Funcionalidade e segurança no ambiente hospitalar

Por Kenia Leone, arquiteta

A melhor forma de garantir segurança para um paciente é pensar que ele não está na casa dele. E sim que ele precisa de um ambiente para tratar a saúde dele.

Mesmo que não seja bonito, o paciente tem de se contentar que todos os materiais na construção de um hospital são pensados para que ele consiga caminhar sem cair. Que, se escorregar, não encontre quinas onde pode bater e se machucar. Que não tenha 50 móveis que dificultam a limpeza. E, principalmente, que ele tenha acesso à saúde.

Hospital, para ser seguro, passa por arquitetura que pensa em termos de revestimento, em chamadas de enfermagem ao lado da cama e no banheiro, camas elétricas em que o paciente não precise descer do leito usando escadinha, banheiros seguro para a hora do banho…

Eu faço hospitais utilitários. Ou seja, projetos bem resolvidos e elaborados a nível de função, logística e segurança.

Trajetória

Desde criança, eu quis fazer arquitetura. Despertava o meu interesse quando eu via stand de vendas na minha rua com as maquetes dos prédios que seriam construídos.

Paralelo a isso, também sempre me interessei por tudo relacionado à medicina e o espaço hospitalar sempre me encantou.

Lembro que as pessoas diziam que não gostava de ir ao hospital, pois se sentiam mal. Eu, pelo contrário, me sentia bem.

Quando visitava alguém no hospital, como criança e adolescente, eu observava e analisava tudo. Olhava através de cada porta aberta e me encantava mais ainda.

Nessas minhas idas, eu pensava em como poderia fazer o hospital para as pessoas gostarem de estar lá, na medida do possível.

Já durante a minha faculdade de arquitetura, nos meus cinco anos de estudo, nunca foi citado trabalhos em hospital ou clínica. Na época, não tinha nenhuma informação sobre isso.

Tive que procurar por conta própria e me informar sobre como fazer um projeto de hospital. No meu estágio obrigatório, procurei o departamento de obras da Golden Cross, no Rio de Janeiro, que é de onde sou e foi onde estudei.

Nesse departamento, teria possibilidade de conhecer sobre projetos e andar nos hospitais. Foi onde tudo começou e fiquei quase um ano estagiando. Depois procurei fazer cursos em associações ligadas a hospitais.

Quando me formei, eu vim para Vitória para fazer um projeto que não era de hospital. Em 1992, me encantei pela cidade e conheci um médico do Hospital Evangélico. Ele comentou que estavam precisando fazer a reforma do centro cirúrgico e não conhecida nenhum arquiteto que tivesse conhecimento em arquitetura hospitalar. Falei da minha experiência e me prontifiquei a fazer o projeto.

O Evangélico foi o meu primeiro trabalho na área. Comecei pela ampliação do centro cirúrgico e depois fizemos outras obras no hospital.

Na época, não tinha dada na literatura sobre arquitetura hospitalar. Ainda hoje é muito fraco, mas já existem vários cursos.

Toda a minha base e conhecimento foram adquiridos ao longo de 30 anos de vivência de campo. Construí minha experiência viajando e conhecendo hospitais no Brasil e no exterior.

De tudo que conheci até hoje, o modelo de hospital que mais gostei foi da França. Lá não tem essa perfumaria que brasileiro gosta. Aqui se fica tão preocupado de fazer o hospital parecendo com a nossa casa que acaba tornando o ambiente muito pouco seguro.

Sobre a arquiteta

Com cerca de três décadas de experiência na arquitetura, Kenia Leone se aprofundou em construções hospitalar. Iniciou sua jornada na área a partir de uma busca ativa por conhecimento, que desenvolveu a partir da sua vivência profissional. Natural do Rio de Janeiro, vive no Espírito Santo desde o início da década de 1990 e, por aqui, se tornou referência na arquitetura hospitalar.

*O Inside é uma área reservada para que profissionais compartilhem conosco suas visões e trajetória na arquitetura.

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