Aumenta o número de pedidos de medidas protetivas na Grande Vitória

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Aumenta o número de pedidos de medidas protetivas na Grande Vitória

No ES, as mulheres vítimas de violência doméstica que desejam recomeçar, podem contar com a Casa Abrigo. Atualmente o espaço abriga quatro mulheres sob ameaça de morte e seus filhos

De janeiro a junho do ano passado foram registrados no Espírito Santo 71 casos de feminicídio Foto: R7

A Lei Maria da Penha completará dez anos no próximo domingo (7) de existência e é considerada como um marco na luta contra a violência doméstica. A Lei prevê uma série de mecanismos de proteção às vítimas como medias protetivas que aumentou na Grande Vitória.

A vítima de violência doméstica que não será identificada nesta reportagem conta que viveu durante cinco anos sob ameaças e agressões. Desde o início, o relacionamento foi marcado por brigas e confusões. Ela foi gravemente violentada pelo companheiro e o relacionamento conturbado deixou marcas no corpo e em sua alma, mas ela luta para esquecer o trauma.

“Ele falava que se eu não ficasse com ele não ficaria com mais ninguém. Ele me agredia e depois chorava, dizia que estava arrependido, me pedia para perdoar e eu acabava cedendo”, disse.

A última agressão aconteceu em novembro do ano passado. Depois da denúncia, a vítima foi encaminhada a Casa Abrido do Governo do Estado, que recebe mulheres vítimas de Violência Doméstica.

“Na casa eu tive apoio das psicólogas e assistentes sociais de lá. Recebi todo apoio que eu precisava”, revela a vítima.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp), no ano passado 3.300 medidas protetivas foram solicitadas. Somente entre janeiro e maio desta ano já foram feitos mais de 1.500 pedidos, quase metade das solicitações feitas em todo o ano de 2015.

Para a gerente de proteção à mulher da Sesp, Mirian Beccheri Cortez, os números revelam um avanço e coragem das vítimas.

“Isso mostra que as mulheres estão se encorajando em termo de mostrar o que está acontecendo com ela e reconhecendo isso como crime”, afirmou.

De janeiro a junho do ano passado foram registrados no Espírito Santo 71 casos de feminicídio. Em contrapartida, no mesmo período desse ano, 45 mulheres foram assassinadas, vítimas de violência doméstica ou da discriminação pelo gênero. Segundo Mirian, a queda é o resultado de um intenso trabalho de prevenção, mas ainda é cedo para comemorar.

O balanço mais recente realizado pela Central de Atendimento à Mulher da Secretaria de Políticas Públicas para as mulheres da presidência da república mostra que, a cada sete minutos, uma mulher é agredida no Brasil.

Aqui no Espírito Santo, as mulheres vítimas de violência doméstica que desejam recomeçar, podem contar com a Casa Abrigo. Atualmente o espaço abriga quatro mulheres sob ameaça de morte e seus filhos. No espaço, as famílias recebem orientações e apoio psicológico. Elas podem permanecer por até três meses, até que encontrem um local seguro para viver.

O Estado conta apenas com uma Casa Abrigo no momento. Outros dois espaços que ficavam, um em Colatina e outro no município da Serra e eram administrados pelos municípios fecharam as portas por falta de verba.