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Sítio histórico ferroviário de Domingos Martins está abandonado

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Sítio histórico ferroviário de Domingos Martins está abandonado

Composto por uma Estação, uma caixa d’água e uma casa de turma, o sítio ferroviário de 1900 está sendo destruído pela falta de atenção

Foto: Redação O Braço Sul
Vale da Estação, local muito visitado em Domingos Martins

O sítio histórico ferroviário de Domingos Martins da década de 1900, localizado no Vale da Estação, composto por uma estação ferroviária, uma caixa de água que alimentava a Maria Fumaça e uma casa de turma que abrigava os trabalhadores da linha férrea estão em ruínas, abandonados. Um patrimônio histórico que se perde com a falta de ação das autoridades.

Na Casa de Turma, há lixo, pichações, infiltração, mato sobre as telhas, telhado e vidros quebrados. A caixa d‘água que estava furada e servindo de criadouros de mosquito recebeu da Prefeitura um paliativo de “tapa-buracos” e a estação, em precárias condições, ainda serve de abrigo para o serviço de Correios da localidade. O serviço médico que funcionava no local foi removido para a escola municipal. Atualmente, a propriedade pertence ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que ainda não manifestou nenhum interesse em reformá-la.

Por isso, a Prefeitura de Domingos Martins vai solicitar ao DNIT a posse desses imóveis que formam um sítio histórico valioso, para poder recuperá-lo e transformá-lo em um museu a céu aberto, reforçando a posição de investimento do município no turismo. “Já encaminhamos toda documentação a Brasília para fazer uma solicitação de uso desses imóveis e estamos providenciando documentos para o pedido de posse”, informou Henrique Denicoli, técnico da prefeitura.

Foto: Sandra Cola
Casa de Turma atualmente. Local é encontrado no Vale da Estação

Em 2018, a arquiteta da prefeitura de Domingos Martins, Fernanda Magnago, esteve visitando o sitio histórico e disse que os imóveis são muito importantes para o estado. “Estive aqui em agosto de 2016, junto com uma arquiteta do Iphan, e descobrimos que só temos quatro patrimônios de ferrovias com valor igual ao do Vale da Estação. O local tem valor histórico muito importante para o Espírito Santo”, ressaltou Fernanda

Segundo o Iphan, “a Estação é um exemplar da arquitetura germânica, possui estrutura do tipo enxaimel onde os requadros e estruturas de madeira são aparentes. A vedação foi executada em tijolos maciços e a cobertura com estrutura em madeira e telhas francesas. O conjunto ferroviário é composto pela edificação da Estação onde funcionavam a administração, bilheteria e sanitários públicos, não sendo possível verificar a área de depósito, uma caixa d’água de ferro elevada sobre estrutura também de ferro e a Casa de Turma”.

A ferrovia hoje está sem demanda

A VLI, controladora da Ferrovia Centro-Atlântica, informou que o trecho de Vitória ao Rio de Janeiro, passando por Cachoeiro de Itapemirim e Campos dos Goytacazes, faz parte do contrato de concessão e arrendamento firmado em 1996. “A empresa mantém os serviços de manutenção da faixa de domínio. Entretanto, no momento, não há demanda do mercado por operação de transporte ferroviário de cargas”, informou a assessoria de imprensa da VLI.

Foto: Sandra Cola

Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados da Fundação Dom Cabral, 86% do transporte de carga brasileira, excluindo o minério de ferro, que usa intensivamente as ferrovias, e o petróleo, que usa muito a cabotagem, é feito através de rodovias.

Hoje, o transporte rodoviário tira do transporte ferroviário a movimentação de nossas linhas férreas. Quem perde é a população que tem que enfrentar as carretas, tritrens e caminhões pela BR 262. A solução que as autoridades parecem ter encontrado foi a de tentar acelerar o processo de duplicação da rodovia e manter a ferrovia inativa, sem perspectiva da volta do trem em tão importante trecho entre os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, ligando dois portos Rio de Janeiro e Vitória, da maior relevância para a economia nacional.

Conheça a história

Foto: Sandra Cola

A Estação Ferroviária de Domingos Martins, no Vale da Estação - distrito de Santa Isabel, - foi iniciada por imigrantes alemães, em 1847. Em 1900 foi inaugurada pela Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo com o nome de Santa Isabel até 1907. De 1907 a 1975, funcionou sob administração da Leopoldina Railway com o nome Germânia até 1917 e depois passou a se chamar Domingos Martins. De 1975 a 1996 pertenceu à Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e em 1996 concessionada à Ferrovia Centro Atlântica (FCA). Atualmente, é controlada pela VLI, que detém 99,9% de suas ações.

A estação exerceu importante papel no escoamento da produção cafeeira, transporte de passageiros e transportava toda a correspondência que chegava para o município. Da estação Gêrmania, no Vale da Estação, as correspondências seguiam por carro para a sede do município, Campinho, de onde era distribuída. No Vale da Estação, estruturou-se um núcleo urbano que entrou em estagnação econômica a partir da desativação da linha de passageiros, em 1972.

Em janeiro de 2010, teve início o Trem das Montanhas, uma Litorina, com capacidade para 56 passageiros, que partia de Viana a Marechal Floriano, num percurso de 46 quilômetros, com paradas no Vale da Estação, em Marechal Floriano e posteriormente em Araguaya, Marechal Floriano. Uma tentativa turística de uso da ferrovia que teve seu fim em 2014. A ferrovia também foi utilizada para transporte de produtos como cimento, açúcar, sal, granito, madeira, areia com destino a Cachoeiro de Itapemirim, Vitoria e Aracruz.

Em julho de 2018, a Prefeitura Municipal de Domingos Martins, através do assessor da prefeitura Henrique Angelo Denicoli, da secretária de Administração Claudia Uliana e da arquiteta Fernanda Magnago, realizaram uma reunião com a comunidade do Vale da Estação.

Foto: Sandra Cola
Reunião no Vale da Estação

O objetivo foi comunicar que os imóveis da antiga ferrovia passariam a ser de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT). O local, que estava cedido pela SPU (Superintendência de Patrimônio da União) em comodato para a Prefeitura, abrigava uma agência dos Correios e um posto para atendimento médico, que funcionava uma vez por mês.

Na época, a secretária de Administração informou que o imóvel seria entregue ao DNIT que, em ofício, informou que é necessário ter a posse do local e que o transporte de madeira de eucalipto será retomado pela ferrovia.

A comunidade questionou o que seria feito no imóvel, demonstrando grande preocupação com a situação do prédio que necessita de uma reforma e, ficando fechado, ficaria pior. “Se ficar fechado e abandonado, vamos perder esse imóvel, que representa o desenvolvimento do nosso município”, destacou Alexandre Stein.