Os desafios dos alunos com TEA no retorno às aulas presenciais

Alunos com TEA

Em tempo de isolamento social e ensino remoto, a data de reabertura das escolas com o retorno às aulas presenciais ainda é incerta. Mas a certeza é que, na retomada, será imprescindível respeitar as singularidades e a história dos estudantes, especialmente no ambiente em que estão inseridos os alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), indivíduos que foram afetados em suas rotinas tão importantes para o seu desenvolvimento.

A escola, antes um espaço de convivência social foi fechada, as terapias foram suspensas e o convívio com o mundo paralisou. Enquanto pais e professores tentam preencher a lacuna deixada pelo distanciamento social obrigatório, os alunos com autismo tentam se adaptar ao novo modelo de ensino on-line.

Essa nova realidade é desgastante para todos, inclusive para os alunos que têm alguma limitação. Alguns deles ganharam autonomia e se tornaram mais organizados nesse sistema novo de ensino. Por outro lado, tantas horas na frente do computador ou celular exigem mais disciplina e concentração e nem todos conseguem essas características.

“A escola era o ambiente de interação com os colegas, professores e o momento de receber atenção num contexto escolar. Em muitos casos a carência desse ambiente trouxe comportamentos de estresse, de rebeldia, agressão, tristeza e angústia”, explica a Profa. Dra. Giovana Escobal, diretora do Instituto ABAcare.

Papel dos professores no acolhimento dos alunos com TEA

Um dos fatores mais preocupantes, neste momento, é que muitos alunos perderam entes queridos e pode ter sido a primeira experiência com o cenário da morte. Deve-se ter, portanto, sensibilidade no retorno, o qual não deve ser abrupto e nem se exigir além do que cada indivíduo pode oferecer.

Para Giovana, é importante que os professores abram o diálogo com os alunos sobre suas emoções, suas rotinas e como estão as relações em casa. “Nesse sentido é importante que a escola capacite educadores, pais ou responsáveis. Afinal, são eles os mais envolvidos na aprendizagem das crianças e jovens com deficiência durante o período de ensino remoto emergencial. Outros profissionais também podem estar presentes no acompanhamento da criança. Todos devem trabalhar juntos para encontrar mecanismos e formas para auxiliar o aluno”.

De acordo com a psicóloga Dafne Fidelis, os alunos com TEA, independentemente da pandemia, necessitam de flexibilizações ou, até mesmo, de um Plano de Ensino Individualizado, que levem em conta as suas especificidades, dentre elas, as comportamentais, clínicas, sociais, adaptativas e de linguagem. Sendo assim, é necessário elencar as potencialidades e as necessidades reais do aluno autista.

“Os alunos com TEA, em sua maioria, não conseguem utilizar a máscara, têm dificuldades para se adaptar às novas exigências do ambiente que, por vezes, pode ocasionar frustração, ansiedade, irritabilidade e agressividade. Será necessário aplicar protocolos de dessensibilização para que as crianças consigam permanecer mais tempo com a máscara”, explica Dafne.

Para que as crianças aprendam a evitar abraços e beijos, uma série de protocolos deverão ser implantados. “Será necessário ensinar as crianças a interagir e receber carinho e atenção de uma forma mais segura para que elas não se coloquem em risco”, afirma a psicóloga.

Mudança na rotina dos pais

Em meio a tantas mudanças, houve também a alteração na rotina dos pais. Giovana esclarece que existem algumas estratégias comportamentais para que os adultos fiquem mais saudáveis.

“Temos que ser mais tolerantes e isso pode ser treinado. Podemos procurar apoio nas outras pessoas, valorizar coisas essenciais da vida que muitas vezes não observamos ou valorizamos, como os elementos da natureza, o pôr no sol, o nascer do sol; buscar itens reforçadores entre outras coisas que trazem sentimentos de paz e alegria”.

A diretora do Instituto ABAcare finaliza. “Para eliminar o estresse as famílias podem cozinhar, fazer algo em conjunto, escolher um filme bem legal para todo mundo interagir, cuidar das plantas, montar brinquedos, criar brincadeiras novas, sentar em um momento para conversar sobre o dia ou sobre um assunto diferente, contar histórias e discutir sobre elas até a sua compreensão”.

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