Fundação Renova confirma registro de aumento de turbidez no Rio Doce

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Fundação Renova confirma registro de aumento de turbidez no Rio Doce

O analista de programas socioambientais da Renova, Pedro Ivo diz que o aumento na turbidez na foz Rio Doce, em Linhares, provém de condições naturais

A turbidez do Rio Doce registrou aumento nos últimos três dias Foto: Divulgação/Prefeitura

A Fundação Renova confirmou aumento de turbidez na foz do Rio Doce na localidade de Regência, em Linhares, nos últimos três dias. O analista de programas socioambientais da Renova, Pedro Ivo diz que o aumento na turbidez provém de condições naturais.

"Com as chuvas na região, bacia e afluentes, a turbidez do rio sofre variação, que aumenta ou diminui. Nos últimos três dias essa turbidez aumentou, mas essa variação já ocorreu em outros momentos. Há todo um programa de contingência para monitorar os impactos. Caso haja um nível de turbidez alto, a fundação entra em ação". 

Segundo Pedro, a turbidez atual é comum no histórico do Rio Doce. "Não é categórico afirmar que as variações são decorrentes de rejeitos. Ressalto que essa variação não é considerada fora do normal e não há risco de problemas no abastecimento", garante. 

A fundação foi criada pela mineradora Samarco e suas acionistas, e é responsável pelo monitoramento hídrico nas áreas afetadas pela lama após a tragédia em Mariana, registrada em 2015.

De acordo com a Renova, a qualidade da água é monitorada em 115 pontos ao longo da bacia do Rio Doce e região costeira próxima à foz. O monitoramento conta com diversas frequências de amostragem, incluindo 84 parâmetros de qualidade. Segundo a fundação, todos os resultados são compartilhados com os órgãos ambientais. Especificamente na região costeira, que inclui Regência, são 31 pontos de monitoramento diários da qualidade da água. Semanalmente são feitas análises de qualidade dos sedimentos do leito marinho em cada um dos pontos de amostragem.

Em relação à biodiversidade na região, a Renova afirma que está sendo feito um amplo diagnóstico, que foi desenvolvido pela CTBio (Câmara Técnica de Biodiversidade) e será executado pela Fundação Renova nos próximos cinco anos. O mapeamento abordará desde microrganismos aquáticos (plânctons) a tartarugas marinhas, passando por aves, peixes e outras formas de vida. Neste momento o projeto está em operacionalização com os órgãos ambientais.

Monitoramento em tempo real

As três primeiras estações de monitoramento em tempo real da qualidade da água do Rio Doce foram entregues nesta sexta-feira (31) . Parâmetros como turbidez, oxigênio dissolvido e PH serão transmitidos por sondas, que farão a análise de hora em hora e permitirão uma atuação mais ágil e precisa da Fundação Renova e dos órgãos ambientais nas ações de recuperação da região.

Além das estações localizadas nos municípios mineiros de Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Sem Peixe, a expectativa é de que outras 19 unidades estejam em operação até o final de julho ao longo de toda a extensão da bacia. Cinco delas estarão no Espírito Santo: duas em Colatina, uma em Baixo Guandu, uma em Linhares sede e outra no distrito de Regência, na foz do rio.

Das três primeiras estações, duas foram instaladas na área da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves e uma no município de Sem Peixe, a cerca de 45 quilômetros da hidrelétrica. Um destes postos irá monitorar a água antes de sua chegada na usina, e os outros dois, após sua passagem por ela, identificando eventuais alterações decorrentes da atividade de dragagem que está sendo realizada em seu reservatório. 

Das 22 estações a serem implantadas, oito farão o monitoramento de qualidade da água e o restante fará a medição do nível do rio, da temperatura do ar e da quantidade de chuva.

As estações de monitoramento fazem parte do Programa de Monitoramento da Qualidade de Água e Sedimentos na Bacia do Rio Doce, desenvolvido conjuntamente pela Fundação Renova, órgãos ambientais e agências de água. 

"Até a implantação deste Programa de Monitoramento de longo prazo desta região, a Fundação Renova dará continuidade ao trabalho que vem realizando e que atualmente conta com 115 pontos de monitoramento ao longo da Bacia do Rio Doce e região costeira próxima à foz, junto a laboratórios acreditados pelo Inmetro", disse a Fundação Renova.