O novo ano para a classe média: Gaste com moderação em 2013 e se puder poupe mais para o futuro

2013 chegou e, como sempre, geramos expectativas positivas para o novo  ano, esperando que seja melhor que o que passou, e refletindo sobre as ações que temos que empreender caso as dificuldades vislumbradas se concretizem. O nosso cotidiano, no que tange às condições financeiras, é feito das receitas que recebemos e dos gastos ou custos que temos de arcar. É dentro desta perspectiva para a classe média que gostaria de dar minha visão neste Livre Pensar, tendo em vista a realidade que estamos vivendo. Afinal, o bolso é uma das “partes mais sensíveis do corpo humano”.

A crise mundial persiste, o Brasil tem crescido pouco e o governo tem tomado medidas visando combater as más noticias. Um dos remédios, o excesso de incentivo ao consumo pelo governo, foi positivo no combate à crise internacional, mas  aumentou o endividamento das pessoas, que assumiram custos com a aquisição da casa própria ou do carro novo, com a compra de TVs e geladeiras novas e reduzindo  a poupança de todos nós e do país.

Com a queda dos juros, reduziu-se também o ganho financeiro advindo da poupança que ainda restou, se restou.

Para incentivar o aumento do consumo, o governo também cortou impostos de muitos setores privilegiados, reduzindo sua própria poupança e sua capacidade de investir. E sem investimentos não há melhoria em infraestrutura, saúde, educação, segurança etc. Portanto, a classe média, além dos impostos, terá de arcar e pagar mais para ter tais serviços, se quiser o mínimo de qualidade – pura injeção na veia, ou melhor, no bolso.

Baixar os juros foi uma boa medida, mas seria mais eficaz se a inflação ficasse nos 4%, e não em 6%. Não podemos mais aceitar a volta da inflação, maléfica para todos, principalmente para os mais necessitados. E um povo que reconhece a necessidade de melhor distribuição da renda da sociedade não pode se dar ao luxo de ver a inflação crescendo ano a ano, num risco iminente. Os mais necessitados pagarão uma conta mais alta.

Pior ainda é ter uma inflação elevada com o PIB crescendo menos de 1%.

Fala-se na elevação  do  dólar  para a casa dos R$ 2,40 visando dar melhores condições aos exportadores. Mas isso também  impactará ainda mais a inflação, caso venha a acontecer. Os importados terão preços mais elevados, trigo, petróleo, automóveis e viagens internacionais, entre outros, ficarão mais caros, além de reduzir a entrada de novas tecnologias e a competição interna.

O salário mínimo subiu acima da inflação e isso é desejável, mas refletirá nos serviços e nos demais salários, que subirão na mesma proporção. Isso afetará  o custo para aquisição de carros, viagens, restaurantes, refeições executivas, mensalidades escolares, estacionamentos,  seguros de saúde, salões de beleza, serviços de entretenimento (cinemas, teatros), serviços domésticos, além de impostos municipais e estaduais em geral. Enfim, atingirá em cheio a classe média, a cada passo de seu cotidiano.

A Petrobras trabalha com seus preços congelados há bastante tempo e não vai resistir a isso, pois se quiser fazer investimentos maiores terá que aumentá-los. Estes aumentos  impactarão nos custos dos fretes das mercadorias, alimentos e outros itens básicos consumidos pela classe média. A cesta básica  ficará mais cara.

A  presidente Dilma anunciou uma positiva  redução nos custos de energia elétrica. Vamos torcer para que a seca e as termoelétricas  não subtraiam  parte deste ganho que a sociedade terá em 2013.

No Espírito Santo, com a perda do Fundap, com as incertezas dos royalties do petróleo e com as mudanças no ICMS, é provável que muitos dos novos prefeitos queiram aumentar as arrecadações de seus municípios, via aumento de taxas, impostos etc.

É  o caminho mais fácil e menos produtivo. O correto, na visão de uma boa gestão,  seria  trabalhar  exaustivamente para melhorar o uso  dos recursos públicos que administram, cortando gastos, reduzindo o empreguismo  e melhorando a eficácia de seus projetos. Deveriam implantar um bom planejamento para aquisições de materiais e produtos, contratação de serviços e obras, com  acompanhamento eficiente sobre a execução e entrega dessas obras, prestando assim contas da aplicação desses recursos aos seus munícipes. Deviam, por fim, dar ênfase total à educação de suas crianças e jovens, visando o futuro de sua terra.

Se do lado dos custos, gastos e despesas o ano promete trazer estas dificuldades, do lado da receita, a boa noticia é a baixa taxa  de desemprego, graças ao bônus demográfico que está beneficiando o país. Mas quem estiver bem empregado deve se esforçar para manter seu trabalho, mesmo que o desemprego esteja baixo, pois com o aumento dos salários, dos combustíveis, dos fretes, dos pedágios etc., as empresas ficarão com margens menores para fazer reajustes salariais.

Acredito que muitas dessas empresas terão mesmo de reduzir seus custos e evitar novas contratações, se quiserem enfrentar as dificuldades que estamos passando.

As melhorias só virão quando o país resolver claramente os seus problemas de queda de produtividade, o que não parece estar perto de acontecer, pois precisará de várias reformas e de corte nos custos e despesas na máquina governamental.

Dentro da classe média há um segmento que também será diretamente afetado pelo atual momento do país. Trata-se dos aposentados e pensionistas que dependem fundamentalmente de seus Fundos de Pensão, além é claro do INSS. Os Fundos de Pensão tem parte de seus ganhos advindos de suas aplicações financeiras e em bolsa de valores, e como a diferença entre a inflação e os juros está resultando num ganho real muito pequeno, e a bolsa de valores tem andado de lado ou mesmo provocado perdas e saídas dos pequenos investidores, fica claro que este segmento terá uma situação delicada para manter seus ganhos. Aqui nem é questão de complementação, mas o básico de suas vidas.

O Brasil está envelhecendo e os mais jovens têm de pensar bem sobre seu futuro, diante da nova realidade.

O controle dos gastos e dos custos é, portanto, essencial em 2013, pois temos de ter a consciência de que o Brasil está mudando muito, ficando melhor enquanto inclusão e renda, mas mais caro e mais difícil de se complementar ganhos sobre a poupança que fazemos. Enquanto não implantarem novas reformas para aumentar a produtividade do país, só nos resta manter tal controle.

Parodiando um comercial de bebidas, a sugestão é: gaste com moderação em 2013 e, se puder, poupe mais para o futuro.

Como diz Eduardo Gianetti em vários trechos de seu livro O valor do Amanhã, “A vida é breve, os dias se devoram e nossas capacidades são limitadas. Os recursos que podem satisfazer nossos desejos são limitados e não há como satisfazer o desejo de todos ao mesmo tempo. Alguns – os credores – aceitam postergar a realização de seus desejos para o futuro. Outros – os devedores – optam por realizar seus desejos agora (importando recursos do futuro) e pagar a conta depois. Esta alocação de recursos na linha do tempo gera um prêmio para uns e um custo para outros: os juros.

Os juros são, portanto, o prêmio da espera para quem aceita pagar agora e viver depois e o custo da impaciência para quem quer viver agora e pagar depois. A tensão entre presente e futuro – agora, depois ou nunca – é uma questão de vida ou morte que permeia toda a cadeia do ser.”

Esta não é uma questão para ser resolvida no tudo ou nada,  mas a pressa é inimiga da prosperidade.

Viva com otimismo o 2013, sem comprometer o seu futuro.

Abraços

Carlos Aguiar

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