Combate à pandemia: conheça os 'heróis de jaleco' que lutam contra a covid-19

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Combate à pandemia: conheça os 'heróis de jaleco' que lutam contra a covid-19

De suma importância para a atenção da população, estes profissionais também precisam de atenção

Foto: Reprodução / TV Vitória

Além do esforço constante e de suma importância em qualquer época do ano, nos últimos 10 meses, o trabalho dos profissionais de saúde ganhou um forte agravante: a pandemia do novo coronavírus. A função que antes era caracterizada pelo cuidado, ganhou aspecto de batalha, uma batalha diária e que, infelizmente, ceifou milhares de vida em todo o mundo. Com a chegada da vacina contra a covid-19, esses profissionais ganham um reforço a mais, pois  estão no grupo prioritário e devem ser imunizados ainda em janeiro.

Fernanda, Otílio, Danielle e Jéssica: quatro pessoas diferentes, mas com um inimigo em comum: o coronavírus. A enfermeira Fernanda Effgen lida com pacientes  sempre com equipamentos de proteção, mas ela conta que a chegada desta vacina em específico traz um sentimento de esperança. "Para mim, a vacina não é vacina, é esperança, é uma esperança que a gente tem com a vacina, ter a nossa liberdade novamente", disse.

O médico Otílio Canuto também compartilha do mesmo pensamento de Fernanda. "A gente vê que é uma esperança de dias melhores porque nós aqui estamos passando dias difíceis, então para nós é uma esperança", contou.

Até o momento, o estado já recebeu mais de 101 mil doses do imunizante. A meta é que o primeiro grupo vacinado seja composto por cerca de 48 mil capixabas, e esses quatro profissionais estão entre os primeiros na fila da imunização.

Mas de verdade, a primeira pessoa a ser vacinada contra a covid-19 no Espírito Santo foi a dona Iolanda Brito, de 55 anos. Ela, que é técnica de enfermagem, está inclusa no grupo prioritário e se encontra protegida para esta batalha.

Além da proteção, do cuidado, e da luta constante contra a covid-19, estes profissionais ainda tiram um tempo para dar conforto aos pacientes, mesmo vivendo em tamanha solidão e isolamento. A enfermeira Jéssica Gama atua na UTI do Hospital Evangélico, referência para o tratamento da covid-19 em Vila Velha, e lembra que chegou a se emocionar no momento em que um idoso pediu para segurar a mão dela.

"Um momento marcante para mim, foi até recentemente em uma UTI. O paciente perguntou quem iria passar a noite com ele. Naquele dia ele estava com saudade da família, estranhando o ambiente. Por ser idoso, a gente teve que fazer um revezamento para segurar a mão dele e só naquele momento que ele se sentia confortável em fechar o olho, descansar e dormir um pouquinho", contou a enfermeira aos prantos.

Apesar do sofrimento, estes guerreiros que estão na linha de frente da pandemia também têm histórias com final feliz para lembrar. Como o caso da paciente centenária que ganhou uma nova chance ao receber alta médica do hospital. "Ela teve alta da UTI e foi um momento muito feliz para toda a equipe e acredito para toda a população e que deu um ar de esperança que dias melhores virão".

"Para nós, a chegada da vacina é a luz no fim do túnel. Essa é a sensação, que no meio de tantas notícias ruins chegou a vacina, não que a gente tenha que deixar de tomar os devidos cuidados de usar máscara, higienizar as mãos e manter o distanciamento, mas é a luz no fim do túnel, é a esperança que a gente precisava, é o gás, é a notícia que deixa todo mundo feliz", disse Jéssica.

Juliana é técnica de enfermagem e tem contado os dias para receber a tão sonhada dose da vacina contra a covid-19, pois com tristeza ela lembra que não teve a possibilidade de se despedir da própria avó devido à pandemia.

"Eu fico até emocionada porque eu fiquei sem ver minha avó há meses por causa da pandemia, ela chegou a ir a óbito, mas não por causa da covid, mas eu não tive a oportunidade de ver minha avó", lembrou a técnica.

A vacina traz uma nova energia para os profissionais que, mesmo com pensamentos positivos e muita garra, não conseguem escapar dos momentos dolorosos ao terem que se despedir de mais um paciente, é o que conta a assistente social Daniele Freitas.

"Há duas semanas, a gente teve uma paciente jovem, 35 anos. Antes de ser entubada, ela pediu para conversar com o esposo, ver os filhos e ela pedia para cuidar dos filhos, o marido insistia que ela iria voltar e infelizmente ela não voltou", contou.

Presentes nos hospitais, nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA's), nos Pronto Atendimentos, nas clínicas e nas unidades básicas de saúde, este time de trabalhadores que sempre está cuidando do outro, também necessita de cuidados. De acordo com o painel da covid-19 do Espírito Santo, até o momento mais de 24 mil profissionais de saúde foram infectados pela doença e até a última segunda-feira (18), 61 profissionais perderam a vida para o coronavírus.

Técnicos, enfermeiros e médicos, como a ginecologista Ednildes de Almeida, como o doutor Sebastião Marcos Pimentel, o professor e obstetra Horácio Lacerda e o endoscopista Marcos Mantelmarcher, que foi companheiro de trabalho do médico Otílio Canuto.

"A gente viu um colega nosso que cerca de três ou quatro dias atrás estava muito bem, trabalhando, trouxe paciente para o hospital e a gente vê ele depois desses quatro dias dentro de uma UTI, entubado, vivenciando tudo aquilo que ele não queria e que ele lutou tanto, era profissional do Samu, salvou muitas pessoas é lamentável", disse o médico.

A partir de agora, esses profissionais podem continuar a missão de combate à pandemia contando com uma proteção extra, além dos cuidados já necessários. Nessas horas, a força precisa ser ainda mais trabalhada entre esses profissionais que trazem acalanto às famílias dos pacientes e que precisam segurar a saudade que tanto sentem da própria família.

"Cada chegada de plantão para a gente hoje no hospital é com o coração na mão para tentar rever aquele paciente que você atendeu, que você acalmou, que você atendeu a família na esperança de que ele ainda esteja aqui".

* Com informações do repórter Michel Bermudes, da TV Vitória/Record TV.