Iraniano que venceu prêmio de Matemática passou infância em região de guerra

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Iraniano que venceu prêmio de Matemática passou infância em região de guerra

Redação Folha Vitória

Ganhador da medalha Fields, o 'Nobel' da Matemática, o iraniano Caucher Birkar nasceu na cidade curda de Marivan, no Irã. Passou a infância em meio à guerra entre seu país e o Iraque, conflito que devastou a região onde morava. Apesar disso, incentivado pelo irmão mais velho, ele passou a se interessar por números e fórmulas matemáticas.

"Meus pais eram agricultores, então eu passava muito tempo trabalhando no campo. Não era o melhor lugar para uma criança se interessar por algo como matemática", afirmou ele, em entrevista à imprensa internacional, meses atrás.

O curdo-iraniano graduou-se em Matemática pela Universidade de Teerã e em 2000 se mudou para o Reino Unido, onde apresentou pedido de refúgio.

Um ano depois, obteve o status de refugiado. O Curdistão se estende por regiões do Irã, Iraque, Síria e Turquia e não tem sua reivindicação de independência considerada. Os curdos são minorias nesses países.

Birkar tornou-se então cidadão britânico e começou seu doutorado na Universidade de Nottingham. Um dos professores que supervisionaram o doutorado de Birkar, Ivan Fesenko, disse que o refugiado excedeu todas as expectativas: "Dei-lhe um problema e, se ele resolvesse, isso seria o seu doutoramento. Habitualmente a resolução demora três ou quatro anos.

Birkar resolveu em três meses", contou, também em entrevista à imprensa internacional. Especializado em geometria birracional, o matemático hoje é professor na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Furto

Meia hora após receber a medalha, Birkar teve o prêmio furtado. Dois homens são suspeitos. A Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) e a Delegacia do Recreio, bairro onde fica o Riocentro, onde ocorreu o congresso, fazem diligências na manhã desta quinta-feira, 2, para localizar os suspeitos.

Mais premiados

Além de Birkar, foram agraciados o indiano Akshay Venkatesh, de 36 anos, o italiano Alessio Figalli, de 34 anos, e o alemão Peter Scholze, de 30 anos. Além da medalha, cada um recebeu 15 mil dólares canadenses (cerca de R$ 43 mil).

Um comitê secreto composto por 12 matemáticos de renome escolhe os premiados. Só o presidente desse comitê tem o nome divulgado. A escolha dos vencedores é um processo que se estende por aproximadamente dois anos.

Entre os 60 premiados com a medalha Fields na história, há um único brasileiro: o carioca Artur Avila Cordeiro de Melo, que tem 39 anos e foi premiado durante a edição anterior do congresso, na Coréia do Sul, em 2014, quando tinha 35 anos.

A entrega dos prêmios foi feita pelo ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, durante a cerimônia de abertura do congresso. O encontro reúne 2,5 mil matemáticos de todo o mundo e se estende até o dia 9, oferecendo cerca de 1,2 mil palestras.