Conheça 5 princípios para um aprendizado com mais eficiência

Aprendizado
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Desempregado, rejeitado pela namorada e sem perspectiva de futuro. Eddie Morra tem sua vida mudada ao começar a usar uma substância que melhora suas habilidades mentais, atingindo o seu ápice tanto na esfera financeira quanto profissional. Esse é o papel interpretado por Bradley Cooper no filme Sem Limites (Limitless, 2011), que – sem dúvida – explicita a nossa curiosidade sobre o poder da mente e como seria se conseguíssemos aprimorar nossa capacidade cognitiva além dos níveis ordinários.

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Ainda que o filme se trate de uma ficção, há décadas tal assunto leva especialistas a observarem o comportamento do cérebro em determinadas situações limite. Nesse sentido, a pergunta “como aprender mais rápido e melhor?” ainda hoje é um dilema que não pode ser respondido com uma única – e correta – resposta devido a singularidade de cada indivíduo.

Dessa forma, muitas técnicas de estudos foram propostas com o objetivo de auxiliar na retenção de conteúdo. Cada uma utilizando um aspecto diferente do cérebro. Existem princípios, no entanto, que servem de pilar para essas técnicas, facilmente compreendidos e executáveis nos momentos de estudo que podem fornecer um ganho significativo na retenção de conteúdo pelo estudante.

Repetição e alto impacto

O processo de esquecimento é natural do cérebro humano e necessário para a sua saúde. O objetivo desse processo é esquecer as memórias que não são importantes e guardar as que são. Dessa maneira, se um conteúdo, ainda que relevante, não volta a ser acessado, é provável que o cérebro o encare como algo descartável, irrisório. Sendo assim, as conexões entre os neurônios que armazenavam originalmente aquela informação são desfeitas.

A primeira das formas mais eficientes de memorização é repetir o mesmo ato várias vezes, em momentos diferentes. Isso faz com que o cérebro reconheça o conteúdo ou atividade como valiosa e a preserve. É nessa premissa que se baseiam as revisões sistemáticas. Como reafirmado em recente artigo “Conheça as abordagens e tecnologias da aprendizagem adaptativa”, as revisões são pontos extremamente importantes no processo de aprendizado. Isso porque trazem à tona um conteúdo que logo seria perdido e, por essa razão, não devem ser desprezadas durante os estudos.

A segunda forma, o alto impacto, se refere àquelas atividades que são tão marcantes que bastou executá-las apenas uma vez para que o cérebro a registrasse como satisfatória – ou ameaçadora. Todo mundo possui uma memória traumática que nunca esquecerá ou até mesmo uma lembrança de um dia incrível dificilmente apagado de sua memória. Nessas situações, a descarga de neurotransmissores foi tão forte que fez um caminho neuronal fortemente conectado e difícil de ser desfeito.

Sob esses dois formatos, é que a maioria das técnicas de estudos eficazes residem. De fato, quando coligadas ambas as formas podem potencializar ainda mais o resultado final de retenção.

Associações

De forma simples, podemos afirmar que não existe memorização sem associação. Isso continua sendo verdade mesmo que não façamos associações conscientemente, já que é assim que o cérebro opera. As associações são a base de todo o funcionamento da memória e dos principais métodos mnemônicos.

Para arquivar uma nova informação, o cérebro associa um novo conteúdo a algum outro pré-existente, facilitando a formação da memória de longo prazo e, assim, do aprendizado. Se o cérebro já efetua esse processo involuntariamente, por que não o auxiliarmos intencionalmente? Por exemplo: ao estudar osmose, poderíamos incentivar a lembrança de como a alface no almoço fica murcha ao ser salgada. Relacionar um conteúdo novo a algo vivenciado é uma ótima forma de associação.

Por esse princípio, as revisões de conteúdo levarão menos tempo. Afinal, as associações são como pontos de ancoragem que fazem com que ao lembrar de um fato/experiência, outro venha em conjunto. Um caso comum ocorre quando sentimos um perfume e lembramos de uma pessoa específica. Isso porque o sentido olfativo está vinculado com a memória visual e traz a lembrança daquela pessoa. As associações também influenciam diretamente no encadeamento de assuntos que dependem entre si, bem como na agilidade de relembrar conteúdos durante um exame.

cores e desenhos

Há cerca de duas décadas, pesquisadores têm conduzido pesquisas a fim de entender emoções positivas ou negativas e as suas influências no aprendizado. Em geral, emoções positivas facilitam o domínio do conteúdo, levam a um esforço mental maior na hora da retenção do conteúdo e são contempladas pelo princípio do alto impacto, acima mencionado.

Em um estudo realizado com universitários alemães foi observado que o design envolvendo formas e cores durante a passagem de conteúdo induziu emoções que impactaram positivamente o aprendizado. Tanto a forma quanto a cor resultaram em compreensão aprimorada, bem como a indução de humor por meio de um desenho animado ou caricatura.

