Bebê nasce em cima de árvore durante passagem de ciclone

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Bebê nasce em cima de árvore durante passagem de ciclone

Sara nasceu em cima de uma mangueira, em Manica, contou a mãe, Amélia, segundo a Unicef Moçambique. O caso não é inédito, pois nas cheias de 2000, em Gaza, Rosita nasceu em cima de uma mafurreira

Foto: UNICEF Moçambique/2019/Javier Rodriguez

Uma mulher moçambicana deu à luz agarrada aos galhos de uma mangueira no distrito de Dombe, província de Manica, em Moçambique, onde se refugiava das inundações provocadas pela passagem do ciclone Idai, que já deixou mais de 800 mortos em três países, informou nesta quarta-feira (3) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

 "Eu estava em casa com o meu filho de 2 anos de idade, quando de repente, sem aviso, a água começou a entrar dentro da casa, e eu não tive outra opção a não ser subir numa mangueira (árvore de manga) próxima à minha casa. Então as dores começaram, e eu não tinha ninguém por perto para me ajudar. Em cima daquela árvore eu dei à luz a minha filha Sara. Eu estava sozinha com a Sara e o meu filho, ficamos naquela árvore durante dois dias depois do nascimento da Sara. Mais tarde, os vizinhos me ajudaram a descer e chegamos a este lugar seguro", contou Amélia ao Fundo das Nações Unidas para a Infância.

O ciclone IDAI atingiu o centro de Moçambique com uma fúria e destruição sem precedentes. Os esforços de resgate e assistência humanitária ainda estão em curso nas áreas mais atingidas. Uma dessas áreas é o posto administrativo de Dombe que se estende por um vale de cerca de 80km que é irrigado por vários rios que, devido ao ciclone, transbordaram violentamente inundando uma imensa área.

A poucos quilômetros de distância de Dombe, mais de 3 mil pessoas foram encontradas sobrevivendo sem apoio. Entre eles estava a bebé Sara, que passa bem. Sara está sendo amamentada pela sua mãe Amélia, que recebe apoio das outras mães afetadas no centro de acomodação.

Amélia também recebe assistência de saúde e nutrição do agente polivalente elementar (agente comunitário de saúde) Josias Tchaka. Josias também perdeu a casa e os seus bens durante o ciclone Idai, mas por ter sido treinado desde 2015 pelo Ministério de Saúde, ele foi o único provedor de cuidados primários de saúde e nutrição para os seus vizinhos.

Destruição

O ciclone IDAI trouxe muita dor e destruição para a população de Moçambique. Estima-se que 1,9 milhões de pessoas foram afetadas em Moçambique pelo ciclone Idai, dos quais 1 milhão são crianças. Além de toda a adversidade, trouxe também o melhor da população com coragem, solidariedade e milagres como as histórias de bebés saudáveis ​​e lindos nascidos no meio de todo o caos.

A situação é grave e o UNICEF tem prestado apoio ao Governo de Moçambique para restabelecer os serviços de saúde básicos, incluindo a vacinação, prevenção e tratamento da malária, para as comunidades afetadas e também garantir que medicamentos essenciais estejam disponíveis nos centros de saúde e brigadas móveis. O UNICEF também fornece apoio para melhorar o estado nutricional de crianças menores de 5 anos, incluindo o tratamento de crianças com desnutrição aguda severa e encoraja práticas corretas de alimentação infantil.