Lama da Samarco deixa mais de três toneladas de peixes mortos no Rio Doce

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Lama da Samarco deixa mais de três toneladas de peixes mortos no Rio Doce

Pesquisadores afirmaram que a causa da morte não é a contaminação do rio e sim devido à falta de oxigênio que a presença do rejeito da barragem provoca na água

Mais de três toneladas de peixes morreram no Rio Doce após a lama Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

Os impactos causados pela lama com rejeitos de minérios que escoou no mar pelo Rio Doce após o rompimento das barragens no município mineiro de Mariana começaram a ser avaliados. Nesta sexta-feira (05), os pesquisadores divulgaram as primeiras análises feitas nas águas do Rio Doce e do mar, na foz do rio.

Mais de 600 amostras foram coletadas em vários pontos da foz do Rio Doce e também do mar. Segundo os pesquisadores, três toneladas de peixes morreram no rio e outros 500 kg no mar, próximo à sua foz. 

A causa da morte dos animais, entretanto, não é a contaminação do rio e sim a falta de oxigênio que a presença do rejeito da barragem provoca na água. “Por serem resíduos muito finos, houve uma queda total de oxigênio”, explicou Joça Tomé, coordenador do Instituto Chico Mendes (ICMBio) no Estado.

Outro fato que chamou a atenção dos estudiosos foi a grande redução na diversidade de espécies de algas, o principal alimentos dos peixes. De acordo com o pesquisador Alex Bastos, a diminuição pode desequilibrar o ecossistema a longo prazo.

A pesquisa mostrou, ainda, que quantidade de partículas de ferro, alumínio, cromo e manganês na água atualmente é três vezes maior do que o máximo já verificado antes. Os estudiosos realizaram três viagens para coletar as amostras: duas no navio de pesquisas da Marinha do Brasil outra numa embarcação do Instituto Chico Mendes.

Sem prazo para acabar

Há três meses os pesquisadores iniciaram as análises do material e ainda serão precisos outros seis meses para a concluir desse primeiro estudo. No total, 40 pesquisadores da UFES, do Instituto Estadual do Meio Ambiente e do ICMBio participam do monitoramento da região, por tempo indeterminado. 

Para os estudiosos, ainda não é possível calcular quanto tempo vão durar os impactos no rio e no mar e nem como os ecossistemas serão transformados.