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China: novo regulador bancário terá desafio de controlar crédito de risco

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China: novo regulador bancário terá desafio de controlar crédito de risco

Pequim - O novo regulador bancário da China enfrenta o desafio de controlar práticas de empréstimo e financiamento de maior risco dos bancos do país. Guo Shuqing, que até quinta-feira era o governador da província chinesa de Shandong, na sexta-feira sucedeu a Shang Fulin, que está se aposentando, como presidente da Comissão Reguladora Bancária da China, de acordo com funcionários do órgão.

Guo, um ex-banqueiro e ex-regulador de valores mobiliários, assumiu o comando da comissão na sexta-feira de manhã, disseram altos funcionários do Partido Comunista. Ele reconheceu os riscos do setor bancário chinês de US$ 34 trilhões e prometeu fazer "um bom trabalho" de regulação, conforme um dos funcionários.

Esse trabalho ficou mais difícil desde que Guo liderou a reorganização de um dos maiores credores estatais da China, o China Construction Bank, há uma década. Graças a anos de liberalização financeira, bem como de crescimento econômico, o setor bancário da China hoje é muito maior e mais complexo. O setor agora está lidando com questões que poderiam representar maiores riscos sistêmicos, dizem muitos analistas e investidores. Em particular, os bancos chineses tornaram-se mais criativos em esconder riscos e maquiar seus livros contábeis em uma tentativa de continuar se expandindo.

Grande parte do crédito recente fluiu para a habitação e ativos especulativos, resultando em bolhas que o governo está tentando conter. Por exemplo, as hipotecas residenciais atingiram um recorde de 5 trilhões de yuans (US$ 729 bilhões) no ano passado, representando quase 40% do total de novos empréstimos, segundo dados oficiais.

Os bancos também se tornaram mais interligados com os chamados credores sombrios. Muitas vezes, os bancos, especialmente os de pequeno e médio porte, se associam com corretoras e outras instituições financeiras para transferir empréstimos arriscados para fora dos balanços, reempacotando-os como investimentos de alto rendimento. Economistas do banco suíço UBS Group estimam que cerca de 22 trilhões de yuans estavam "desaparecidos" da medida mais ampla de crédito divulgada pelo banco central da China no ano passado, contra 16,5 trilhões de yuans em 2015.

Bancos chineses também dependem cada vez mais de capital de curto prazo emprestado de outros bancos, em vez de usar depósitos, que tendem a ser mais estáveis, para financiar esses empréstimos deslocados dos livros.

Uma preocupação importante para a China reside no potencial de aumento do default de empréstimos e crédito, fazendo com que os bancos deixem de fornecer crédito uns aos outros, o que poderia desencadear uma crise de crédito, dizem analistas.

Os reguladores financeiros chineses, incluindo a comissão bancária e o banco central, buscaram reprimir as práticas dos bancos de tirar empréstimos do balanço impondo regras que poderiam forçar bancos e outros credores a aplicar padrões de contabilidade mais rigorosos. Mas, até agora, dizem os críticos, as autoridades têm se mostrado relutantes em ser mais rígidas, temendo que isso possa abalar o sistema bancário e prejudicar o crescimento econômico.

Embora Guo na sexta-feira tenha sinalizado a possibilidade de uma supervisão mais dura, resta saber se o regulador bancário fará um trabalho melhor do que sob seu predecessor, disseram analistas e autoridades. Como outros reguladores, o chefe do órgão de supervisão bancário responde em última instância à liderança do Partido Comunista da China, o que significa que seus funcionários devem ajustar as políticas em torno da visão do partido para o setor bancário, criando um choque potencial com seus deveres de proteção contra riscos. "Reguladores colocam muito peso na estabilidade de curto prazo em vez da sustentabilidade a longo prazo do sistema bancário", disse Liao Qiang, analista bancário chinês da Standard & Poor's. "Eu não vejo uma mudança importante dessa mentalidade."

Outro desafio para Guo é que a comissão bancária e os reguladores que supervisionam as indústrias de valores mobiliários e seguros, bem como o banco central, muitas vezes agem de forma isolada e, por vezes, até mesmo com fins contraditórios. Guo não pôde ser localizado para comentar o assunto. Fonte: Dow Jones Newswires.