PÁTRIA AMADA

Na noite de ontem, quando me recolhia, pensei o quanto seria muito bom, se no dia da Pátria, amanhã (hoje), ao alvorecer, fôssemos despertados pelos mais de duzentos milhões de vozes da brava gente brasileira cantando feliz, alto e em bom som: “Já podeis da Pátria, filhos, ver contente a mãe gentil, já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil”…

Trata-se do “Hino da Independência”, cuja composição data de 1822, mesmo do evento comemorado.  A música foi composta por D. Pedro I ao piano, tem letra da lavra de Evaristo da Veiga, poeta, jornalista, livreiro, que com esta oportunidade notabilizou-se, ficou na história.

O ritmo e a melodia exprimem o orgulho possuído pelos autores por tão ditoso acontecimento. É um sentimento comum que pode tomar uma pessoa e mesmo uma nação que vê no que celebra, esperança de dias melhores.

“Já raiou a liberdade”, somos livres, podemo-nos unir para construir juntos a Pátria que queremos, para que nossas riquezas não sejam levadas para além das nossas fronteiras, privando do bem estar que delas advêm, seus verdadeiros donos.

Entre os versos, neste particular momento, o que mais me diz é: “Brava gente brasileira”, que vá para longe o temor servil, que você assuma sua responsabilidade, cumpra seu dever, ocupe cada cantão ou pedacinho do chão que lhe pertence, não deixe que alguns poucos a usurpem tornando-se biliardários, (tri…) enquanto a base da pirâmide alcança sempre maiores e mais desastrosas dimensões, onde a falta de políticas públicas relega os direitos que devido a sua importância denominam-se fundamentais, sobrepõem-se e devem ser respeitados mais que quaisquer outros.

Este dia da Pátria neste ano, nos coloca a um mês das eleições que  representam uma hora mágica nas nossas vidas, de todos os povos. Tudo que é nosso em comum, nossas riquezas, nosso futuro, nossas próprias vidas. Vamos eleger aqueles aos quais entregaremos a gestão da coisa pública e dos quais esperamos competência, honestidade, altruísmo, sinceridade e todas as virtudes que o exercício do mandato requer. Já cansamos de tantos mentirosos, de demagogos, de tanta desonestidade, de tanta barganha, do ultraje do poder, de tanta imoralidade que acaba por levar o homem a ter vergonha de ser honesto, como afirmou Ruy Barbosa em seu discurso, “Oração aos Moços”, como paraninfo da turma de 1920, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, São Paulo. Há quase cem anos.

Passado todo este tempo, a nação ainda não aprendeu. Na época de eleição, escolhe o mais populista, ou que tem mais dinheiro para pagar um bom marqueteiro e o unge como “o cara”, mas depois não vigia o que ele faz, não cobra como é seu direito e dever as promessas feitas na campanha, omite-se e ainda “paga dobrado e perde calado”.

Só se exibe brasilidade no ano da copa do mundo de futebol, quando seus carros trafegam ornamentados com bandeiras do Brasil que bailam ao sopro do vento. Portam uma camisa amarela, que corresponde ao ouro como representa nossa Bandeira, ouro que é nosso, mas que às nossas mãos nunca chega.

“Nosso peito, nossos braços são as muralhas” da Pátria, é preciso saber erguê-las não deixando passar quem não merece. É preciso estar atento para os tapinhas nas costas, os sorrisos que só se abrem no tempo de campanha, verdadeiros “astutos ardis” que nos cegam, quem sabe, absurdamente comovem.

Deixo tudo aqui como pista para quem quiser valer-se dela e encontrar nos sábios dizeres do poeta, uma riqueza imensa por toda letra do belíssimo e magistral hino. Este artigo viraria “um tratado” se me ocupasse de todas.

Que este dia da Pátria, seja um dia novo. O primeiro dia do resto de nossas vidas como gente que pela Pátria é capaz de “desafiar a própria morte”.

Este pais continente, “com tanta fartura, tanta paz e tanto amor” não seja negado a ninguém e quem se sentir lesado, não se amofine na resignação e lute pelo que é seu.

“A terra é dom de Deus e os frutos que ela produz são de todos”. (Zumbi dos Palmares).

 

Marlusse Pestana Daher

                Escritora, poetisa, acadêmica presidente da Amaletras, promotora de justiça aposentada.

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