Meta SMART: como potencializar seus resultados nos estudos

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Na correria do mundo cotidiano, muitas vezes despendemos esforços em vão ao buscar atingir um objetivo. Isso se dá por não usarmos estratégias adequadas para conquistar o que queremos, o que faz com que “atiremos para todos os lados”. O estabelecimento de metas é um processo poderoso não apenas para pensar sobre o futuro ideal, mas para conseguir colocar em prática o que deve ser executado prontamente. Um dos sistemas de metas mais eficientes é conhecido como SMART. Apesar de não ser inicialmente proposto para melhoramento dos estudos, pode ser aquilo que está faltando para que você obtenha o resultado tão esperado.

A técnica SMART

O sistema SMART foi originalmente desenvolvido para empresas atingirem resultados esperados e simplificar as muitas metas que eram criadas, mas que não geravam impactos significativos. Apesar da criação das metas SMART ser atribuída ao consultor norte-americano George T. Doran, na década de 1960, pesquisas anteriores já mostravam como o estabelecimento de metas promoviam resultados positivos na performance organizacional das empresas.

Dessa forma, mesmo sendo um sistema de origem empresarial, a técnica SMART aplica-se perfeitamente quando temos uma imensidão de conteúdo para estudo, tempo escasso e um resultado difícil de ser alcançado.

A técnica SMART é um acrônimo em inglês para as palavras specific (específico), measurable (mensurável), achievable (alcançável), relevant (relevante) e time bound (temporalmente orientado). Para garantir que as metas sejam claras e o menos difusas possível, cada meta deve necessariamente seguir os cinco critérios acima.

Tal ferramenta torna as metas inteligentes e pode contribuir na elaboração do planejamento, bem como no acompanhamento dos resultados. Vejamos o que significa cada critério e como eles podem ser implementados em seus estudos.

específico

A meta precisa ser específica, pois dessa forma será possível focar em esforços que realmente trazem resultados. Tendemos a achar que se estamos estudando para um determinado concurso ou vestibular, desde que seja da mesma área ou abordem o mesmo conteúdo, ao estudar para um estamos estudando para outros também. Só que na prática isso não acontece, pois acabamos não utilizando nossa força máxima em um único ponto.

Isso se dá pois ao dividir o seu tempo sua energia e sua motivação – três fatores que são finitos – em mais de um foco, também os resultados serão divididos. Utilizemos a física para elucidar esse aspecto. A fórmula da pressão é força/área, quanto maior a força maior a pressão, mas quanto maior a área, menor a pressão.

Se usamos uma força “X” em uma área muito grande, a pressão total é pequena, pois a força é “espalhada” por toda a área. Agora se usamos a mesma força em um ponto muito pequeno, a pressão é elevadíssima. Então, quanto mais específica a sua meta for, melhor.

Exemplo

Ao invés de só querer passar em qualquer vestibular ou curso, definir certos pontos é fundamental. Por exemplo, qual curso, qual a faculdade, o que precisará ser feito após a aprovação, quais as suas limitações, qual material de apoio será utilizado e se ele é suficiente.

Um outro exemplo em nível de microplanejamento é, ao invés de constar no planejamento da semana “estudar matemática”, estabelecer o que exatamente será estudado. Como, por exemplo, “estudar geometria plana – triângulos – capítulo 3”. Essa especificidade facilita na execução dos planos, otimizando o tempo.

mensurável

O próximo passo é deixar as metas mensuráveis, afinal, o que não pode ser medido, não pode ser controlado. Essa etapa consiste em dar significado quantitativo para a meta, ou seja, usar números para deixar claro quais são os valores-alvo que estarão envolvidos no processo.

A quantificação das metas é essencial para medir o progresso, se manter motivado e se recompensar quando marcas forem atingidas. Dessa forma, também é utilizada em outros sistemas de gerenciamento de resultados.

Exemplo

Ao invés de querer a aprovação no concurso federal, buscar saber primeiro quais foram os pontos de corte dos anos anteriores para se ter conhecimento do número médio de questões a serem acertadas.

Na prática, isso significa passar de um estágio “preciso passar no concurso”, que é pouco controlável, para um estágio quantificável, como “preciso acertar 45 questões das 60 em tal concurso”.

