Variante inglesa do coronavírus provoca aumento acelerado de novos casos no ES

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Variante inglesa do coronavírus provoca aumento acelerado de novos casos no ES

Em coletiva para a imprensa, o diretor do Laboratório Central do Estado informou que a cepa britânica foi identificada em Barra de São Francisco

Marcelo Pereira

Redação Folha Vitória

Acompanhe: 


A variante inglesa do coronavírus, chamada pelos infectologistas de B117, está circulando no Espírito Santo. É o que confirma um estudo feito pelo Laboratório Central do Estado (Lacen/ES) e que foi apresentado em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (22) pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, e pelo diretor do Lacen/ES, Rodrigo Rodrigues. "Existe uma amostra oriunda do Espírito Santo que trata de uma amostra de B117 positiva. Essa amostra foi colhida em Barra de São Francisco. Ela foi sequenciada pelo grupo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e foi confirmada como uma variante do Reino Unido", afirmou Rodrigues. O estudo da UFMG apontando a presença dessa variação na cidade do norte capixaba foi antecipado em matéria publicada pelo Folha Vitória em fevereiro. 

A cepa britânica está circulando nos estados vizinhos ao Espírito Santo. Ela foi introduzida no Estado entre novembro e dezembro de 2020. O diretor informou que o estudo sugere que, ela possa ter entrado em território capixaba a partir das viagens de turistas de Minas, Rio, São Paulo e Bahia nos meses de verão. Chegando aqui, entre os locais, ela pode ter se disseminado devido a três fatores apontados pelo cientista. "A sazonalidade das doenças respiratórias, a relativização do distanciamento social e a do uso de máscaras podem explicar o crescimento acentuado do número de casos de covid-19 nos meses de fevereiro a março de 2021", aponta. 

Inclusive, a nova variante é responsável pelo aumento de casos e a rapidez de novas transmissões, sobretudo entre pessoas mais jovens. Por aqui, ela está seguindo um padrão semelhante ao dos Estados Unidos, ou seja, duplicação de casos a cada 15 dias. Isso se traduz na abrangência da nova cepa. Para se ter uma ideia, em dezembro, 10 municípios tiveram amostras positivadas para a nova variante. Esse número subiu para 65 em março deste ano. Sendo que em fevereiro, o Lacen identificou dois epicentros de transmissão: Barra de São Francisco e Piúma. 

O secretário Nésio Fernandes pediu a colaboração e a adesão da população às regras restritivas impostas até 31 de março. "Precisamos, mais do que nunca ter disciplina de proteção. Principalmente no uso de máscaras. Para aqueles que estão se protegendo e para aqueles que estão contaminados. A população deve entender que enquanto não houver uma imunização ampla, acima de 70%, teremos que conviver com um cotidiano diferenciado", cobrou, acrescentando que os próximos dias não são para ir ao calçadão ou à praia. "São dias para se ficar em casa. Temos alta probabilidade da variação inglesa circulando e alcançando um alto grau de contágios no Estado. isso pode explicar recorde de óbitos nos próximos dias. A doença não vai deixar de existir pela sua negação, sua omissão. Proteja-se porque ela existe e circula com capacidade de alta transmissão no país", reforçou.

Leitos

Fernandes lembrou da alta taxa de ocupação de leitos de UTI na rede pública observada no Espírito Santo desde o último final de semana, quando ultrapassou 90%. Nesta segunda-feira, chegou a 93,82% com nove hospitais sem disponibilidade de leitos de UTI para tratamento de qualquer doença Ele criticou a postura de quem insiste em negar a gravidade da doença e que poderá pagar com a vida no futuro. "A doença não vai deixar de existir pela sua negação e omissão. Ela pode chegar até você. A rede privada e filantrópica estão na sua capacidade. Vamos expandir mais leitos, mas as expansões não são infinitas", alertou. 

Ele diz que, ainda esta semana, fará um balanço dos resultados da primeira semana do decreto de fechamento total do comércio e suspensão das atividades não-essenciais. Mas, ele já cobra com urgência uma mudança de atitude. "Precisamos melhorar e aumentar o grau de isolamento no nosso Estado. A rede privada está incapaz de atender seus próprios pacientes. Temos pacientes de famílias muito ricas no SUS porque não há leitos. Precisamos interromper de maneira radical a transmissão da doença no Estado", finalizou.

