Laboratório é criado na Ufes para conserto de equipamentos hospitalares

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Laboratório é criado na Ufes para conserto de equipamentos hospitalares

Além disso, estudantes e professores da universidade desenvolveram um modelo de protetor facial que será reproduzido por indústrias capixabas

Foto: TV Vitória

Professores e alunos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) se uniram a indústrias para produzir equipamentos de proteção para profissionais de saúde. Além disso, eles consertam aparelhos hospitalares que podem ser usados no combate à covid 19.

O trabalho é realizado em salas de aula do curso de Engenharia Elétrica, que viraram verdadeiros laboratórios, onde professores e alunos voluntários se dedicam a consertar equipamentos quebrados de hospitais públicos e filantrópicos do estado.

"É nosso dever, como estudantes de universidades públicas, nos colocar à disposição da sociedade, e mais ainda nesse momento tão complicado que estamos vivendo", ressaltou o doutorando em engenharia elétrica, Manuel Ricardo Alfonso Sanches.

Desde o final da última semana, o grupo já recebeu 30 monitores de sinais vitais e dez respiradores quebrados, que foram enviados pelos hospitais Antônio Bezerra de Faria, em Vila Velha, e pelo Dório Silva, na Serra.

"Nós somos da engenharia elétrica, do Centro Tecnológico, mas tem professores da mecânica, da matemática. Então são muitos professores de outras áreas que estão colaborando. Especificamente nesse caso, a gente se juntou para poder ajudar com a parte dos protetores faciais e da manutenção de equipamentos hospitalares. A gente começou a conversar pelo WhatsApp, começamos a fazer contato com a Secretaria de Saúde, com órgãos da universidade, e a gente conseguiu criar esse espaço e esse canal de comunicação com os hospitais, para a gente poder já receber os equipamentos", contou o professor de engenharia elétrica Anselmo Frizera Neto, um dos coordenadores do laboratório.

Alguns monitores já voltaram a funcionar e outros vão precisar de peças difíceis de encontrar no mercado, mas que serão fabricadas por impressoras 3D dos laboratórios.

Macas que estão em um depósito do hospital Dório Silva também serão enviadas aos laboratórios. Pelo menos dez leitos elétricos, que poderiam estar sendo utilizados em UTIs, estariam parados por falta de manutenção.

"O mais provável é que as máquinas vão para o Ifes, porque eles têm um espaço maior para receber essas máquinas, para eles fazerem uma pré-triagem e depois levarem para as oficinas mecânicas e eletromecânicas, para poder fazer a manutenção", explicou o coordenador.

Protetor facial

Além de fazer o conserto desses equipamentos, o grupo criou um modelo de protetor facial que será reproduzido por indústrias capixabas. Cerca de 150 mil unidades serão doadas à rede pública de saúde do Estado.

"É a união do esforço da indústria para ajudar nesse momento de preocupação e de combate à pandemia da covid-19. Nós estamos organizando todo o esforço da indústria, com doações de recursos financeiros ou materiais, para ajudar a ampliar a nossa capacidade de atendimento do sistema de saúde. Esse é o nosso foco", destacou o vice-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Luciano Raizer Moura.

Parte da produção ocorre em uma gráfica de Jardim Camburi, em Vitória, onde 7 toneladas de acetato, um material transparente, serão cortadas em pequenos retângulos, que vão proteger o rosto dos usuários.

O corte é feito por meio de uma guilhotina. Terminada essa etapa, os retângulos de acetato são acoplados a suportes fabricados por uma empresa da Serra. A união de esforços foi batizada de "indústria do bem".

"É um conjunto de empresas que está trabalhando em conjunto, para justamente ter a peça final de forma mais rápida. Então todos estão trabalhando com um processo industrial que dá realmente volume e rapidez à produção dessas peças", frisou a diretora comercial Cristhine Samorini.

Um modelo de máscaras de tecido foi criado pelo serviço de aprendizagem industrial para que elas sejam confeccionadas em larga escala por empresas capixabas do ramo. Essas máscaras poderão ser doadas ou comercializadas.

"O Senai organizou o padrão, ou seja, a definição de uma ficha técnica: que material, quais são as dimensões, como corta, como faz, e está divulgando para quem quiser produzir. Nós estamos agora organizando a nossa indústria. Nós temos aqui uma grande quantidade de empresas de confecção que têm competência e capacidade para atender", ressaltou o vice-presidente da Findes.

Apesar dos impactos provocados pelo Novo Coronavírus na economia e no dia a dia da população, tem muita gente empenhada e disposta a ajudar. Empresários e estudiosos no Espírito Santo estão unidos combate à covid-19.

"A gente se propôs a trabalhar em conjunto para realmente fazer com que as coisas aconteçam de forma mais rápida. Essa é nossa intenção. Para justamente o Estado voltar a operar, a ter produtividade o mais breve possível", destacou Samorini.

Com informações da repórter Fernanda Batista, da TV Vitória/Record TV

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