Como os pais e educadores podem ajudar no processo de transição escolar

ESPECIAL EDUCAÇÃO 2021

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Como os pais e educadores podem ajudar no processo de transição escolar

A mudança de série demanda ainda mais atenção e o apoio da família torna-se essencial, ainda mais durante a pandemia do novo coronavírus

Thaiz Blunck

Redação Folha Vitória
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Gabriel Monteiro Toze, aluno da Coopesma, em aula remota

A transição escolar é marcada por mudanças e desafios para alunos, pais e educadores...afinal, mudam o espaço, os horários, os colegas e os professores. As preocupações começam já no início da vida escolar, quando já é imposta uma separação da criança com sua família. 

Depois vem o Ensino Fundamental,  com atividades mais intensas e cobranças...a cada nova etapa, mais exigências, novidades e inseguranças. Agora, imagina essa mudança em plena pandemia? Desafio dobrado para todos!

No atual cenário, onde a educação passou por uma grande reformulação e os alunos ficaram diante de uma situação inesperada, o acolhimento é ainda mais importante. A psicóloga, doutora em Avaliação Psicológica, da 3GEN Consultoria e Gestão Estratégia, Marina De Cuffa, ressalta a importância do envolvimento da família nessa transição.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Marina De Cuffa
“Neste momento inicial, por ser adaptação a esse novo cenário, é esperado que muitos não estejam muito animados. Uma dica importante para as famílias é ter um pouco mais de compreensão, acolhimento nesse momento de retomada, justamente porque passamos praticamente um ano todo afastados desse ambiente. Acho que, principalmente no ensino fundamental para o médio, vamos precisar ter um pouco mais de paciência", orienta.

Quem vive essa etapa citada pela especialista é o Gabriel Monteiro Toze, de 14 anos. Ele está no ´primeiro ano do ensino médio da Cooperativa Educacional de São Mateus (Coopesma), ou Escola Alternativa Lago dos Cisnes, localizada em São Mateus, no Norte do Espírito Santo.

"Em 2020 estudamos online durante todo o ano. Como eu estava no fundamental, a gente achava que no ensino médio ia ser bem mais difícil, mas a transição está sendo tranquila até o momento. Agora, estamos revisando os conteúdos do ano passado. Estamos no ensino híbrido, mas estamos conseguindo uma boa adaptação", contou.

De início, a adaptação ao novo modelo de ensino não foi tão fácil para o Gabriel, ele teve dificuldades com as aulas online, mas se dedicou e superou as dificuldades. "Agora eu espero que seja um ano bem tranquilo, que a gente consiga aprender tudo o que não aprendemos. Eu estou com expectativa boa, principalmente por já está na escola presencialmente, mesmo que em semanas alternadas. É bem melhor". 

No caso dos alunos da 3ª série do Ensino Médio, a direção da Escola Alternativa Lago dos Cisnes optou-se pelas aulas 100% presenciais, com divisão em dois grupos. Essa medida foi adotada devido às atividades que os jovens realizam nesta fase, como o Enem e os vestibulares.

Transição na educação infantil

O Vitor Cassaro Bozzetti, que está no 1º ano do Ensino Fundamental, também passou por essa fase de transição escolar. Ele, que é aluno da Cooperativa Educacional de São Gabriel da Palha (Coopesg), saiu do maternal para a primeira série da Educação Básica em plena pandemia. A mãe, Lara Rigo Cassaro Bozzetti, conta que o momento foi desafiador, mas de grande aprendizado para todos da família.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
 Vitor Cassaro Bozzetti, aluno da Coopesg

"Descobrimos que poderíamos, sim, trazer a escola para dentro de casa. Assim, com muito carinho e conteúdo, abrimos as portas de casa para o novo. A escola e professores não mediram esforços para estar, de uma forma eficaz, inovando de longe para agradar às crianças e deixá-las sempre mais próximas da escola. Mesmo com toda mudança e dificuldade, digo, por parte de nós pais que tivemos que reaprender, nos dedicar e fazer valer a pena esse ano atípico. Percebemos que tivemos um ano escolar com muito conteúdo e desenvolvimento na aprendizagem dele", conta Lara. 

Foi na pandemia, aliás, que o Vitor aprendeu a ler. A mãe destaca que isso fez com que ela e o pai, Edvagner Lorenzoni Bozzetti, percebessem que foi possível ter um ensino eficaz e positivo, mesmo diante de um cenário inédito. 

"Hoje , no 1⁰ ano , o Vitor está seguro e feliz de poder voltar para escola. Além do desafio de mudar de sala, das matérias aumentarem e mudança na rotina de brincadeiras, ele está encantado e encarando muito bem essa nova fase. Ele está pronto para avançar e continuar aprendendo. Todo esforço e dedicação, ao ensino dele, valeu a pena", comemora a mãe. 

