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Arqueologia ameaça obra no Parque Augusta

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Arqueologia ameaça obra no Parque Augusta

São Paulo - De um lado, as construtoras Cyrela e Setin, proprietárias do terreno de 23,7 mil m² na Rua Augusta e com projeto de erguer ali quatro edifícios de uso misto - preservando o bosque, ao fundo. De outro, ativistas que lutam para que 100% da área se torne o Parque Augusta. Um novo ingrediente pode interferir, ou ao menos atrasar o plano de cada um vencer essa disputa: a possibilidade de que o terreno esconda preciosidades arqueológicas.

Os indícios estão relatados em documento de 30 páginas ao qual o Estado teve acesso. Trata-se de pesquisa do arquiteto Arnaldo de Melo, doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Cruzando documentos do Arquivo Histórico Municipal, mapas de São Paulo e fotos recentes, ele deduz que algumas das construções que ainda restam no lote não são nem da Villa Uchoa, casarão projetado por Victor Dubugras (1868-1933), nem do tradicional Colégio Des Oiseaux, que funcionou até 1969.

É o caso do que ele chama de "muro-ponte", o muro original ainda existente. "Construído sobre arcadas de tijolos, o muro é objeto de interesse para estudos sobre engenharia hidráulica e civil, pois se relaciona com a vazão de águas (canalizadas) provindas de uma nascente próxima à Avenida Paulista, certamente a céu aberto no passado", afirma, em seu relatório.

Segundo Melo, essas águas de rio ou córrego canalizado "drenam em direção à Rua Frei Caneca e deságuam no Rio Saracura". Por isso, o interesse sobre "esse trecho de alinhamento de lote com a via pública na Rua Augusta, considerando pesquisa e análise técnica a serem realizadas nos arquivos do antigo Departamento de Obras e Viação da Prefeitura".

"Com isso, pergunta-se se essas arcadas sob o muro nos autorizam a afirmar que, neste trecho, a Rua Augusta é uma ‘ponte’? Se afirmativa tal hipótese, não há dúvida de que o muro e suas arcadas representam verdadeiro constructo de engenho técnico a ser preservado, restaurado e colocado em evidência. Entrementes, vale lembrar que esse trecho de muro na Rua Augusta não foi contemplado, até agora, como objeto de análise pelo órgão municipal responsável pelo tombamento da área", prossegue o arquiteto.

"Principalmente ou o que mais interessa, é a relação desses objetos com o processo de urbanização naquele início de século, ressaltando obras públicas de engenharia e técnicas de drenagem urbana que dão sentido à modernidade urbanística na cidade de São Paulo."

Proteção

A arqueóloga Cristiana Barreto, pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) e conselheira do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - é a representante, no órgão, da Sociedade de Arqueologia Brasileira - teve acesso ao documento e deve entrar em breve com pedido de estudo arqueológico no local. Isso pode frustrar empresários e ativistas.

"Todo patrimônio arqueológico é protegido. Este lugar guarda uma história emblemática de São Paulo e o subsolo precisa ser analisado. Essa questão do muro, que ele (o arquiteto) descobriu é relevante. É possível musealizar a história do local."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.