No dia nacional do índio conheça a história do guerreiro Araribóia

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No dia nacional do índio conheça a história do guerreiro Araribóia

Araribóia, cujo nome significaria cobra feroz ou cobra da tempestade. de acordo com linguística de sua etnia, foi fundador de Carapina, na Serra, e da cidade de Niterói, no Rio de Janeiro

O índio desempenhou importante papel na defesa de invasores no Rio de Janeiro e do Espírito Santo Foto: Divulgação

No dia 19 de Abril comemora-se nacionalmente o dia do índio. Portanto, o Jornal Onlíne Folha Vitória relembrou a história do Martin Afonso Araribóia, herói e bravo guerreiro indígena que faz parte da história tanto do Espírito Santo quanto do Rio de Janeiro.

Araribóia, cujo nome significaria cobra feroz ou cobra da tempestade. de acordo com linguística de sua etnia, nasceu em por volta de 1524, na atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Ele era filho do chefe da tribo Temiminó, Maracajá-guaçuna. Os Temiminós faziam parte de uma pequena aldeia, mas tinham vantagem por estar no meio da baía de Guanabara, desta forma, repeliam os ataques inimigos.

Quando os Tamoios, seus tradicionais inimigos, os expulsaram da ilha em 1555, os Temiminó foram obrigados a seguir para a Capitania do Espírito Santo, residindo na região de Santa Cruz.  

Em 1560 a Coroa de Portugal enviou ao Brasil o seu terceiro governador-geral, Mem de Sá, com um contingente de soldados. O objetivo era recuperar a baía de Guanabara (Ilha do Governador). O índio Arariboia havia sucedido seu pai como líder dos Temiminós e decidiu estabelecer uma aliança com os portugueses.

Posteriormente, em 1562, Arariboia fundou a Aldeia de São João, em Carapina, onde residia parte da tribo Temiminó.

Após a ultima batalha contra os franceses e Tamoios, em 1564, no Rio de Janeiro, Araribóia pretendia voltar ao Espírito Santo para a sua Aldeia de São João, onde deixara mulher e filhos. Mas Mem de Sá o pediu para ficar no Rio, pois poderiam ocorrer novas guerras e os portugueses precisavam da força indígena. Araribóia e sua família transferem-se então definitivamente para o Rio de Janeiro, construindo sua aldeia em São Cristóvão.

Confira um trecho do ataque sobre a batalha de 1564, relatado em carta do padre Francês André Thevet na obra “La Cosmographie Universelle", editada em Paris, França, em 1575.

"O paiol, depósito de armas, munições e pólvora, estavam no alto de um penhasco e os franceses, seguros de si, só vigiavam a entrada principal, único acesso disponível. O penhasco, um alto morro de pedra maciça, não possuía uma entrada fácil. Um ser humano normal teria grandes dificuldades para escalá-lo. Araribóia distanciando-se dos demais companheiros aceita o desafio. Com uma coragem fora do normal se coloca diante do enorme penhasco, escala o mesmo do lado não visto do inimigo e com uma tocha acessa, presa nos dentes. Atingindo o alto, arremessa a tocha contra o depósito que logo explode deixando os franceses em pavor tão grande que fogem, conseguindo os portugueses e aliados uma grande vitória, que foi altamente comemorada.”

Estátua em Vitória

O índio Arariboia é tão importante para a história de Vitória que virou até estátua na Capital. O monumento foi feito pelo artista Carlo Crepaz, que chegou a Vitória em 1951. A obra já esteve em vários lugares da Grande Vitória, como no aterro da Condusa, na Praia do Canto, na praça Américo Poli Monjardim, no Centro de Vitória.

Ela foi criada no início da década de 50, sob encomenda do governador Jones dos Santos Neves, em tamanho natural assentado de tanga sobre pedestal de granito cinza, apontando seu arco e flecha para a baía de Vitória.

A história desse monumento envolve o apelo popular, já tendo sido tema de marchinha de Carnaval, em 1963, pedindo a permanência da estátua na avenida Beira-Mar, onde permaneceu até o final da década de 70, quando o monumento foi retirado daquele local e levado para o aterro da Comdusa, na Enseada do Suá. Depois de forte pressão popular e de intelectuais da época, a escultura do índio voltou para a Beira-Mar, local em que permanece até os dias atuais

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