Espírito Santo não tem registro da variante delta

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Espírito Santo não tem registro da variante delta

Em coletiva na tarde desta segunda-feira, Nésio Fernandes destacou que a circulação de novas variantes pode afetar pessoas que ainda não foram vacinadas

Foto: Divulgação

O Espírito Santo ainda não tem registro de circulação da variante delta, identificada pela primeira vez na Índia. A informação foi confirmada pelo subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Luiz Carlos Reblin, durante coletiva na tarde desta segunda-feira (28). 

"Até esse momento, não identificamos no Espírito Santo a transmissão por essa variante. Temos um sistema de vigilância que é composto do ingresso de pessoas por via marítima, onde a Anvisa acompanha e monitora todos os navios que chegam de outros países. É uma viagem mais longa, mais demorada, e normalmente o navio não atraca imediatamente quando chega aos nossos portos", explicou. 

Segundo o subsecretário, esse sistema de vigilância consegue detectar se durante a viagem alguém adoeceu, seja por covid-19 ou por alguma outra doença. Neste caso, são adotadas medidas como isolamento social no navio e testagem em massa dos tripulantes.

"Quando há um agravamento no quadro de saúde a pessoa já vem diagnosticada, se adota o protocolo e aí é feito o rastreio também com o envio à Fiocruz", explicou. 

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A vigilância para conter a entrada de novas variantes no Estado acontece também via aérea. Reblin destacou que os pontos de coleta no Aeroporto de Vitória ajudam a identificar pessoas que chegam de países em que a variante já circula. 

"Depois de um episódio que ocorreu em São Paulo, a Anvisa adotou critérios mais robustos no sentido de identificar pessoas que vem especialmente de países em que essa variante específica, a Delta, está circulando. Aqui, com nossos pontos de coleta no aeroporto, detectamos o vírus não apenas através do teste do antígeno, mas também coletamos para o RT-PCR. Fazemos as duas coletas exatamente para identificar quando se alguém que circulou em outros países, outros Estados, tem a contaminação por essa variante", explicou. 

Novas variantes e possibilidade de 4ª onda
Durante a coletiva, o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, falou sobre a possibilidade de uma quarta onda da pandemia no Estado.

"Uma quarta onda é possível e pode ocorrer, principalmente, diante de duas ameaças principais. A primeira delas é a possibilidade da variante P1, que diferente das outras variantes, acaba afetando a população mais jovem e levando essa população à uma probabilidade maior de evolução à internação hospitalar e óbitos. No entanto, a variante P1 não assumiu predominância na transmissão comunitária no Espírito Santo até o presente momento."

"Nós acreditamos que em um contexto de já termos vivido três expansões da pandemia, onde já temos um avanço robusto da vacinação, é pouco provável de que novas variantes consigam assumir em um curso pequeno de dias, uma grande disseminação comunitária. No entanto, novas variantes podem afetar pessoas que não estão cobertas com a vacina, podem ter um escape vacinal, então é essa a segunda ameaça à possibilidade de estabilidade do segundo semestre. O surgimento de novas variantes e a possibilidade da circulação delas representam uma ameaça à expectativa de estabilidade e de retomada mais ampla da atividade social econômica no segundo semestre."

Fases de expansão da pandemia

Durante a coletiva, Nésio Fernandes, falou sobre as três fases de expansão da pandemia no Estado, observadas durante avaliação feita nos últimos 15 dias. 

"Nós já vivemos três grandes fases de expansão da pandemia no Espírito Santo e as três foram distintas, cada uma com suas características. Nós reconhecemos que a primeira expansão ocorreu de maneira precoce, anterior à ocorrência da circulação comunitária do vírus na grande maioria do território nacional. Estamos convencidos de que o Espírito Santo foi, de fato, um dos primeiros Estados do Brasil a ter uma transmissão comunitária da covid-19, possivelmente com a introdução do vírus no Estado na segunda quinzena do mês de janeiro", afirmou. 


Circulação do vírus no carnaval de 2020

"Sem dúvida nenhuma, no carnaval do ano passado o vírus possivelmente já circulava em solo brasileiro, inclusive em solo capixaba. Nós tivemos uma primeira expansão, que ocorreu a partir da segunda quinzena de abril. Essa expansão ocorreu no contexto de ausência de cobertura vacinal, de imunidade cruzada, imunidade protetora ou exposição anterior à outras doenças que tivessem o potencial de preservar a população da circulação do novo coronavírus", explicou Nésio. 

Avanço da vacinação
"Nós chegamos a um momento da pandemia onde simplesmente dizer que voltar a estabelecer atividades econômicas e liberar atividades não é suficiente para poder avaliar um cenário futuro. Temos a probabilidade grande de até setembro alcançar toda a população capixaba acima de 18 anos com a primeira dose da vacina."

Volta às aulas no segundo semestre
"Estamos falando da possibilidade concreta de no segundo semestre avançarmos com o passo importante para juventude capixaba, com a retomada do ensino capixaba, a retomada do sistema educacional. Nós reconhecemos, após o fechamento das escolas, que foi uma das maiores violências da pandemia sobre a sociedade contemporânea. Nós precisamos pensar em uma agenda mais robusta para retomada das aulas."

Primeira expansão
"A primeira expansão ocorreu, principalmente, nos grandes centros urbanos. Ela teve um comportamento em que ocorreu primeiramente na Grande Vitória, onde apresentou uma fase de aceleração da segunda quinzena de abril até a segunda quinzena do mês de maio. Depois, teve uma fase de estabilização, que foi da primeira quinzena de junho até a primeira quinzena de julho, quando na segunda metade do mês de julho passou a viver sua fase de recuperação."

"O comportamento tardio da primeira onda no interior levou que, na segunda quinzena de junho, tivéssemos uma nova fase na curva total de casos no Estado e que se prolongou como um 'platô' até os primeiros 10 dias de agosto."

Testagem
"No período entre a primeira e segunda onda, que ocorreu de setembro até novembro, tivemos um período de mudança no critério de testagens. Tivemos uma ampliação de oferta de testes, passamos a liberar a testagem para todas as pessoas, o que levou, com a retomada das atividades econômicas e sociais, e também com as eleições municipais, um aumento na observação de casos. Esse aumento ocorreu por uma melhora na capacidade de testagem associada ao aumento da circulação das pessoas ainda em um contexto de ausência de vacinação e de uma imunidade protetora", explicou o secretário. 

"O ciclo que ocorreu da segunda quinzena de abril até a última semana de dezembro representou um período de duas grandes ondas que levou à disseminação da doença por todos os territórios do Espírito Santo. Durante a primeira expansão, os municípios com menos de 15 e 20 mil habitantes tiveram uma circulação tímida da pandemia. Ela não circulou e não chegou a formar uma grande onda nos municípios pequenos, mas na segunda expansão, ao final do ano passado, nós tivemos uma nova expansão tanto na Grande Vitória, quanto no interior."