Foto: Divulgação/Sesa


Confira o que falou o diretor do Lacen, Rodrigo Rodrigues:

Investigação

"Hoje trazemos o resultado de uma investigação conduzida no Lacen, que identificou no início de março variantes contendo a mutação da covid-19 da variante. Esse slide mostra o perfil da pandemia desde março do ano passado até essa semana, mostrando que o Espírito Santo experimentou três momentos de crescimento. Como parte da nossa rotina de análise, nós sempre fazemos um relatório que coloca a taxa de casos positivos frente a taxa de casos negativos encontrados por dia no Estado, isso permite que possamos traçar um perfil de positividade desde o início da pandemia. Nesse gráfico, apresentamos quatro recortes do início de fevereiro até semana passada. O perfil da pandemia no Estado, como apresentado no gráfico, apresentou três momentos de alta durante o período que percorreu de março de 2020 a março de 2021. Sobrepomos uma linha de tendência sobre o gráfico".

Velocidade de transmissão

A velocidade de transmissão atual é a maior desde o início da pandemia no Estado. Vários fatores podem ter causado isso: interação, baixo uso de máscaras, surgimento de novas variantes, entre outros. Novas variantes surgem diariamente. Dentre aquelas que conhecemos, existem três, chamadas de variantes de preocupação: a B117, que se originou no Reino Unido, a B1351 e a P1. Desde o início de março, as principais linhagens que ocorriam no Brasil eram distribuídas de forma homogênea, mas a partir de setembro, houve o descobrimento de duas novas variantes. A variante P2 predominou a transmissão da doença em vários estados, inclusive no Espírito Santo. A P1 tem sido encontrada em alguns Estados da nação. Em estudo da Fiocruz, foi capaz de detectar a mutação comum em duas das variantes de preocupação.

Estudo de Minas Gerais

Em um estudo conduzido recentemente por um grupo mineiro, foram encontradas pelo menos amostras de 10 Estados onde a linhagem B117 foi detectada. Isso provocou cadeiras contínuas de transmissões desde o início de dezembro de 2020. Consequências desta propagação ainda permanecem desconhecidas. A variante B117 surgiu na Grã-Bretanha, apresenta uma taxa de infecciosidade mais elevada do que as outras variantes; esse aumento é de 43 a 90%. Ela é encontrada em vários países do mundo, e nos Estados Unidos ela ocupa uma posição de destaque. Em meados de abril, ela já deve ser a cepa predominante naquele país. Um detalhe importante é que nos EUA o número de infectados por essa cepa, dobra a cada 10 dias. 

Alta carga viral nas amostras

Detecção de SGTF é mais barata, que é o RT-PCR. É uma técnica ágil, tem baixo custo e o resultado é em tempo real. O sequenciamento genômico tem custo alto, é uma técnica demorada e o uso em tempo real é inviável. Passamos a investigar a ocorrência de amostras com essa característica em todas as amostras com essa características em todas as amostras processadas no Lacen. Todas as amostras SGTF positivas apresentam um valor que indica que a carga viral nessas amostras são significativamente mais elevadas do que nas amostras consideradas padrão. Isso tem uma implicação importante de que o paciente SGTF tem carga viral maior, ou seja, pode infectar mais pessoas. 

Barra de São Francisco

Basicamente 65 dos 78 municípios são positivos com a presença da SGTF. Um fator importante é: por que a Grande Vitória não aparece como epicentro? Porque essas amostras que testamos no Lacen, as amostras da Grande Vitória têm sido direcionadas para laboratórios privados. Nada impede que solicitemos as amostras para identificarmos como está a Grande Vitória. A faixa de idade até 30 anos concentrou um aumento dos casos SGTF em relação a outros casos de variantes encontrados. Existe uma amostra oriunda do Espírito Santo que trata de uma amostra de B117 positiva. Essa amostra foi colhida em Barra de São Francisco. Ela foi sequenciada pelo grupo da UFMG, e foi confirmada como uma variante do Reino Unido.

Barra de São Francisco e Piúma

As evidências apresentadas sugerem predominância no Espírito Santo de amostras positivas para a variante SGTF que podem estar associadas à variante B117. No mês de março, 15,22% das amostras testadas pelo Lacen foram positivas para a variante SGTF. O perfil de RT-PCR observado é idêntico aos observados no Reino Unido. Foram identificados dois epicentros: Barra de São Francisco e Piúma. 

Adesão ao isolamento

Quanto antes aderirmos a todo o protocolo, quanto antes sairemos da quarentena e poderemos voltar à vida normal. Não adianta pensar que 'amanhã eu faço'. Para que essa quarentena tenha sucesso, precisamos aderir sim ao que foi estabelecido para daqui a 14 dias possamos colher os frutos desse isolamento: diminuição dos óbitos e da taxa de transmissão.