Motorista envolvido em acidente que matou universitária é denunciado e pode ir à júri popular

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Motorista envolvido em acidente que matou universitária é denunciado e pode ir à júri popular

Wilker Wailant é acusado de matar a jovem Ramona Bergamini Toledo, de 19 anos, em março de 2020; segundo a denúncia, ele estava embriagado

Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) denunciou e pediu a prisão preventiva de Wilker Wailant. Em março de 2020, na Avenida Carlos Lindenberg, em Vila Velha, Wilker conduzia um veículo em alta velocidade, sob influência de álcool. Ele atingiu a moto pilotada por Ramona Bergamini Toledo. A jovem de 19 anos morreu em razão das lesões causadas pela colisão.

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O motorista é acusado pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio duplamente qualificado — com emprego de meio que gerou perigo comum e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas — e por condução de veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool.

O MPES, por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vila Velha, requereu que, após verificada a procedência da acusação, Wilker seja julgado perante  ao júri popular e condenado.

Além disso, foi pedida a prisão preventiva de Wilker, para a garantia da ordem pública, considerando a gravidade concreta do caso, em que, ao conduzir veículo em alta velocidade, sob influência de álcool, demonstrou menosprezo pela vida humana. 

O pedido fundamenta-se, também, na facilidade de acesso a um veículo (mesmo se isso for proibido ou houver suspensão da CNH) por alguém cuja conduta, descrita na denúncia, revelou grave desrespeito às regras de trânsito.

Histórico da acusação 

O denunciado foi preso em flagrante, ocasião em que foi classificado o crime, inicialmente, como homicídio culposo na direção de veículo automotor – art. 302, §3º, da Lei nº 9.503/97 (Código Brasileiro de Trânsito – CTB).

Na audiência de custódia, o flagrante foi convertido em prisão preventiva, que veio a ser revogada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Veja a denúncia

No entanto, conforme explicou o MPES na denúncia, os elementos colhidos durante a investigação, posteriormente à decisão do STJ, apontaram para a ocorrência não de delito culposo, mas sim doloso – e hediondo –, hipótese em que o próprio STJ e o Supremo Tribunal Federal (STF) admitem a decretação da prisão preventiva, diante da gravidade concreta dos fatos.

Por meio de nota, o advogado Ludgero Liberato, que defende Wilker, afirmou que respeita a interpretação feita pelo Ministério Público, mas destacou que ela não é compatível com as regras vigentes e com o entendimento dos Tribunais Superiores sobre a matéria. 

Segundo Ludgero, Willer esclarecerá os fatos ao longo do processo e tem plena confiança na correta aplicação da Lei, pelo Judiciário.

Entenda o caso

A colisão ocorreu em 4 de março de 2020, por volta das 23 horas, na Avenida Carlos Lindenberg, Bairro Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha. Na ocasião, o denunciado conduzia veículo e estava sob influência de álcool e em velocidade acima da permitida na via, assumindo o risco de matar. Ele passou sobre o canteiro central da via e invadiu a pista contrária, batendo em outros veículos e em um poste.

Após as colisões, o denunciado se recusou a soprar o bafômetro, mas segundo denúncia do MPES, apresentava hálito etílico e sinais visíveis de embriaguez. Colhidos na investigação, como os depoimentos de médicos, enfermeiros e socorristas. As vítimas tiveram a defesa dificultada, pois se encontravam com os veículos parados em um semáforo, sem esperar que pudessem ser atingidas de forma súbita.

Para o MPES, o motorista, ao intencionalmente conduzir um veículo em alta velocidade e estando sob influência de álcool, utilizou-se de meio que sabia que poderia gerar perigo comum, expondo a risco um número indeterminado de pessoas, incluindo motoristas e pedestres que transitavam ou estavam próximos à via, além dos passageiros do ônibus também atingido na colisão. 

Jovem estudava Fisioterapia e trabalha com entregas 

Ramona Bergamini Toledo, era natural da cidade de Pancas, no noroeste do Estado e filha única.  Segundo a mãe, a jovem estava a 200 metros de casa no momento do acidente. 

Ela cursava a graduação de Fisioterapia e se preparava para participar da cerimônia para entrega dos jalecos, representando o compromisso com "a formação profissional ética e responsável, estabelecido no ingresso à instituição de ensino superior e finalizado com o título de bacharel".

Além dos estudos, a jovem trabalhava realizando entregas por aplicativo.

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