Foto: Divulgação
Alunos da Educação Infantil da Coopesg 

Em relação à adaptação dos pequenos em séries iniciais, como o Vitor, o maior desafio, segundo a doutora em Avaliação Psicológica, Marina De Cuffa, é a adaptação à inconstância. Ela destaca que os pais devem observar comportamentos diferentes, que possam ser indicativos de algum problema, incômodo ou dificuldade nessa transição. 

 "A educação infantil tem essa questão de desenhar, pintar, trocar, ter contato físico e tudo isso foi muito comprometido. Essa retomada para eles é bastante importante e os pais precisam ficar atentos aos sinais, pois eles demonstram mudanças de comportamento importantes. Uma criança extrovertida às vezes fica quieta, não conversa, além dos aspectos alimentares, como comer muito ou comer pouco. Uma criança que está com dificuldade, vai demonstrar isso ficando mais sozinha, reclamando, não tento vontade de assistir às aulas, por exemplo", afirma. 

Dos dois lados
A Lilian Carla presenciou as reformulações e mudanças na educação dos dois lados: como pedagoga e mãe. Ela é coordenadora pedagógica da Educação Infantil e Fundamental I da Coopesg e mãe da Alice Vieira de Souza, de 6 anos, e da Lara, de 10 anos.

Do ponto de vista pedagógico, ela destaca que a Educação Infantil é uma etapa essencial, pois constitui a base de todo o processo ensino-aprendizagem. Segundo ela, no processo de transição para o Ensino Fundamenta I, as aulas presenciais são muito importantes. 

"É de suma importância um atendimento presencial com os alunos para potencializar as habilidades e competências previstas pela Base Nacional Comum Curricular. Este processo ficou comprometido durante a pandemia, pois não foi possível ter os alunos na escola. Nos mobilizamos para funcionar o digital, que funcionou bem em termos, pois a criança que não teve acompanhamento em casa não fluiu bem como os outros. No primeiro ano, deu muito certo, pois a professora começou a fazer atendimento personalizado com elas. Nessas séries, no primeiro e segundo ano, é preciso estar perto do aluno", afirma. 

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
 Alice Vieira de Souza, de 6 anos, e da Lara, de 10 anos, alunas da Coopesg

Para ela, o trabalho e as dificuldades vieram em dobro. Ao mesmo tempo  em que foi necessário adaptar-se como educadora, para atender os alunos, Lilian também precisou acostumar-se com a nova rotina de mãe para atender as duas filhas, que têm idades escolares diferentes. 

"Como o meu trabalho foi intenso no ano passado não pude dar o devido acompanhamento para as minhas filhas como deveria. A minha filha mais nova alcançou alguns objetivos, mas se fosse no presencial, teria sido bem melhor. Eu fiz um trabalho de conscientização com elas, porque sei que estando no presencial, quando troca de série já dá aquele impacto, então imagina remoto? Eu disse que agora ia ser diferente e ela entendeu, mas ela sentiu falta", afirmou. 

Transição do Ensino Superior

Foto: Divulgação
Gerente acadêmica da Estácio, Marisa Rocha Lopes

Na Faculdade Estácio de Sá, também há uma preocupação com a fase de transição escolar. A gerente acadêmica da instituição, Marisa Rocha Lopes, explica que os alunos que saem do Ensino Médio e chegam à instituição, passam por um período de integração, conhecendo tudo sobre o novo local de ensino. 

"Quando recebemos os calouros, os coordenadores explicam o curso e dão como se fosse uma palestra. Esses alunos passam por uma semana de integração, conhecendo os ambientes, além de receberem o acolhimento do coordenador, do professor, dos técnicos de laboratório e biblioteca. Também temos os monitores que auxiliam os estudantes fora do horário de aula e um portal para reforço online. Esse semestre, no entanto, não teremos os monitores. Vamos funcionar só com os professores online", explica.

Para os veteranos, as aulas na Estácio serão retomadas no dia 22 de fevereiro. Já os calouros, iniciam o ano letivo em 1º de março. O formato continua híbrido, com as aulas práticas acontecendo na unidade e as teóricas por meio de uma ferramenta. 

"Nesse período das aulas suspensas, remodelamos toda a faculdade e fizemos de tudo para recebê-los quando tivermos uma segurança maior, seguindo os protocolos de segurança. Estamos preparados para receber os alunos da melhor maneira.  Os alunos, agora, precisam focar em concluir os estudos, dar continuidade. Alguns ficam desanimados, mas agora é a hora. Quando tudo voltar ao normal, eles estarão na frente porque as empresas estão contratando, mas com uma qualificação maior. Então é o momento de adiantar o curso para atender as demandas do mercado", destaca.