Review | Nioh 3: maturidade, violência calculada e o ápice da Team Ninja

Depois de dezenas de horas jogando Nioh 3 no PlayStation 5, posso afirmar com a tranquilidade de quem já atravessou gerações de consoles: este é um daqueles jogos que não aparecem todo ano. Aos 44 anos, com bagagem que vai do NES ao PS5, sei reconhecer quando um estúdio chega ao ponto máximo do próprio domínio técnico. Aqui, a Team Ninja não experimenta — ela executa com precisão cirúrgica.

Desde os primeiros combates, fica claro que Nioh 3 é um jogo feito para quem gosta de aprender apanhando. O controle no DualSense responde de forma imediata, cada erro é punido e cada vitória é merecida. Tudo roda com fluidez exemplar, algo essencial em um jogo onde frames fazem diferença real. É ação intensa, mas nunca desleixada.

Um sistema de combate que exige cabeça, não só reflexo

O coração de Nioh 3 está na alternância dinâmica entre os estilos Samurai e Ninja. Não é um detalhe cosmético, é uma mudança estrutural na forma de jogar. O Samurai exige controle de Ki, postura e leitura de ataque, enquanto o Ninja aposta em velocidade, risco e agressividade, usando shurikens, bombas e ataques furtivos para desmontar inimigos.

Com o tempo, alternar entre os dois vira algo natural, quase instintivo. Em lutas mais longas, aprendi a quebrar defesas como Ninja e finalizar como Samurai, explorando fraquezas específicas. Nioh 3 recompensa quem estuda o sistema, algo cada vez mais raro em jogos modernos.

Mundo aberto sem exageros nem perda de foco

Quando vi que Nioh 3 adotaria áreas abertas, confesso que fiquei receoso. Mas o jogo evita os erros comuns do gênero. O mapa é grande, porém bem estruturado, com regiões por nível recomendado e progressão clara. Não há poluição visual excessiva nem tarefas irrelevantes empilhadas só para inflar horas.

Explorar é prazeroso graças aos carregamentos quase inexistentes. Sempre há algo que vale o tempo investido: um Yokai poderoso, uma missão paralela bem construída ou um evento inesperado. O jogo entende que desafio precisa andar junto com propósito.

Chefes que testam paciência, técnica e maturidade

Os chefes de Nioh 3 estão entre os mais brutais que enfrentei nos últimos anos. Alguns são tão agressivos que exigem pausa, respiração e mudança completa de abordagem. Morri bastante, e em um caso específico cheguei perto de reviver a velha fúria da adolescência quebrando controle. O arremesso de controle QUASE voltou a ser um esporte na minha cabeça.

Ainda assim, nunca senti injustiça. Sempre existe uma solução: mudar equipamento, alterar estilo, chamar um Acolyte ou simplesmente aprender melhor o padrão. Quando a vitória vem, ela é silenciosa e satisfatória, daquele tipo que só jogos realmente difíceis conseguem entregar.

Loot profundo, builds livres e zero punição artificial

O sistema de loot segue inspirado em ARPGs clássicos. Armas e armaduras caem em grande quantidade, com raridades bem definidas e bônus variados. O grande acerto está na liberdade: respec totalmente gratuito. Isso incentiva experimentação constante sem medo de errar.

No PS5, gerenciar inventário e habilidades é rápido e funcional, algo essencial em um jogo tão denso. Dá para jogar de forma estratégica ou mais direta, focando apenas no essencial. Nioh 3 não força um único estilo de jogador.

História funcional, mas claramente secundária

A narrativa envolvendo Tokugawa Takechiyo, viagens no tempo e Yokai gigantes cumpre seu papel, mas não tenta ser o centro da experiência. Mesmo para quem conhece a história japonesa, o enredo é confuso em alguns momentos. Felizmente, isso não prejudica o jogo.

Aqui, a história serve como pano de fundo. Nioh 3 sabe que seu maior trunfo é o combate, e não tenta fingir o contrário.

Veredito

Depois de mais de 60 horas no PlayStation 5, saio convicto: Nioh 3 representa o auge absoluto da série. Não é um jogo para todos, mas é um prato cheio para quem busca desafio real, sistemas profundos e combate refinado até o limite.

A Team Ninja entrega um título que respeita o jogador experiente e não subestima sua inteligência. Um dos jogos mais fortes de 2026 até agora, e facilmente um marco dentro do gênero.

NOTA: 9/10

Rômulo Justen
Rômulo Justen

Editor de Games

Jornalista que compila código e combos: troca bugs por chefões desde o Atari 2600. Agora farma XP em action‑RPGs com o filho Noah, sem perder o buff do café.

Jornalista que compila código e combos: troca bugs por chefões desde o Atari 2600. Agora farma XP em action‑RPGs com o filho Noah, sem perder o buff do café.