Líderes italianos prometem não abrigar mais migrantes resgatados

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Líderes italianos prometem não abrigar mais migrantes resgatados

Redação Folha Vitória

Roma, 07 - Líderes políticos do norte da Itália disseram neste domingo que não vão mais abrigar migrantes resgatados no mar, embora milhares tenham sido resgatados no Mediterrâneo nos últimos dias. Entre os políticos está o recém-eleito governador da região da Ligúria, Giovanni Toti, cuja candidatura foi apoiada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi e pela Liga Norte, partido anti-imigração que obteve sucesso nas eleições regionais da semana passada.

No sábado, quase 3.500 migrantes foram resgatados no Mediterrâneo por embarcações militares europeias. Neste domingo, mais de mil foram retirados de pelo menos 14 barcos provenientes da Líbia. Cerca de 1.400 pessoas desembarcaram em portos da Sicília no domingo, um dia depois de terem sido resgatadas.

Prefeitos de cidades no sul da Itália vêm alertando há meses que não têm mais espaço para abrigar os migrantes. Milhares estão sendo realocados para regiões centrais e do norte do país enquanto seus pedidos de asilo são processados.

O governador da Lombardia, Roberto Maroni, perguntou a seus seguidores no Twitter se eles concordavam que os prefeitos da região "deveriam se recusar a receber migrantes clandestinos" ou ser punidos com cortes no repasse de recursos regionais.

O secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, alertou que centenas de milhares de migrantes podem estar na Líbia se preparando para atravessar o Mediterrâneo nos próximos meses. Embora o número tenha sido classificado como especulação por membros da agência de refugiados da ONU, políticos da Liga Norte falam em uma invasão de migrantes.

"Em primeiro lugar, precisamos acabar com a ilusão de que podemos suportar e administrar um êxodo bíblico", disse o governador de Veneto, Luca Zaia. Segundo ele, a região não tem mais espaço para migrantes.

De acordo com dados do Ministério do Interior, no começo de maio Veneto abrigava cerca de 3 mil imigrantes resgatados no mar, ou 4% do total do país. Na Sicília, onde o desemprego é crônico, havia 16 mil, ou 22% do total. A região de Lazio, incluindo Roma, abrigava 12%, enquanto a Lombardia tinha 9% do total. Fonte: Associated Press.