Tentar reter conteúdo somente por meio de textos, sem segmentações e cores, é bastante complicado para a maioria das pessoas. Dessa forma, dar vida ao material de estudo facilita a retenção da informação. Utilizar cores diferentes em tópicos de diferentes níveis e marcar o texto com cores em que é estabelecido um nível de importância para cada cor, além de personificar os desenhos com bocas e olhos são algumas das formas simples de aplicar essa técnica. É necessário ressaltar que o desenho não precisa ser bonito, mas significativo ao estudante.

anotações

Anotações durante uma aula ou palestra são importantes, especialmente se forem feitas de um jeito estratégico. Qual é a melhor maneira de anotar um conteúdo durante uma aula? Dentre os tipos de anotações temos três que são unânimes entre os estudantes: a transcrição, ou seja, copiar fielmente o que é escrito no quadro, o resumo e a anotação por palavras-chave.

Nesse sentido, um estudo realizado com três grupos de alunos verificou que quanto mais processada a informação for, maior é a capacidade de retenção posterior do mesmo conteúdo. O princípio é simples: quanto mais esforço faz-se para sintetizar, maior é o grau de raciocínio demandado para a atividade fazer sentido, e quanto mais raciocínio, mais aprendizado.

Por isso, a forma que se mostrou mais eficaz entre as três foi a de anotações por palavras-chave. Enquanto transcrever inteiramente o conteúdo não gera esforço nem processamento, pois as palavras são simplesmente redigidas no papel.

ensinar

“É ensinando que se aprende”. Essa frase é um clichê conhecido de muitas pessoas, mas, sem sombra de dúvida, ensinar está entre as melhores formas de aprender. A pirâmide de aprendizado proposta por Dale (1969), dividida em sete estratos, tem em sua base a forma mais eficaz de reter conhecimento, isso é, por meio do ato de ensinar aos outros.

Observa-se, portanto, que o estudante aprende mais por meio de métodos ativos e colaborativos, seja estudar em grupos, apresentar algum conteúdo, explicar o assunto para o cachorro, travesseiro, ventilador, espelho – tudo isso conta como estratégia para sintetizar e articular o conhecimento, transformando o conteúdo que foi estudado em palavras próprias que são facilmente gravadas. Muitas metodologias ativas de ensino tomam como centro a colaboração do aprendizado e que tem sido explorada em diversas instituições do setor educacional.

É possível utilizar mecanismos simples na hora dos estudos para facilitar a retenção de conteúdo. Sob os princípios descritos acima, se apoiam as principais metodologias de ensino ativo que são comprovadamente eficazes, além de técnicas de estudos que serão abordadas em artigos posteriores. Ainda que a capacidade de memorização seja única e grandemente individual, pequenas atitudes e mudanças na forma de encarar os estudos podem ser colocadas em prática para o seu aprimoramento.

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*artigo escrito por Lorenzo Ferrari Assú Tessari, especialista em aprendizagem e metodologias de ensino. Formado em Ciências Biológicas pela Ufes, mestre em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia pela UFPR, e diretor e cofundador da Gama Ensino e da Anole.

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18 Respostas para “Conheça 5 princípios para um aprendizado com mais eficiência

  1. Excelente explicação, muda a percepção das pessoas que acham difícil aprender e que colocam obstáculos no seu desenvolvimento.

  2. Excelente artigo!
    Muito elucidativo e contribui para o aprimoramento e reforço do processo ensino aprendizagem dos alunos, em especial os que manifesram um ritmo lento de aprendizagem.

      1. É interessante, ver como a forma de estudar de cada indivíduo pode ou não ser eficaz a ele. E só se descobre a sua forma certa, testando! pesquisando sobre o assunto ,e colocar em prática, pois ao longo da vida estudantil,e aos concurseiro de plantão, o tempo todo, nós, nos testamos, e é assim,que se chega ,a nossa conclusão que tem que ir por esse caminho para ter aprovação. Acredito que maneira melhor de estudo é a associação e eu a uso.

  3. Artigo extremamente ultio é muito bem elaborado! Gostei muito de ler , me trouxe conhecimentos , conteúdo que pode ajudar muitas pessoas.

  4. Fascinante o artigo. É de suma importância compreendermos que o aprendizado se constrói e existem técnicas que facilitam e tornam mais eficiente esse processo de construção.

  5. Muito bom. Apenas não concordo coma dica de estudar e m grupo. Fico, neste caso coma tese do prof. Piazzi de que todo aprendizado é individual e autodidata.

  6. Toda técnica pode levar a um aprimoramento, porém o esforço individual é o principal combustível motor no desenvolvimento de competência e habilidades, tema de fácil assimilação e de fundamental importância, para os iniciantes e veteranos ditos acadêmicos. Parabéns, pela abordagem do tema!

  7. Abordagem de suma importância, visto que, para acumularmos conteúdo de boa qualidade não basta apenas “estudar“, “ler superficialmente“ ou até mesmo ter uma “conversa” com o professor/educador. O ensino vai além, e com ele as formas de aprendizagem também…

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