Secretário diz que não há risco de novas cepas se espalharem no ES com chegada de pacientes do AM

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Secretário diz que não há risco de novas cepas se espalharem no ES com chegada de pacientes do AM

Nésio Fernandes disse que há poucas chances de contaminação em ambientes hospitalares e que Estado não pode se negar a oferecer ajuda aos amazonenses

Foto: TV Vitória

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirmou que a transferência de pacientes do Amazonas, infectados com o coronavírus, para o Espírito Santo não representa riscos para que novas variações do vírus comecem a circular em território capixaba. Na última quinta-feira (14), o governador Renato Casagrande disponibilizou 30 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI's) no estado para receber esses pacientes.

Durante entrevista coletiva, realizada na manhã desta sexta-feira (15), o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, ressaltou que a transmissão do vírus dificilmente ocorreria dentro do ambiente hospitalar, uma vez que os profissionais estão devidamente paramentados, justamente para evitar essa contaminação.

"Há um controle sobre o paciente que está internado e dificilmente ele transmite essa doença para alguém que está circulando naquela estrutura hospitalar. A transmissão se dá diferente. Ela se dá na circulação das pessoas, antes do adoecimento, quando ela se dirige de uma cidade para outra, de um estado para outro, de um país para outro. Nessa circulação é que nós não conseguiríamos jamais fazer a contenção da transmissão de qualquer agente patógeno, como é o vírus que transmite essa doença", disse Reblin.

O secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, reforçou o discurso de Reblin. "Dentro do ambiente hospitalar, os trabalhadores da saúde estão devidamente paramentados, equipados. Nós temos uma prova concreta de que, dentro do ambiente hospitalar, com o devido e correto uso dos equipamentos de proteção individual, há um risco de transmissão menor do que em outros contextos. Então, as EPI's protegem as pessoas. E toda a rota de transferência e remoção desses pacientes é estabelecida em ambientes seguros, com profissionais devidamente paramentados", destacou.

"Então não deve haver nenhum tipo de receio, medo, por parte da população, na transferência desses pacientes. Temos que expressar, neste momento, solidariedade e garantir, com segurança, o acesso desses pacientes ao serviço de saúde. Nós temos irmãos brasileiros que estão em grave crise, estão precisando de oxigênio para respirar e não é aceitável que um estado que tenha condições de receber esses pacientes se recuse a recebê-los. Existem condições de segurança capazes de permitir uma remoção segura deles e que nenhum trabalhador que atenda os mesmos se infecte com qualquer variação do vírus", completou Nésio Fernandes.

O secretário frisou ainda que uma possível chegada de uma nova cepa do coronavírus ao Espírito Santo poderia acontecer de outras formas, uma vez que a circulação de pessoas dentro do país é livre. "Nós temos no Brasil um contexto de franca transmissão comunitária. A malha aérea do país está toda restabelecida. Nós temos uma circulação livre, aberta, entre todos os aeroportos do Brasil. Seria uma ingenuidade acreditar que, em todo o país, não estejam circulando diversas cepas do vírus, na transmissão comunitária", afirmou.

Opinião diversa

Já o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, tem uma opinião um pouco diferente dos representantes da Secretaria de Saúde do Espírito Santo sobre os riscos de se transferir pacientes do Amazonas para outros estados brasileiros. Em entrevista ao Estadão, o especialista afirmou que a chegada dos pacientes de Manaus a outros estados pode representar uma proliferação de novas cepas do vírus para todo o país.

Para ele, a nova variante do coronavírus, identificada em turistas japoneses após viagem à Amazônia, é a explicação mais plausível para a explosão atual de casos no estado do norte do país. "Essa disseminação que estamos vendo só pode ser porque ela se propaga muito mais rapidamente que todas as 11 variantes que circularam antes. E a pior consequência é a possibilidade de se ela disseminar Brasil afora. Estamos mandando o vírus para outros Estados", afirmou.