Vibrador: ter ou não ter? Eis a questão!

“Não quero que ninguém saiba que tenho um vibrador”

“Quero um vibrador discreto, meu marido não pode saber que uso”

Em pleno século XXI essas frases são bem comuns, infelizmente. E o pior ainda, muitos homens se sentem ameaçados por um vibrador por causa do seu machismo. Sendo que existem indicações médicas e terapêuticas para o uso deles, vamos lá entender um pouco melhor…. uma história fictícia baseada na ciência:

“Vou tentar explicar de uma forma mais lúdica, mas a história toda não é assim tão simples, bem não poderia ser diferente afinal de contas ele sempre foi além para alguém da sua época, mas a história do vibrador começa com ninguém menos que Sigmund Freud (sou fã dele). No final do século 19, foi descoberto uma doença causada por algum problema relacionado ao útero feminino, esse doença era a histeria (no popular, doença nervosa caracterizado por um comportamento agressivo, desmaios, excessiva emotividade ou por um terror pânico). Agora imagina naquela época, uma mulher falando alto, rindo de gargalhar, tendo crise de choro, ou totalmente agitada.

Com ctz, Freud estava intrigado pesquisando os “tais” sintomas sem razão aparente que surgiam na grande maioria dos casos, em mulheres. Ele juntamente com Charcot (hipnólogo), fizeram muitos testes com mulheres diagnosticadas com histeria na época. Freud mostrou que a histeria estava muito mais relacionada com o psicológico dessas mulheres, do que com o físico, pois quando as mulheres eram hipnotizadas, as crises paravam, e quando voltavam para o normal, as crises voltavam, ou seja, era só a pessoa ficar em estado alterado mentalmente, que o problema cessava. Se o problema fosse realmente só físico, era para a pessoa continuar tendo ataques, mesmo hipnotizada.

Creio eu, que em uma outra conversa com um outro médico amigo Mortimer Granville, sobre suas pesquisas com as pacientes histéricas, Freud deve ter comentado sobre a relação teórica que começava a se estruturar em sua mente sobre as questões íntimas das pacientes histéricas e sua relação com a sociedade opressora da época. Pois o tratamento consistia em massagear o útero, e isso só era possível através da penetração com o dedo na vagina, e assim o útero era estimulado. Creio que acidentalmente a grande maioria das mulheres chegavam ao orgasmo – “paroxismo histérico”. Mais curioso, é que o médico percebia que o sintoma aparentemente desaparecia logo após o tal suspeito episódio. E Freud foi informado de tal acontecimento, que o orgasmo da mulher havia libertado o sintoma temporariamente, a partir daí, dizem que Freud quando atendia suas pacientes com problemas de mau humor, ou com sintomas histéricos (atualmente conhecido como “piti”), era comum em suas anotações escrever “P.N.”, ou seja “Penis Normalis”, que queria dizer que essas pessoas precisavam eram ter relações sexuais. O problema é que a propaganda boca-a-boca da época pois o tratamento de Granville consistia em massagear o útero, e isso só era possível através da penetração com o dedo na vagina, e assim o útero era estimulado tinha que massagear os genitais de suas pacientes o dia inteiro para que elas pudessem chegar ao orgasmo.  Parece mentira, mas creio que foi mais ou menos isso que aconteceu e daí o vibrador foi inventado, como uma forma de tratamento para as mulheres.”

E sabendo que no clitóris existem cerca de 8 mil terminações nervosas, enquanto na glande os homens tem um pouco menos que a metade, podemos afirmar que as mulheres são muito mais orgásticas que os homens, e o não “escoamento” de todo esse tesão (pulsão sexual), pode causar dentre outras coisas, a histeria. Vou mais além, o orgasmo feminino não era reconhecido devido ao machismo de não enxergar a mulher como um ser capaz de expressar seus desejos e satisfações sexuais.

O problema e a discriminação para muitas pessoas começou a surgir quando a informação sobre o uso dos vibradores começou a ser deturbada por filmes pornográficos que subverteram essa ideia. Com isso, a imagem do vibrador ganhou uma conotação negativa na sociedade. O vibrador deixa de ser usado e comercializado com finalidade terapêutica e passa a ser vulgarizado devido a sua erotização e substituição do pênis. O vibrador retornou nos anos 60, junto com o conceito de orgasmo visto como prazer, com a revolução sexual feminina que mostrava que o sexo não era mais visto única e exclusivamente como função reprodutora, mas sim um direito feminino de se ter prazer.

A partir daí vibrador passou a ser vendido como acessório sexual, em vez de instrumento médico. O pior de tudo é que muita gente acredita que o vibrador é utilizado e só pode ser utilizado para substituir a relação sexual com uma pessoa, o que é um erro. O vibrador é indicado até em psicoterapias, pois no “…autodescobrimento sexual, reeduca se o paciente a se olhar com um espelho, descobrir sua anatomia pélvica, e sentir as características do seu toque, incluindo ritmo, pressão e velocidade…”, Cordili cita em seu livro sobre Psicoterapia, ainda que artefatos como vibradores podem ser benéficos neste momento.

O uso terapêutico do vibrador é baseado no princípio de relaxamento da musculatura do assoalho pélvico – MAP (períneo) e melhora do fluxo sanguíneo na região. Consequentemente, faz um aumento da sensibilidade na área genital, melhorando o prazer sexual e orgasmo, tanto em homens como em mulheres. O relaxamento desta musculatura da MAP causa redução ou até mesmo cura de dores durante a relação sexual. Muitas mulheres sentem dor no início da penetração ou durante as relações sexuais devido a musculatura estar tensionada e rígida.  Muitos fisioterapeutas pélvicos (ou uroginecológicos) costumam indicar alguns vibradores para tratar seus pacientes (cada um com sua particularidade), aliando à exercícios específicos de contração e relaxamento da MAP. Com consequente melhora na força muscular do assoalho pélvico.

Lembrando que o uso isolado do vibrador não irá fortalecer o assoalho pélvico nem prevenir incontinência urinaria (perda de urina) ou mesmo prevenir incontinência fecal (perda de fezes), ou prevenir prolapsos (descida dos órgãos pélvicos, a exemplo da “bexiga baixa”). Para fortalecer o assoalho pélvico e prevenir os problemas citados são necessários exercícios específicos que o fisioterapeuta pélvico irá prescrever. O vibrador por si só não tem esse “poder” todo!

Mas agora falando da sua mais conhecida função a de ser um brinquedo recreativo, os vibradores, podem ser usados para excitação com ou sem penetração. Existem diversos modelos, com o formato de pênis, dedos, língua, frutas e outros específicos para uso clitoriano em forma de borboleta, coelhos, existem os sugadores, entre outros. O importante é que seja de textura agradável ao toque. Os melhores imitam a pele, sem saliências rústicas e fáceis de limpar. São mais agradáveis quando usados com lubrificantes. Não há vibradores que possam viciar ou causar danos à saúde, e muito menos substituem o parceiro sexual, sendo um objeto de estimulação do casal, pois não é a área de estímulo sexual que determina a orientação sexual das pessoas.  Nesse caso a relação sexual é “apimentada”, se tornando mais divertida e prazerosa.

E você já tem o seu? Se não, não sabe o que está perdendo….

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