'Ninguém sabe o tamanho da minha dor', diz mãe de jovem que deixou animais presos em apartamento

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'Ninguém sabe o tamanho da minha dor', diz mãe de jovem que deixou animais presos em apartamento

No apartamento da suspeita, em Vila Velha, foram encontrados 11 animais mortos e quatro vivos em situação debilitada

Foto: Reprodução TV Vitória

Quase um mês após cerca de 15 animais serem encontrados em um apartamento em Vila Velha, a mãe da jovem suspeita de maltratar os animais se pronunciou sobre o ocorrido. Ela também é suspeita de participar do crime de maus-tratos.

O caso envolvendo a filha da protetora de animais Lívia Guimarães ocorreu no início do ano. Os animais foram encontrados por agentes da Guarda Municipal após denúncias de vizinhos, que sentiam um forte odor vindo do imóvel. Dentro do aparamento, foram encontrados seis cachorros e cinco gatos sem vida. Outros quatro animais que sobreviveram foram resgatados e encaminhados para um abrigo, na Serra.

Emocionada, Lívia conta que não sabia da situação que estava ocorrendo no apartamento da filha. "A gente conversava diariamente. Mandava fazer os medicamentos dos cães que estavam com ela e pedia para entregar lá. Eu vivi uma situação muito desesperadora. Descobri que minha filha tinha cometido a maior das monstruosidade que eu, talvez, tenha presenciado em toda a minha vida de resgate", disse. 

A protetora afirmou que jamais imaginou passar por esta situação. A mulher, que trabalha com resgate de animais, também está sendo investigada. "Eu tenho animais comigo há 16 anos. Como uma pessoa que faz qualquer tipo de maldade com animais consegue fazer com que eles sobrevivam 16 anos? Minha casa não tem nada. Os móveis são quebrados, mordidos, mas maus-tratos nunca houve. Não tive direito de defesa, me julgaram e me condenaram. Ninguém sabe o tamanho da minha dor em saber que minha filha matou 11 animais", desabafou. 

A mulher apresentou vídeos que mostram o local onde os animais ficavam. As imagens são bem distintas de como o local foi encontrado no inicio de janeiro. No apartamento, não havia água e nem comida. O imóvel estava sujo, com os cães e gatos vivendo em meio à fezes e urina. O odor chamou a atenção dos vizinhos, que procuraram a polícia. 

Uma moradora do prédio onde os animais foram encontrados conta que ficou impressionada quando viu a situação em que os animais viviam. Ela e outros moradores acionaram a polícia. "Uns 15 dias atrás eu ouvi uma briga entre os animais. Depois dessa briga, começou a ficar o cheiro de podre, como se algum animal tivesse morrido", contou. 

A protetora de animais envolvida na confusão afirma que é acusada injustamente. "Tem animais que a CPI pediu para eu resgatar. Assumi tudo nas clinicas, ração, medicamentos, internação. Nunca houve reembolso. E hoje, sofro represália de todas as formas", declarou. 

A presidente da CPI dos Maus Tratos, Janete de Sá, afirma que apenas cumpriu uma decisão judicial. "Se houve ou não cerceamento de defesa, não é um caso da CPI. A CPI esteve na operação para tratar do recolhimento que nos coube por uma decisão judicial", disse. 

De acordo com Lívia, os maus-tratos, na realidade, ocorreu envolvendo a filha, que é usuária de drogas. Agora, a mulher espera que tudo seja esclarecido.

*Com informações do repórter Douglas Camargo, da TV Vitória/Record TV.