Outras formas de utilizar essa regra pode ser vista nas metas de estudos. Como, por exemplo, acertar “x” questões, realizar “x” questões por semana, realizar “x” simulados por mês, aumentar a nota em “x”%, ler “x” páginas por dia, entre outros. Transformar os resultados em números é, sem dúvida, uma forma bastante clara de se acompanhar o próprio progresso feito no decorrer do tempo.

alcancável

Uma meta deve ser desafiadora, porém factível. Essas palavras podem ser duras, mas se você nunca estudou para um dado concurso ou vestibular e pretende ter a aprovação em um curtíssimo período, precisa ter a consciência de que existem grandes chances de isso não acontecer.

O estabelecimento de metas impossíveis é algo que está presente na vida do estudante, por muitas vezes devido à falta de autoconhecimento. Sendo assim, é necessário que a antes de iniciar uma jornada de estudos, você busque conhecer seu próprio ritmo, para depois estabelecer metas.

Dessa forma, não só é permitido traçar uma melhor estratégia de estudos, como diminuir a possibilidade de frustração com o resultado não alcançado. Identificar as fraquezas e as forças é necessário para conseguir criar metas realistas, bem como para traçar planos ou desenvolver algumas habilidades que serão necessárias.

É muito comum ver alunos querendo tirar notas altíssimas de um dia para o outro, ignorando as lacunas pedagógicas que foram criadas ao longo da sua vida estudantil. Portanto, a melhor forma de encarar uma meta muito complexa é quebrá-la em várias metas menores, mais simples, mais alcançáveis.

Exemplo

Ao invés de “hoje, costumo acertar 15 questões de 50, e preciso acertar 40”, reduzir a meta para 20, depois 25, 30, 35, e aí sim 40. Essa quebra em metas realizáveis é potencializada se o aumento for gradual. Isso nos mantém no percurso com mais facilidade e não gera frustrações frequentes.

relevante

Nem todas as suas metas contribuem para o resultado esperado da mesma forma. Pode parecer óbvio, mas as metas, mesmo que pequenas, devem contribuir de alguma forma no processo de estudo.

Esse passo garante a você que não seja executado algo que tenha pouca ou nenhuma relevância em seu processo de estudos. A meta deve ser suficientemente importante a ponto de lhe fazer renunciar a algumas coisas em prol do que você busca. Mas, ao mesmo tempo, deve ter propósito claro dentro daquilo que será realizado.

Exemplo

Ao invés de estudar de maneira aleatória, dar um significado para cada meta é essencial. Estudar um determinado capítulo por ele ser a base de outro capítulo que cai bastante na prova. Justificar a escolha de um curso ou faculdade (o mesmo se aplica para concurso e avaliações do ensino básico e superior). Saber quais coisas precisarão ser deixadas de lado para atingir o resultado; encaixar em um planejamento os melhores horários para estudar. Ou não destinar muito tempo para matérias que não agregam no objetivo final, são apenas alguns poucos exemplos para o critério de relevância.

temporalmente orientado

Esse passo ajuda a evitar que as tarefas diárias, vistas como mais urgentes, mas que pouco contribuem para o sucesso perseguido, tomem o lugar das tarefas de longo-prazo. O compromisso com o tempo muitas vezes nos força a produzir mais, evita procrastinações e nos faz encarar os objetivos com maior seriedade, mas vale ressaltar que os prazos precisam ser viáveis, como explicado acima pelo critério “alcançável”.

Exemplo

Montar um cronograma passo a passo com o que será feito em cada dia. Estabelecer em quanto tempo você quer atingir um determinado resultado, adequar-se a uma rotina de estudos e não apenas estudar na véspera de uma prova. Além disso, definir quais conteúdos tomam menos tempo e geram mais resultados, são boas formas de utilizar o tempo como uma premissa em sua elaboração de metas.

Por fim, a técnica SMART é fácil de usar nos estudos e, em geral, diminui as chances de desmotivação e desestímulo perante um objetivo complexo ou distante. Como outrora disse o poeta e escritor americano Bill Copeland, “o problema de não se ter metas é que você fica correndo para cima e para baixo no campo e nunca marca ponto”.

De fato, para não ficar à deriva, precisar suas habilidades e melhorar suas capacidades, o método SMART assegura o bom andamento do que foi planejado e garante uma potente estratégia para o seu sucesso final.

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*artigo escrito por Lorenzo Ferrari Assú Tessari, especialista em aprendizagem e metodologias de ensino. Formado em Ciências Biológicas pela Ufes, mestre em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia pela UFPR, e diretor e cofundador da Gama Ensino e da Anole.

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