Você tem medo de perder seu emprego para uma máquina?

Pois é, além dos quase 12 milhões de desempregados nesse primeiro semestre no Brasil, a situação ainda se agrava quando o assunto é a falta de treinamento e acesso a recursos digitais de qualidade. Apenas 29% dos brasileiros são considerados capacitados, 26% estão parcialmente capacitados, 25% estão praticamente fora do “mundo” digital, usando apenas 1% dos recursos e 20% são totalmente despreparados.

Aproximadamente 1/3 dos trabalhadores no Brasil e no mundo tem receio de perder seus empregos para uma máquina, isso demonstra que existem graves falhas na formação profissional. Os colaboradores esperam que as empresas os ajudem a desenvolver suas competências digitais e tecnológicas. Vou abrir aspas aqui: “o importante é você se capacitar, ir em busca de qualificação profissional e não esperar que a empresa faça isso por você.”

Curiosamente a galera que se sente mais “ameaçada” pela tecnologia não são os mais “velhos” acredite! Para a galera que nasceu a partir de 1997 (a tão falada e badalada geração Z) 38% temem serem substituídos por um robô, contra apenas 19% da galera que nasceu entre 1946 e 1964, essa galera é conhecida como baby boomers. A geração Z são os que mais sentem falta de treinamento tecnológico de seus empregadores, ou seja, 44% contra 29% dos boomers.

Pesquisas afirmam que 70% dos profissionais com habilidades valorizadas pelo mercado são mais propensos a estarem satisfeitos com as suas profissões. Então vai uma dica pra você, invista no desenvolvimento de habilidades digitais e capacitação tecnológica. O investimento deve ser mapeado de acordo com as suas receitas e por um princípio de equidade, fortalecendo a sua capacidade e qualificação.

Não existe “lealdade eterna” de funcionários

Muitos profissionais de tecnologia estão “pedindo conta” se demitindo para “facilmente” se recolocar em outras empresas, com melhores condições, melhores salários, entre outros. Podemos dizer que esse “fenômeno” nos ensina que não existe “lealdade eterna” de funcionários. As empresas precisam estar atentas a essas demandas ou perderão cada vez mais profissionais em diferentes níveis. Mas a maioria das empresas não prestam atenção nisso! Quem perde? O profissional, a empresa e a sociedade.

Estamos “sentados” em montanhas de dados e não sabemos o que fazer

As empresas precisam compreender que a capacitação em tecnologia de seus funcionários se tornou fundamental para seus negócios. Um estudo feito no USA afirma que cerca de 700 profissões correm o risco de serem extintas até 2030 devido ao uso da tecnologia. Várias profissões foram extintas e novas surgirão, pois a diferença nos dias de hoje está na aceleração tecnológica.

Estamos “sentados” em montanhas de dados e não sabemos o que fazer com isso. Precisamos refinar esses dados, gerar informação, produzir conhecimento, extrair significado e agir. Essa mudança acelerada da tecnologia mudou como trabalhamos, estudamos, compramos, nos divertimos e nos relacionamos com tudo e com todos! É ou não é verdade?!?!

O setor de tecnologia requisitará 800 mil profissionais até 2025, mas o déficit deverá ficar em 420 mil vagas não preenchidas

Estudos apontam que profissões tradicionais que respondiam por 15% das vagas em 2021, encolherão para 9% até 2025. Já as ligadas à tecnologia passarão de 8% a 14% com um crescimento significativo porém preocupante, veja: no Brasil a previsão é de que o setor de tecnologia demandará 800 mil profissionais até 2025, mas o déficit deve ficar em 420 mil vagas não preenchidas por falta de profissionais qualificados.

Leia também: Veja as principais profissões de tecnologia, transformação digital e inovação

As universidades não estão suprindo essa mão de obra na quantidade, velocidade e qualidade que o mercado pede, só resta mesmo às empresas realizarem o upskilling ou reskilling, já explico:

  • Upskilling: é quando um profissional busca aprimorar seus conhecimentos em áreas nas quais já está inserido, aumentando o seu domínio sobre o assunto. Ao realizar esse “up” no desenvolvimento profissional, é possível otimizar o tempo gasto nas tarefas do dia a dia e realizar entregas com mais qualidade.
  • Reskilling: acontece justamente quando um profissional busca aprender novas habilidades para se requalificar no mercado de trabalho ou quando a empresa identifica que é possível desenvolver talentos internos para essas novas funções a partir de treinamentos.

Tanto o upskilling quanto o reskilling são conceitos de desenvolvimento, seja para crescer na área de atuação ou para investir em uma nova profissão. Fique ligadão aí!!!

Pesquisas colocam o Brasil como 75º no ranking de competitividade global de talentos entre 134 países. Tendo como base a capacidade dos países desenvolverem profissionais e de atrair e reter seus talentos.

Diretores e gerentes de empresas precisam sair da zona de conforto

Os profissionais não estão apenas procurando por uma remuneração decente, eles querem mais controle sobre como trabalham e querem obter maior significado dentro das empresas. Diante de tudo isso, gerentes e diretores de empresas precisam sair da zona de conforto. Digo para todo o tipo de segmento e tamanho da empresa.

Os profissionais desejam que as empresas atuem diretamente no seu desenvolvimento tecnológico, isso não desobriga governos e escolas de igualmente atuarem nisso. Mas essa tarefa precisa ser feita de maneira integrada e inteligente, colocando os recursos onde realmente são mais necessários. É ou não é verdade?1?!

O paradoxo do mercado de tecnologia no Brasil: mais vagas, menos formados

Nos últimos anos eu “ouço” veementemente que faltam profissionais qualificados para o mercado de tecnologia no Brasil, tanto do lado de quem vende tecnologia, quanto de quem a compra. Nos últimos 10 anos a quantidade de diplomados nas áreas de tecnologia caíram drasticamente. Com uma “base” fraca de matemática e lógica, quem decide estudar programação, por exemplo, encontra uma dificuldade imensa em avançar nesse tipo de curso e acabam desistindo. Isso impacta em graduandos, uma vez que, falhando em coisas básicas, a maioria optará por cursos que exijam menos esse tipo de conhecimento, resultando em um volume muito maior de pessoas formadas em ciências sociais, comunicação e negócios, por exemplo.

Essa é uma deficiência estrutural de vários países, mas fica mais grave no Brasil, graças a alguns de nossos problemas históricos, como políticas públicas sem foco e sem continuidade de um governo para outro, e educação deficiente. Enquanto a sociedade não se organizar para trabalhar de maneira coordenada para o crescimento de todos, continuaremos vendo nossa produtividade caindo, tornando nossas empresas e nossos profissionais menos competitivos.

 

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Forte abraço!

Jackson Galvani

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