Cirurgias eletivas: hospitais do ES enfrentam problemas para trabalhar com 100% da capacidade

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Cirurgias eletivas: hospitais do ES enfrentam problemas para trabalhar com 100% da capacidade

As maiores dificuldades são os baixos estoques sedativos e a falta de leitos, ocupados por pacientes infectados com a covid-19

Foto: Direito ao Direito

Com a desaceleração da pandemia do novo coronavírus no Espírito Santo e a consequente redução na taxa de ocupação de leitos para covid-19, as cirurgias eletivas — aquelas consideradas sem urgência — foram retomadas no estado.

Desde o início da pandemia, esses procedimentos já foram suspensos duas vezes no Espírito Santo. A primeira foi no ano passado e durou seis meses. A segunda começou no dia 18 de março e durou até 30 de abril.

A prioridade é de pacientes com encaminhamento de cirurgias para atualização de exames. No entanto, muitos hospitais ainda enfrentam problemas para trabalhar com 100% da capacidade.

Nas santas casas e hospitais filantrópicos, só foi possível retornar com 80%. Segundo o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Espírito Santo (Fehofes), Fabrício Gaeed, o problema é consequência da pandemia.

"Nossos maiores entraves hoje são a condição de garantir a estocagem mínima dos insumos de sedativos neurobloqueadores. Nosso maior problema hoje são essas substâncias. Outro entrave também é a desmobilização de leitos que foram destinados para tratar paciente de covid. Nós tínhamos UTIs convencionais que foram transformadas em UTIs covid", frisou.

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O governo do Estado informou que, desde o início do mês, 48 leitos de UTI e 83 de enfermaria foram revertidos, para possibilitar as cirurgias eletivas. Fabrício Gaeed afirma que a previsão é que, até o final do mês, os hospitais filantrópicos e santas casas funcionem em plena capacidade.

"Os hospitais filantrópicos estão fazendo uma importação coletiva, e essa importação tem um grande volume de substâncias. Para se ter ideia, são mais ou menos quatro a cinco meses de estoque. Essa importação está bem avançada e eu digo que, até o fim deste mês de maio, a gente já consiga consolidar essa ação e, a partir de então, a gente já consegue retomar em 100%".

Quem sofre com a longa espera por uma cirurgia eletiva é o pastor Antônio Carlos Rodrigues. Devido ao excesso de peso, os problemas de saúde passaram a acompanhar a vida dele, que desenvolveu duas hérnias de disco e viu a hipertensão se descontrolar. Segundo ele, até as coisas mais simples do dia a dia exigem muito esforço.

"Hoje a obesidade me prejudica no caminhar, nas tarefas diárias, ir para a rua fazer uma compra, ir ao banco. Eu também sou asmático, tenho dores na coluna constantes, devido à obesidade. Quando você vai fazer uma caminhada mais longa, você sente o corpo pesado, as pernas pesada, às vezes muito inchadas", relatou.

Antônio diz que aguarda por uma cirurgia bariátrica há quase quatro anos, desde julho de 2017. Ele conta que procurou o Hospital Evangélico de Vila Velha, mas sem sucesso. 

"Um dia eu fui lá na consulta com minha sogra e perguntei novamente. Descobri que meu processo não estava lá no meio dos outros processos. Perguntei 'como não? Eu fiz o processo aqui, fiz todo o procedimento, preenchi o cadastro. Tenho como comprovar, tenho o comprovante'. Porém eles não me chamaram", lamentou.

Já a agricultora Guiomar Maria Neta afirma que precisa fazer uma cirurgia na vesícula. Moradora do município de Água Doce do Norte, ela conta que está com dificuldade para trabalhar.

"Eu sinto muita dor, não consigo abaixar. E o serviço da roça é um serviço muito pesado. Tem oito meses que eu fiz esses exames, voltei lá tem três meses, só que o médico me pediu, devido à pandemia, que estava muito alta, que era para eu ficar em casa".

A produção da TV Vitória/Record TV entrou em contato com o Hospital Evangélico de Vila Velha, para questionar a situação de Antônio, mas, por enquanto, a direção do hospital ainda não se manifestou. Assim que recebermos a respostas, a reportagem será atualizada.

Com informações do repórter Álvaro Zanotti, da TV Vitória/Record TV