação relevante nesse mercado é a APD Advogados, especializada em importação de aeronaves. Em 2025, o escritório assessorou operações que somaram cerca de R$ 800 milhões em aeronaves importadas pelo Espírito Santo e projeta um cenário ainda mais aquecido para 2026.

Segundo Rodolpho Pandolfi, sócio da APD, o movimento observado no fim de 2025 já indica uma continuidade do crescimento.
“Tivemos um ano recorde de importações e, para este ano, a expectativa é de superar esses números. O mercado começou estava bastante aquecido em dezembro e segue muito ativo neste início de ano. Temos visto um número crescente de pessoas interessadas na importação de aeronaves, inclusive com a constituição de empresas para compras em grupo. A maior parte das operações é de caráter corporativo”, afirma.
Um dos principais fatores que explicam a liderança do Espírito Santo na importação de aeronaves são os incentivos fiscais, que proporcionam uma redução relevante de custos para os importadores. Essa é a avaliação de Marina Coninck, trader de importação de aeronaves da Superia, trading especializada no setor, que participou da aquisição de 24 aeronaves em 2025, todas com entrada pelo Espírito Santo.

“Do ponto de vista técnico, o Espírito Santo é a principal porta de entrada de aeronaves executivas no Brasil por alguns motivos. Entre eles, a redução do custo através dos benefícios fiscais que podemos usufruir. Segundo ponto: logístico, o estado está localizado em um local estratégico, em um ponto central do Brasil, no Sudeste, próximo dos principais polos de aviação executiva e de oficina de manutenção de aeronaves. E por último, e não menos importante, a capital Vitória está muito preparada para receber as aeronaves do ponto de vista operacional e técnico. A alfândega e a Receita Federal já estão adaptadas a esse processo de importação, o que torna a liberação da aeronave muito ágil”, avalia.
Autorização para imigração em Vitória deve ampliar importação de aeronaves
Apesar de liderar com ampla vantagem a importação de aeronaves no país, o Espírito Santo ainda aguarda alguns avanços para ampliar de forma relevante esse volume nos próximos anos. O principal deles é a autorização para que jatos importados realizem, no Aeroporto de Vitória, todo o processo de imigração e emigração de tripulantes e passageiros, sem a necessidade de escalas intermediárias em outras capitais que hoje concentram essa estrutura.
A medida permitiria que aeronaves importadas pousassem diretamente no Espírito Santo, eliminando o chamado “pinga-pinga”.