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Dunga pede uma mudança de mentalidade dos jogadores

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Dunga pede uma mudança de mentalidade dos jogadores

São Paulo - Treinador da seleção brasileira na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e capitão na conquista do tetra, em 1994, nos Estados Unidos, Dunga concedeu entrevista para a Fifa e evitou elevar o tom das críticas ao desempenho do Brasil neste Mundial. Mas afirmou que acredita que os jogadores precisam mudar a mentalidade para que o futebol nacional possa evoluir.

"As pessoas têm de entender que uma seleção não é montada só com os melhores jogadores, mas, sim, com aqueles que se encaixam nas características que você precisa. O futebol se equiparou muito. O problema é que, no Brasil, a gente acha que, se um jogador é excepcional, ele não precisa ter função tática. É essa mentalidade que precisa mudar", afirmou.

Para o técnico, que hoje está sem clube, a "Alemanha fez o que o Brasil fazia há muito tempo. Montou um triângulo num lado do campo e, depois, passou a mudar o jogo, com passes de 40, 50 metros. A vantagem é que ela tinha o jogador ideal do lado oposto, que era o Müller, com velocidade e qualidade para dar sequência. É até delicado falar que eles não fizeram nada de anormal ou de excepcional. Mas eles fizeram, sim, porque isso é simplesmente o que todo time sonha em fazer", disse.

"Se a gente reparar nos gols, os brasileiros estavam sempre em superioridade de marcação - mas a quatro ou cinco metros de distância. E, hoje em dia, quando é preciso jogar de forma bem compacta, dar esse espaço pode ser fatal." Dunga ainda acredita que muitos jogadores do Brasil poderão estar na Copa de 2018, na Rússia - certamente, entre eles, o craque Neymar.

AUTODEFESA - O treinador aproveitou para se defender das críticas que levou há quatro anos, quando deixou a seleção totalmente concentrada na África do Sul. Na ocasião, a seleção foi eliminada nas quartas de final pela Holanda após perder por 2 a 1, de virada. Naquela Copa do Mundo, Dunga ainda proibiu que seus jogadores dessem entrevistas fora do horário.

"Eu fui muito criticado por deixar os jogadores mais concentrados, mas é difícil para os outros entenderem que, com o espaço de tempo sendo curto, você precisa aproveitar tudo da melhor maneira possível. Para uma seleção, Copa é trabalho. Para quem está ao redor, é uma festa. Então, tem de saber dividir bem, porque a cobrança será alta. Haverá discussões, mas não é porque perdemos que se pode dizer que tudo está errado. Há muitas coisas boas que precisam ser aproveitadas."