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Combate à evasão escolar ajuda bom desempenho na rede pública de ensino do ES

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Combate à evasão escolar ajuda bom desempenho na rede pública de ensino do ES

Os estudantes do ensino médio do Espírito Santo obtiveram o melhor desempenho do país nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática.

"Eu era um aluno muito largado, não me importava com quase nada e só queria saber de jogar bola. Mas aí a professora me mostrou um caminho diferente", conta Hendrey Helmer, de 19 anos, ex-aluno de uma escola estadual de Serra, na Grande Vitória. "Saí do ensino médio e fui direto para a faculdade."

Na rede estadual do Espírito Santo, líder do País no ensino médio, programas para levar jovens de volta à sala de aula e com foco na gestão escolar fizeram a diferença nos resultados. Na edição de 2017 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), prova do Ministério da Educação (MEC), o ensino público capixaba teve 281 em Matemática (ante 260 na média nacional) e 277 em Português (ante 260 no ensino médio público do País).

"Vivíamos uma realidade complicada, mas conseguimos superar. Em 2016, nossa evasão escolar chegou a 12% e agora zeramos", explica Ramon Barcellos, diretor da Escola Vila Nova de Colares, onde Helmer foi aluno. Esse é um dos colégios onde funciona o Programa Jovem do Futuro, parceria do Instituto Unibanco com o governo estadual, que tem o objetivo de transformar escolas de forma democrática e participativa.

"Identificamos os problemas da comunidade e discutimos formas de atingir quem está do lado de fora. Nas salas, mudamos métodos de ensino com aulas interativas que despertam o interesse do aluno. Criamos projetos, competições, incentivos às profissões", conta Barcellos. Hoje, o programa está em 240 instituições do Estado.

"Tudo isso faz com que a gente faça parte", afirma Vinicius Loureiro, de 17 anos, aluno da última série da Vila Nova de Colares, em um bairro violento da região. "Antes, as pessoas não queriam saber da escola."

Gestão

Para o secretário da Educação do Espírito Santo, Haroldo Rocha, o êxito não se deve à alocação de mais recursos. "Isso é resultado de gestão", afirma ele, que também destaca a aposta em escolas de tempo integral - há 32 na rede estadual, que tem cerca de 470 unidades. 

Desempenho

Os estudantes do ensino médio do Espírito Santo obtiveram o melhor desempenho do país nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Os dados são da edição 2017 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).

O resultado, divulgado nesta quinta-feira (30), aponta que a média das notas dos estudantes capixabas do ensino médio foi 283,7 em Português e 291,6 em Matemática. A média inclui notas de todas as escolas, sejam elas públicas ou particulares.

No entanto, 87% dos alunos de ensino médio no Espírito Santo estão na rede estadual, que teve um peso maior nas médias obtidas. Tanto que a rede pública do Estado também apresentou o melhor resultado do país nas mesmas disciplinas.

Com o resultado obtido no Saeb 2017, o Espírito Santo foi um dos estados que mais subiu a média de notas no país. Comparando com o resultado do exame em 2015, o Estado cresceu 6,2 pontos em Português, enquanto a média nacional subiu apenas um ponto. Já em Matemática, o crescimento no Espírito Santo foi de 10,5 pontos e o do Brasil, de 3.

As notas dos estudantes capixabas no Saeb também fizeram subir a nota de aprendizagem do Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que em 2015 era 4,53 e passou para 4,78. Entretanto, essa nota de aprendizagem está abaixo da meta, que é 6. As notas do Saeb também estão abaixo do adequado, segundo o próprio MEC, que seria 300 para Português e 350 para Matemática.

Os dados do MEC também revelam as desigualdades entre estados e faixas socioeconômicas. O desempenho médio das escolas de menor nível socioeconômico do Espirito Santo, por exemplo, é semelhante ao desempenho médio das escolas com melhor nível socioeconômico no Amapá. Internamente, o Distrito Federal apresenta a maior disparidade entre os mais ricos e os mais pobres.

Saeb

O Sistema de Avaliação da Educação Básica é um conjunto de avaliações externas, em larga escala, que permitem ao Inep realizar um diagnóstico da educação básica brasileira e de alguns fatores que possam interferir no desempenho do estudante, fornecendo um indicativo sobre a qualidade do ensino ofertado.

A prova, que existe desde 1995, é aplicada para todos os estudantes do 5º e 9º ano do ensino fundamental e do 3º do médio da rede pública. Na última edição, escolas privadas puderam se voluntariar a participar (até 2017, o MEC selecionava esse grupo por amostragem). Essas notas são usadas para compor o Ideb, que é bianual e inclui dados de aprovação.



 As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.