Garis discutem piquetes na zona sul do Rio

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Garis discutem piquetes na zona sul do Rio

Redação Folha Vitória

Rio de Janeiro - No quarto dia de greve, os garis do Rio de Janeiro se reuniram nesta segunda-feira no Ministério Público do Trabalho, que propôs uma trégua, mas decidiram continuar o movimento e, em assembleia, discutiram a organização de piquetes (atos para impedir o trabalho dos que não aderiram à greve) em bairros da zona sul. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) informou que desde o início da greve, na sexta-feira, há servidores ameaçados por furar a greve. A companhia divulgou que foram registrados boletins em três delegacias da zona norte (Madureira, Piedade e Vicente de Carvalho). O diretor social do sindicato, Gilberto Alencar, negou hoje que haverá piquetes.

"O que já estamos fazendo e vamos reforçar são as reuniões nos locais de trabalho para informar os trabalhadores sobre a negociação. O sindicato tem 32 delegados, responsáveis pelos cerca de 70 postos da Comlurb existentes no município, de onde os garis saem para trabalhar. Esses delegados vão aos postos para conversar com os trabalhadores e ver se eles querem aderir. Mas não impedimos ninguém de trabalhar", afirmou.

Alencar disse que o sindicato cumpre a ordem judicial emitida na sexta-feira para que 75% dos funcionários trabalhem. A Comlurb afirma que só 50% não aderiram à greve. "Se fosse menos (de 75%), a cidade já estaria um caos", afirmou o sindicalista. Desde sexta-feira o lixo se acumula na cidade, principalmente em bairros da zona norte e favelas.

A categoria reivindica 40% de reajuste salarial. A proposta inicial da Comlurb foi de 3%. Na última sexta-feira, chegou a 7%.

A Comlurb não participou da reunião de hoje porque condicionara a presença de seus representantes à retomada do trabalho pelos garis. Como a greve foi mantida, só os lixeiros foram à reunião, em que a procuradora do Trabalho Deborah Felix afirmou que, se não houver acordo e a greve for julgada abusiva, a categoria será prejudicada. "É válido o direito de reivindicar, mas os trabalhadores podem ser prejudicados se a greve for considerada abusiva pela Justiça, podendo resultar no desconto de salários, demissões e pagamento de multa pelo sindicato." Na sexta-feira, a Justiça chegou a considerar a greve ilegal e determinar multa pela manutenção da paralisação, mas à tarde houve uma tentativa de acordo e ficou estabelecido que 75% dos garis deveriam continuar trabalhando.