Expectativas para 2017

Por Rodrigo Medeiros
Recentes pesquisas de opinião revelam que houve deterioração da confiança dos brasileiros para o futuro próximo. De acordo com o instituto Ipsos, 52% consideram a atuação de Michel Temer (PMDB) como ruim ou péssima. A pesquisa foi divulgada no dia 8 deste mês, antes, portanto, de se tornar pública a delação da Odebrecht.

Quando questionados, 60% disseram que estão preocupados e 89% acreditam que o Brasil está no rumo errado. O diretor do Ipsos, Danilo Cersosimo, atribuiu o resultado à crise de liderança: “a desaprovação aos políticos, de um modo geral, continua alta, bem como a desaprovação à figura do presidente Michel Temer e a sua gestão”.

Um levantamento do Datafolha, realizado entre 7 e 8 de dezembro, mostrou que a percepção da população sobre a economia se deteriorou. O aumento do desemprego é esperado por 67% e 59% opinaram que irá diminuir o poder de compra. A gestão Temer é pior do que a anterior para 40% da população, sendo que apenas 21% a consideram melhor.

Do ponto de vista econômico, a confiança do empresário é a demanda por produtos e serviços e a confiança do trabalhador é o emprego. Afinal, de onde virá a rápida retomada do crescimento brasileiro? O gasto público enfrenta a perspectiva de contração e as exportações de bens, que são majoritariamente baseadas em commodities, não representam canais para essa retomada.

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Uma matéria do jornal “Folha de S.Paulo” (5/12/2016), assinada por Érica Fraga, afirma que a renda média do brasileiro corre o risco de cair por quatro anos consecutivos. Estimativas de crescimento para 2017 estão sendo reduzidas no Brasil. Há quem projete um crescimento de 0,3% para o próximo ano, mas há ainda quem estime a ausência de crescimento.

Segundo ponderou a matéria citada, “a sensação negativa da crise atual para a população pode estar sendo mais intensa porque o recuo da renda foi acompanhado por um salto forte e rápido do desemprego”. Para o economista Marcelo Neri (FGV), escutado pela matéria, “o brasileiro está devolvendo parte dos ganhos de renda que teve nos anos anteriores à recessão”. O Brasil é ainda um país de renda média e possui um elevado grau de desigualdade social.

Desde o fim de 2014, o viés contracionista do ajuste macroeconômico brasileiro buscou oferecer a perspectiva de uma rápida recuperação da confiança dos agentes econômicos através de uma espécie de “austeridade expansionista”, tão criticada por Krugman, Stiglitz e outros conhecidos economistas que consideram a importância dos multiplicadores fiscais. Em 2015, a economia brasileira afundou em consonância com a crise política. Nesse sentido, a crise institucional vigente é preocupante.

Rodrigo Medeiros é professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

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